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Mesmo fora de forma, Chuck Berry garante noite animada de rock n roll

Redação iG Música |

Dizem que ao envelhecer as pessoas retrocedem e tornam a agir tal qual quando eram crianças, perdendo um tanto de memória ou das noções básicas de como as coisas funcionam. Com Chuck Berry não é diferente.

Aos 81 anos, a lenda do rock é um menino levado que toca sua guitarra Gibson ES-350T semi-acústica despreocupadamente, errando algumas notas, trocando algumas letras, fazendo caretas, rebolando e até caminhando pelo palco como se estivesse na sala de casa ou no bar/restaurante Blueberry Hill, em St. Louis, onde, diga-se de passagem, ele se apresenta uma quarta-feira por mês.

Mas Chuck Berry pode, e aqueles que vierem a reclamar de sua postura octogenária não devem fazer idéia de quem esteve no palco do HSBC Brasil nessa noite fria em São Paulo.

A apresentação do guitarrista começou cinco minutos antes do previsto, pois, de acordo com o burburinho nos bastidores, Berry resolveu entrar e disparar "Memphis Tennessee" sem quaisquer cerimônias.

"Espero que pelo menos metade de vocês nunca tenha ouvido essa antes", disse o veterano ao tocar a clássica "School Days", num bom humor que frustrou os que esperavam um velhinho ranzinza e já sem carisma.

"Carol" surgiu com um rápido dueto de guitarras entre Chuck Berry e seu filho, o também músico Charles Berry Jr, que esteve sempre a postos para segurar os deslizes do pai ou protegê-lo do único fã que burlou a segurança e conseguiu abraçar o ídolo.

Em "Sweet Little Sixteen", um dos clássicos conhecido por suas pausas rápidas e notas diretas, já era mais que perceptível como a idade avançada afetava a velocidade das músicas, que soavam muito mais lentas do que as versões originais, num ritmo que respeitasse as atuais limitações do cantor.

Mas Berry segurou muito bem o solo de "You Never Can Tell", canção que ficou conhecida nos anos 90 graças à cena de dança protagonizada por John Travolta e Uma Thurman no filme "Pulp Fiction", mostrando que em momentos esporádicos fagulhas de suas performances dos anos 50 tomavam seu corpo.

Duvidoso sobre o que tocar em seguida, o guitarrista perguntou à platéia quais músicas gostaria de ouvir. Porém, dentre os pedidos de "Maybellene" que surgiram, ele entendeu "Nadine", e sem perder tempo deu início a canção.

Num segundo momento, uma fã se aproximou do palco e pediu alguma música que, de acordo com o próprio guitarrista, não fazia parte de seu repertório. Mas, evitando qualquer tipo de constrangimento, Berry sugeriu a moça que tocassem "Rock and Roll Music".

Quando mencionou a possibilidade de cantar "Johnny B. Goode", o público respondeu imediatamente aos gritos e assovios. Animado com a receptividade dos presentes, o veterano pegou emprestada a guitarra de seu filho - provavelmente por já estar afinada para a canção - e satisfez a vontade da platéia.

O coro no momento do refrão ganhou força graças a Charles Berry Jr, que aproveitou a falta de seu instrumento para instigar a platéia a levantar e correr em direção ao palco. Animado com a bagunça, Berry pediu que os seguranças permitissem que 12 mulheres subissem e participassem da festa.

E foi diante de uma platéia animadíssima e cercado de garotas, as quais não perderam a chance de dar beijinhos e abraços na lenda do rock, que Chuck Berry encerrou um show que teve até seu famoso duck walking e músicas como "My Ding-a-Ling" e "Reelin' and Rockin'".

Ao final, o público se dividiu em dois blocos distintos: os que quiseram criticar o idoso que errou centenas de notas e os que preferiram elogiar o velhinho agitado que animou a noite só com clássicos do rock'n'roll.

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