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Moptop BR Como Se Comportar

Diego Fernandes |

Por Diego Fernandes

O nome da banda menciona o penteado dos Beatles, a entrada do grupo na Wikipédia menciona influências diversas. Mas é para um grupo em específico, precocemente imortalizado entre os grandes do rock, que o som aponta. Impossível não associar Moptop e Strokes durante a audição de Como Se Comportar , segundo álbum do quarteto carioca. Tudo está lá: as cadências retas de bateria, o baixo pulsante, as inflexões entre o cansado e o cool de Julian Casablancas (emuladas pelo guitarrista e vocalista Gabriel Marques) e as linhas de guitarra insistentes - tudo é decalcado do grupo considerado o marco zero do novo rock de modo quase paródico.

Exemplos mais gritantes: a seção rítmica de "Aonde Quer Chegar?" e a guitarra surf de "Contramão", que parece saída diretamente de First Impressions of Earth . O restante das músicas soa como uma desconstrução de "Reptilia", um dos momentos strokeanos mais emblemáticos. Para ser inteiramente justo, nem tudo lembra o quinteto nova-iorquino - a guitarra new wave ascendente de "Desapego" grita Franz Ferdinand.

Como Se Comportar não é exatamente um mau disco, mas trata-se do tipo de música que requer contorções da lógica para ser ouvida. Como, por exemplo, por que não escutar Strokes ao invés de uma banda que soa tanto como Strokes? É um trabalho que transparece uma banda segura, contagiante, e de letras que ficam encravadas na memória pelo mero fato de ser bem-escritas. O problema reside no modo como a precisão matemática e o sabor pop industrializado de Como Se Comportar tornam improvável que qualquer pessoa que escute o disco não caia na armadilha de tentar identificar qual música será imitada a seguir. O ditado Plágio é a mais sincera forma de lisonja poucas vezes fez tanto sentido.

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