Michael Schenker, lenda da guitarra, toca no Brasil

Ex-integrante de UFO e Scorpions, guitarrista alemão mostra o talento que lhe valeu convites para tocar com Ozzy, Deep Purple, Rolling Stones, Aerosmith e Whitesnake

Luiz Antonio Ryff, iG Rio de Janeiro |

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"Attack of The Mad Axeman": Lenda do rock pesado, o guitarrista alemão Michael Schenker toca no Brasil pela segunda vez
Cuidado com o ataque do guitarrista louco! Lenda do rock pesado, o alemão Michael Schenker aporta no Brasil para shows em Goiânia (nesta quinta, 24) e São Paulo (nesta sexta, 25). Fundador dos Scorpions e ex-integrante do UFO, Michael Schenker foi um dos fundadores do estilo de guitar hero do gênero, no início dos anos 70 – aliando virtuosismo e senso melódico com uma influência da música clássica.

Embora pouco conhecido do grande público, sua importância pode ser medida por alguns convites e sondagens que recebeu: para substituir Joe Perry no Aerosmith, Ritchie Blackmore no Deep Purple, Randy Rhoads na banda de Ozzy Osbourne e Mick Taylor nos Rolling Stones. "Esqueci alguém", pergunto? “Bom, também fui convidado para entrar no Whitesnake certa vez”, corrige ele, em entrevista ao iG , garantindo não ter qualquer arrependimento ou mágoa por não ter alcançado a popularidade que poderia ter tido. "Eu nunca me esforcei para isso. Sempre fiquei muito focado na minha música, em tocar guitarra, não em ter sucesso comercial".

Para Michael Schenker, mais importante do que entrar em uma grande banda estabelecida, ganhar milhões para tocar um repertório já feito, era desenvolver o próprio som e estilo. E compara: “Eu não gostaria de ganhar US$ 15 milhões na loteria. Eu gosto de ganhar o dinheiro com o meu trabalho, fazendo algo que eu adoro fazer. Isso para mim é o mais importante”, afirma ele, que no final do ano recebeu das mãos de Alice Cooper em Londres o  "Marshall '11' award", concedido a músicos que simbolizam o "rock'n'roll excess" e levam a vida no limite .

Altos e baixos na carreira

E excesso é com ele mesmo. Extremamente simpático e afável na conversa, Michael Schenker é conhecido tanto pela genialidade como guitarrista quanto pelo comportamento errático dentro e fora dos palcos. Subiu em um pela primeira vez aos 11 anos. Seu primeiro disco foi “Lonesome Crow” (1972), a estreia dos Scorpions, com 16 anos. Embarcou no grupo britânico UFO ainda adolescente, sem falar ou entender inglês. E o histórico da banda – pelos excessos de bebidas e drogas e confusões dentro e fora do palco – faria os irmãos Gallagher, do Oasis, parecerem bem comportadas meninas de um colégio de freiras.

Era muita intensidade para ele, que reconheceu que, na época, não era forte o bastante para aguentar o tranco. A primeira vez que abandonou o grupo, em 1979, foi após uma briga física com o cantor Phil Moog. Chegou a voltar para a banda nos anos 90 e no início da década.

Nos últimos anos tem feito ótimos discos e está em excelente forma, como atestam os recentes CDs em estúdio, “In The Midst of Beauty” (2008) - seu melhor em mais de uma década - , e o ao vivo, “The 30th Anniversary Concert – Live in Tokyo” (2010), bem como as gravações de concertos feitas por fãs no YouTube.

Ele titubeia um pouco para responder sobre a inconstância, que atribui a problemas pessoais e profissionais. “São altos e baixos... Às vezes é resultado de como a situação evolui. Você atravessa a vida aprendendo, cometendo erros, amadurecendo, tentando resolver os problemas que aparecem. É um duro aprendizado. Eu tento seguir em frente com a vida”.

Show no Brasil

Atualmente ele está em turnê com sua indefectível guitarra flying V reproduzindo repertório do CD ao vivo que comemora os 30 anos de sua banda, a Michael Schenker Group. Mas a turma que vem com ele é diferente da que gravou o disco. Na bateria estará outra lenda do rock, Carmine Appice (que tocou no Vanilla Fudge, Cactus, Beck, Bogert & Appice, Ozzy Osbourne, Rod Stewart entre outros). Elliott "Dean" Rubinson (baixo) e Wayne Findlay (guitarra e teclados) vieram com Michael na outra viagem ao Brasil, em 2009. No vocal, contudo, em vez de Gary Barden (o primeiro cantor do MSG), de fora por causa de problemas pessoais, quem volta a ocupar o posto é David Van Landing, que esteve com a banda entre 1996 e 1998 e na turnê norte-americana no ano passado.

