McCartney tem caso de amor com Brasil

Cantor fez show histórico no Maracanã em 1990 e abalou São Paulo em 1993

Lúcio Ribeiro, colunista do iG |

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Paul McCartney no Rio, em 1990: carinho pelo Brasil garantiu terceiro show no país 30 anos depois
Há um deflagrado caso de amor entre o ex-beatle Paul McCartney e o Brasil. E, nesses três shows que o supralendário astro pop vai fazer no país, a começar por domingo agora em Porto Alegre, vamos ver e ouvir essa demonstração de carinho mútuo, seja por parte do público fiel de todas as idades, seja pelo cantor. Pode esperar.

O fechamento desta atual turnê brasileira, que conta ainda com mais dois shows em São Paulo (dias 21 e 22), teve motivação direta com o histórico show do Maracanã, no Rio há 20 anos, na primeira visita de McCartney ao Brasil. Este show de abril de 1990, que consta do Guinness Book of Records como o maior público de todos os tempos para uma apresentação de um artista solo (184 mil pessoas). Paul quase nem conseguiu cantar, com tanta gente gritando junto.

Por causa das memórias desta apresentação recordista no Rio, o músico assinou contrato com a Planmusic, do empresário Luiz Oscar Niemeyer, o mesmo que em 1990 conseguiu tornar realidade o sonho brasileiro de ver um beatle tocando no país. Mesmo com as condições melhores oferecidas pela Time For Fun, outra gigante dos shows que fechou as apresentações de Paul na Argentina. Sem contar que o ex-beatle pessoalmente decidiu essa turnê por causa do show do Maracanã de 20 anos atrás, fixando um terceiro show no Brasil para Niemeyer em detrimento de qualquer concerto no Chile.

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Paul em São Paulo, 3 anos depois: música clássica
Com o que foi o show no Rio de Janeiro em 1990, Paul McCartney não precisaria mais pisar no Brasil. Precisar, não precisava, mas ele voltou – e bem rápido. Macca incluiu São Paulo e Curitiba na "New World Tour", que percorreu o mundo em 1993 apresentando seu mais recente disco, "Off the Ground". E ela aterrissou no país em dezembro daquele ano, na mesma época em que saía "Paul Is Live", álbum cuja capa, na clássica Abbey Road, ironizava a lenda surgida no fim dos anos 1960 que dizia que McCartney havia morrido e sido substituído nos Beatles por um sósia. E como o nome do disco entrega, Paul estava vivo – e tocando ao vivo. E no Brasil.

E quem viveu para testemunhar in loco a second coming de McCartney presenciou um raro milagre do pop: 40 mil paulistanos tirando os pés do chão durante duas horas e meia, ao longo de 32 músicas. Do alto de suas três décadas de carreira, o beatle mesclou novas canções com os maiores sucessos dos Wings e um caminhão de clássicos dos Beatles. Aliás, clássico é a palavra que melhor define essa apresentação. Vejamos: um senhor de 51 anos, com cabelos estilo mullet e uma camisa preta-e-branca de gosto duvidoso, abrindo um show com "Drive My Car" e fechando com "Hey Jude"; no meio, "Can't Buy Me Love", "Let It Be" e "Live and Let Die", entre outras.

Se a temporada 1993 de shows no Brasil começou com uma explosão de frescor trazida por Nirvana, Red Hot Chili Peppers e L7, coube a Sir Paul McCartney encerrá-la com seu pop que, na falta de adjetivo mais preciso, é clássico. E então, você gosta de música clássica?

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