Massive Attack faz melhor show de suas três passagens pelo Brasil

Banda, que havia decepcionado em turnês anteriores pelo país, faz apresentação impecável em São Paulo

Augusto Gomes, iG São Paulo |

Jorge Rosenberg, especial para o iG
Robert Del Naja, do Massive Attack, durante show em São Paulo
O Massive Attack finalmente fez o show que devia ao público brasileiro. Em suas passagens anteriores pelo país, o grupo britânico havia sido decepcionante - em 1998, foi prejudicado por tocar depois de uma impressionante apresentação do Kraftwerk no Free Jazz Festival e, em 2004, veio num mau momento, com a turnê de um seu disco mais fraco, "100th Window". Mas toda essa má impressão foi deixada para trás no show de ontem no HSBC Brasil, em São Paulo ( veja imagens da performance no Fotoshow ).

Já na primeira música, "United Snakes", foi possível perceber que a pegada do show seria outra. Acompanhados de duas baterias, baixo poderoso, guitarra distorcida, inúmeras sonoridades nos teclados e mais três grandes vocalistas, Robert Del Naja e Grant Marshall fizeram um apanhado da carreira do grupo, um dos pais do trip hop (uma espécie de hip hop mais lento, com influências de jazz e música eletrônica) dos anos 1990.

No palco, as músicas ficam mais longas e pesadas, acentuando o caráter hipnótico do som do grupo. O público vibrou principalmente com clássicos dos discos "Blue Lines" (1991) e "Mezzanine" (1998), as duas obras-primas da banda. Mas as canções do recente (e excelente) "Heligoland", lançado no início deste ano, também não fizeram feio - especialmente a dançante "Atlas Air", última música do primeiro bis e um dos grandes momentos da noite.

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Martina Topley-Bird
Se Grant Marshall é uma figura mais discreta (passa mais da metade do show fora do palco), Robert Del Naja é o maestro. Quando não canta, pilota teclados e bases pré-gravadas e até dança um pouco. Os vocalistas Horace Andy e Martina Topley-Bird são um espetáculo à parte. "Angel", com o primeiro, e "Teardrop", com a segunda, foram duas das favoritas da plateia. Já Deborah Miller tem menos brilho, mas em compensação teve a sorte de cantar dois clássicos de "Blue Lines", "Safe from Harm" e "Unfinished Sympathy".

Os painéis de LED no fundo do palco também impressionaram. Em perfeita sincronia com as músicas, eles criaram todo o ambiente do show e cuspiram diversas frases de alto teor político e em bom português. Após apenas onze músicas, o grupo deixou o palco. Mas voltou com um bis generoso, que começou morno com "Splitting the Atom" mas pegou fogo com "Unfinished Sympathy" e "Atlas Air".

O grupo ainda voltou ao palco uma segunda vez e encerrou a noite com "Karmacoma", sucesso de seu segundo disco, "Protection". Quando todos haviam deixado o palco, Martina Topley-Bird ainda voltou para dar autógrafos e tirar fotos com os fãs. A artista, que já havia feito o show de abertura, fica mais alguns dias no Brasil e canta nesta segunda-feira em São Paulo, no Comitê Club.

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Horace Andy
Veja abaixo o set list do show desta terça-feira no HSBC Brasil, em São Paulo:

01. "United Snakes"
02. "Babel" (com Martina Topley-Bird)
03. "Risingson"
04. "Girl I Love You" (com Horace Andy)
05. "Future Proof"
06. "Psyche Play" (com Martina Topley-Bird)
07. "Mezzanine"
08. "Teardrop" (com Martina Topley-Bird)
09. "Angel" (com Horace Andy)
10. "Inertia Creeps"
11. "Safe From Harm" (com Deborah Miller)

Bis 1
12. "Splitting The Atom" (com Horace Andy)
13. "As You Were Leaving (Cheyenne)"
14. "Unfinished Sympathy" (com Deborah Miller)
15. "Atlas Air"

Bis 2
16. "Karmacoma"

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