O show que o MSG apresenta no Brasil terá as principais músicas conhecidas por seus fãs, como “Attack of The Mad Axeman”, “Armed and Ready”, “On and On”, “Into The Arena”, “Cry For The Nations”, “Rock My Nights Away”, “Are You Ready to Rock”; três canções do novo disco, “Ride On My Way”, “I Want You” e “A Night to Remember”; e também dois clássicos do UFO, “Doctor Doctor” (já regravada pelo Iron Maiden) e “Rock Bottom”.

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Empunhando sua guitarra flying v, Michael Schenker mostrará no Brasil o repertório do álbum que comemora 30 anos de carreira de sua banda
O Brasil talvez tenha um bônus com a substituição na formação da banda que acompanha Michael. A canção “Assault Attack”, do álbum homônimo. “David fez um grande trabalho cantando minhas músicas do período do UFO e do Scorpions no Japão nos meus 25 anos de carreira (em 98). Ele também canta muito bem ‘Assault Attack’, por exemplo. Gary não consegue”, compara. “E só hoje eu me lembrei disso. E eu poderia mostrar para o pessoal. Se eles não forem muito preguiçosos, e aprenderem, a gente pode tocar aí no Brasil”, brinca.

Novo álbum

Mas que ninguém espere que ele mostre em primeira mão o material do novo disco, que está sendo gravado em Londres e provavelmente se chamará “Strangers in The Night Project”, que foi o nome escolhido para sua reunião com o baterista Herman Rarebell (Scorpions), o baixista Pete Way (UFO) e o cantor Michael Voss (Casanova e Silver, duas bandas menores da cena do hard rock) para tocar clássicos do UFO. O projeto foi arquivado, mas rendeu uma música nova, “Saturday Night”, que está no YouTube e estará no disco novo.

“Eu comecei a trabalhar no meu disco e acabou que não vamos mais fazer uma turnê, vou fazer um álbum. E estou pensando em chamar o disco de ‘Strangers in The Night Project’. Vai ser um disco do Michael Schenker, MSG, mas com esse nome”, explica.

O disco terá um monte de convidados especiais além dos já citados, como os bateristas Carmine Appice, Chris Slade (AC/DC, The Firm e Uriah Heep) e Simon Phillips (Jeff Beck, Judas Priest, Mick Jagger, Toto, Joe Satriani); os baixistas Neil Murray (Whitesnake, Black Sabbath), Chris Glenn (da formação clássica do MSG), e Elliot Dean Rubinson (dono da Dean Guitars); os tecladistas Don Airey (Deep Purple, Rainbow, Ozzy Osbourne) e Paul Raymond (UFO e MSG).

Outra participação importante será a do irmão mais velho, Rudolph Schenker, guitarrista dos Scorpions. Será o embrião de um desejo acalentado há muito tempo pelos dois, uma espécie de Schenker Brothers Project, que deve ser posto em prática quando o Scorpions, que faz uma turnê despedida, encerrar a carreira.

Nos vocais, Robin McCauley (ex-vocalista do MSG, atualmente com o Survivor) já gravou uma música. Gary Barden fará o mesmo. “Talvez tenhamos Doogie White (Rainbow) em uma”. Apesar da contribuição estelar que terá no CD, Michael ainda sonha alto. “Estou tentando ter o Rod Stewart no meu próximo álbum. Adoraria fazer algo com ele e com o Robert Plant. Tem coisas que eles fizeram que deixaram uma impressão muito forte em mim quando eu era jovem.”

Música como chocolate

Idolatrado por guitarristas, Michael também tem suas preferências. “Meus guitarristas favoritos são o Eddie Van Halen e o Jeff Beck. E meus solos favoritos são o do Leslie West em ‘Theme From an Imaginary Western’ e do Jimmy Page em ‘Stairway to Heaven’”, revela ele, que confidencia não costumar ouvir muita música para não se influenciar.

“Eu não ouço rock, nem nenhum tipo de música. Fico longe disso, basicamente". E explica bem-humorado. “É como se fosse chocolate. Quando eu como, eu gosto, mas eu não abuso, para não ficar enjoado”, ri.

Reprodução
O guitarrista alemão Michael Schenker durante a gravação do CD "The 30th Anniversary Concert - Live In Tokyo"

Serviço - Michael Schenker
Bolshoi Pub - Rua T53 / T2, nº1140, St. Bueno (Goiânia)
Quando: 24 de fevereiro, às 22h
Quanto: R$ 80 (antecipado)
Tel: (62) 3285 - 6185/ (62) 3274 – 1309

Manifesto Bar - Rua Iguatemi, 36, Itaim Bibi (São Paulo)
Quando: 25 de fevereiro, às 22h
Quanto: R$ 90,00 (pista) e R$ 300,00 (camarote)
Tel: (11) 3168-9595

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