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Metallica BR Death Magnetic

Diego Fernandes |

Acordo Ortográfico

Por Diego Fernandes

"Retconing" (algo como "retificação de continuidade") é um termo da língua inglesa utilizado por roteiristas para explicar mudanças de contexto e intervenções estilo "deus ex machina" necessárias para reverter histórias mal aceitas pelo público na vida de personagens ficcionais. A estratégia dos quatro sujeitos do Metallica em seu novo disco parece ter sido exatamente essa: zerar a continuidade de sua carreira até o ponto em que tudo começou a dar errado, desfazendo-se de uma imagem negativa que com o passar dos anos inchou feito um balão preto com caveiras punks rabiscadas em sua superfície. Trocando em miudos, a existência de Death Magnetic se traduz na negação de toda carreira da banda pós- Black Album (incluindo o desmoralizante documentário Some Kind of Monster ) em favor de uma retomada da brutalidade e das demonstrações de técnica que tornaram o grupo famoso num mundo pré-reality shows.

É como se Load e Reload (onde a banda parecia flertar com a ideia de uma versão metal para Achtung Baby , do U2) e, sobretudo, o desastre metroviário em forma de música St. Anger (onde tentaram a mão no nu-metal, com resultado deveras canhestro) nunca tivessem existido. O que, numa análise prática, é ótima notícia para os fãs. O produtor de longa data, Bob Rock, apontado como o arquiteto da guinada do Metallica no começo dos anos 90, foi preterido dessa vez por outro nome conhecido dos fãs de metal. Rick Rubin empresta ao disco seu estilo - produção não exatamente minimalista, mas dotada de uma crueza onde cada instrumento parece mirar na jugular - com resultado bastante notável. Trata-se do sujeito responsável por reviver artistas caidos em esquecimento (como Johnny Cash; como o Metallica) e, sobretudo, por ter produzido um dos grandes clássicos do metal moderno: Reign In Blood , do Slayer.

Death Magnetic sabiamente soterra todos seus vagos toques de modernidade sob uma barragem de riffs perversos e baterias no limiar do hardcore - não por coincidência, elementos vitais naquele que é considerado o grande disco da banda pré-sucesso comercial, Master Of Puppets . Os fãs (ou, a esta altura dos acontecimentos, ex-fãs) que derem uma chance a Death Magnetic podem se surpreender ao constatar que se trata de um disco de metal à moda antiga, com pelo menos um épico prog-trash (a instrumental "Suicide & Redemption"), e do tipo que mantém sua cota de baladas sobre rígido controle (são duas: "The Day That Never Comes", que se transmuta em um speed metal incansável, e "The Unforgiven III", emoldurada por piano discreto, e que soa um bocado como Stone Temple Pilots).

Imperfeito, mas de algum modo mais nobre por isso, o novo Metallica soa um bocado como o velho Metallica, aquele cujo som vinha sendo emulado até mesmo por bandas indies com mais convicção do que seus próprios criadores. Uma das bandas mais influentes da história do metal zerando a franquia: chocante, mas extremamente 2008.

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