Monica Salmaso canta a "alma lírica brasileira" em novo álbum

No disco que acaba de chegar às lojas, cantora é acompanhada apenas de piano e sopros

Augusto Gomes, iG São Paulo |

Divulgação
A cantora Monica Salmaso
O novo álbum da cantora Monica Salmaso, "Alma Lírica Brasileira", nasceu no palco. O embrião foi uma série de apresentações que a artista fez acompanhada de Nelson Ayres (piano) e seu marido, Teco Cardoso (sopros). "Durante dois anos e meio, estive em turnê com o 'Noites de Gala, Samba na Rua'", conta Monica, referindo-se ao disco em que cantou músicas de Chico Buarque, lançado em 2007. "Aí apareceu um convite para fazer um show mais enxuto e isso levou a esse meu novo álbum".

Segundo Monica, cerca de 70% do repertório do álbum já estava presente nestas apresentações. "Os shows foram acontecendo. A cada um que acontecia, fomos colocando mais coisas. Quando percebi, esse conceito de 'Alma Lírica Brasileira' estava formado", afirma. O conceito, no caso, é da música entendida como um artesanato. "Algo que requer um tempo, um domínio. E que tem uma dimensão humana", explica. "E que também fala dos vários Brasis. O caipira e o urbano, o erudito e o popular".

Parece complicado, mas não é. Trata-se de um disco cheio de silêncios, que vai revelando suas qualidades de forma sutil. E, como a própria a artista conta, mistura o caipira ("Promessa de Violeiro") e o urbano ("Trem das Onze"), o erudito ("Melodia Sentimental") e o popular ("Meu Rádio e Meu Mulato"). O cardápio é variado, mas ganha unidade através do impecável canto de Monica. O piano de Nelson Ayres não está menos inspirado - basta ouvir, por exemplo, o que ele faz na faixa "Samba Erudito".

Divulgação
Capa do disco "Alma Lírica Brasileira"
Monica conta que as gravações aconteceram rapidamente, em dois dias e meio. "Tentamos fazer o máximo possível ao vivo", lembra. "O estúdio tinha duas salas, uma maior para o piano do Nelson e outra menor para os sopros do Teco. Como não havia uma terceira sala para a minha voz, fizemos um 'puxadinho' para eu cantar as guias (gravações iniciais que geralmente não entram em disco e, como o nome indica, servem de guia para os músicos tocarem)".

Mas, em algumas músicas, a cantora decidiu não regravar seus vocais e colocar a voz guia no disco mesmo. Foi o caso de "Trem das Onze", faixa que fecha o álbum. Sua versão traz uma pequena alteração na letra do clássico de Adoniran Barbosa. Ao invés de "sou filho único, tenho uma casa para olhar", ela canta "temos filho único". "É uma brincadeira que eu e o Teco fazíamos nos shows. Era a forma de dizermos que tínhamos que terminar a apresentação porque nosso filho estava em casa esperando", ri.

Outra novidade está na gravação de "Cuitelinho", canção folclórica adaptada por Paulo Vanzolini. "A última estrofe dessa versão que está no disco é inédita. As versões gravadas anteriormente não tinham esses versos", revela Monica. "O Paulo 'descobriu' essa estrofe numa viagem ao interior, incorporou à música e cantou num show no Teatro Fecap. Eu ouvi e decidi gravar". Segundo ela, o compositor "adorou" a versão. Os versos até então inéditos em disco são esses:

"Vou pegar o teu retrato
Vou botar numa medalhaa
Com um vestidinho branco
E um laço de cambraia
Vou pendurar no meio peito
Que é onde o coração trabalha"

    Leia tudo sobre: Monica Salmaso

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG