Max Viana sai em defesa do pai, Djavan: "Falar de drogas é uma coisa necessária"

Cantor fala do CD “Um quadro de nós dois” e comenta a polêmica declaração que o pai deu ao iG sobre uso da maconha

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Isabela Kassow
Max Viana, 38 anos, lança o CD "Um quadro de nós dois"

Ao optar pela mesma carreira de Djavan, Max Viana sabia que as comparações viriam e não escolheu o caminho mais tortuoso, o de negar a sombra do pai. Foi, inclusive, músico da banda de Djavan por alguns anos. Mas fez de suas escolhas pessoais uma outra identidade.

Em seu terceiro CD, “Um quadro de nós dois” , lançado agora pela Biscoito Fino, Max mostra que encontrou este amadurecimento. “Meus três discos foram produzidos por mim mesmo. É que gosto dessa parte de produção, desse envolvimento técnico de um trabalho. Estou bem feliz com estas escolhas”, diz ele, aos 38 anos recém-completados.

A entrevista ao iG aconteceu na sede da gravadora, na zona sul do Rio, à "sombra" do Corcovado. O cantor comentou, entre outras coisas, a polêmica declaração que Djavan deu com exclusividade há uma semana, na qual afirmou que fuma maconha . “Falar de drogas é uma coisa necessária... Já experimentei, mas não fumo”, declara ele.

Leia também: Crítica do novo CD do cantor

Max convive bem com as dualidades. Suas referências musicais estão entre o jazz e a black music. Seu novo CD tem um pouco de pouco soul e um pouco de samba. Fala inglês e espanhol. É flamenguista e mangueirense. Joga tênis e futebol. Mas tem preferido as corridas no calçadão da praia. “É que não depende de nada. É só pôr os tênis e correr”, explica.

SOMBRA DO PAI
“Nos outros discos até tem uma participação dele, mas neste agora não tem participação alguma. Não sinto pressão (por ser filho do Djavan). Meu pai é um cara de carreira magnífica, não tem por que ter muita comparação. Não vejo semelhanças, mas influências.”

Isabela Kassow
Mangueirense e flamenguista
PAI PRODUTOR
“Nossa relação profissional é muito tranquila, até porque a gente se comunica muito bem. Tenho liberdade para falar do trabalho do meu pai, como ele também tem sem problema algum. O momento para isso acontecer (do Djavan produzir um CD seu) ainda não chegou. Não preciso me submeter a uma cobrança gerada por decisão minha, porque eu gosto de produzir meu próprio trabalho.”

POLÊMICA DA MACONHA
“Não quero falar sobre a opinião que ele deu ( Djavan declarou ao iG que fuma maconha ). Mas falar de drogas é uma coisa necessária. Se você me pergunta se eu sou a favor da legalização, sou a favor sim. Acabei de voltar de Amsterdã, é tudo tão pacífico... A educação europeia, de maneira geral, está anos-luz à frente daqui para milhões de coisas. O povo brasileiro não está preparado para uma legalização. Mas o primeiro passo tem que ser dado.”

DEFESA DO DEBATE
“Não é debate antigo à medida que não teve uma resolução, é atualíssimo. Só acho triste porque as pessoas só empurram o debate para debaixo do tapete. Tratar do usuário como criminoso não é o caminho mais certo. O fortalecimento do tráfico só existe porque é tratado como coisa ilegal. Me parece uma questão lógica que o caminho é a legalização. Assim como a bebida gera problemas de saúde incríveis, por que não pode ter uma equivalência na questão das drogas?”

USO DA MACONHA
“Já experimentei. Não fumo.”

Isabela Kassow
O novo CD tem onze faixas, todas tendo como tema o amor
“UM QUADRO DE NÓS DOIS”
“Fui fazendo o CD com calma , de forma independente, dividindo com outros trabalhos que vinha fazendo. Seja com a turnê do meu pai, a produção do disco do Dudu Falcão, o da Luiza Possi ... Foi gravado em dois anos, indo para o estúdio sempre que me sobrava tempo.”

Isabela Kassow
Ele mesmo produz seus CDs
DISCO ENXUTO
“Não sei se é uma tendência (fazer CDs com poucas faixas). Embora o CD não tenha mais o impacto de antes porque as pessoas ouvem músicas avulsas, ainda acho que ele tem que ter uma história no conjunto. Da primeira à última música, é preciso ter uma lógica. É um caminho que só percebo no processo da realização do disco.”

PÉ NO SAMBA
“Sempre gostei de samba. Comecei a tocar violão ouvindo João Bosco , João Gilberto , Gilberto Gil ... Este estudo que fiz com o violão me colocou em contato com o gênero. Me criei ouvindo samba desde criança, também quero ter isso no meu trabalho. Fiz esta música (“É hora de fazer verão”) com Arlindo Cruz. Não é o primeiro samba que eu gravo. No disco anterior, gravei “Você não me entendeu.”

MANGUEIRENSE
“Alcione é a maior cantora do Brasil. De vez em quando vou à casa do Zeca Pagodinho , a gente toma umas cervejas. Gosto do universo do samba. Sou mangueirense, vou à quadra, desfilo na Sapucaí... Mas ainda não fiz música com o Zeca, com ele é só cerveja.”

FORA DO PAÍS
“Morei nos Estados Unidos de 1992 a 1993, fui para estudar música, tinha 19 anos. Minha primeira experiência fora da casa dos meus pais. Era escola 24h por dia. Tenho amigos do mundo inteiro até hoje feitos naquela época. O melhor baterista de samba da escola era um japonês. Fiz ótimas amizades.”

FALANDO DE AMOR
“Tem gente que fala de amor de forma lindíssima. Chico Buarque , Caetano, meu pai... Cazuza também. Tem uma variedade imensa de compositores cantando bem o amor. Cada ritmo tem uma maneira de falar o tema. Adoro falar de amor. Sou casado há sete anos com Ana Madalena, tenho dois filhos. Sou feliz.”

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