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Martha Wainwright br I Know You re Married But...

Diego Fernandes |

Por Diego Fernandes

O primeiro disco da cantora canadense Martha Wainwright (auto-intitulado, de 2005) é justamente considerado um pequeno clássico moderno. Sua canção mais incrível, a profana "Bloody Mother Fucking Asshole" é o tipo de coisa do qual lendas são feitas: uma reprimenda sublime e brutal contra o poder patriarcal (Martha é filha do gênio folk Loudon Wainwright III ¿ a quem parece atribuir péssimos dotes como pai ¿, e irmã do histriônico Rufus Wainwright) e/ou uma devastadora carta de intenções para um ex-amante, é o tipo de música com vigor suficiente para fazer qualquer homem algum dia acusado de infantilidade e egoísmo ouvir cada palavra sentindo algo atroz, indeciso entre chorar ou tentar inutilmente se defender. "Oh, eu gostaria de ter nascido homem / Para aprender a ficar de pé por conta própria", diz, naquela que é uma das melhores canções desses anos 2000.

Seu recém-lançado segundo trabalho, I Know You're Married But I've Got Feelings Too , não parece forjado em sangue e víceras como a estréia. As letras de Wainwright continuam sendo uma revelação constante - uma mistura potente de intelecto, sarcasmo e exuberância feminina -, mas o disco começa no pé errado. As três primeiras músicas contam com adornos eletrônicos que diluem a força dos arranjos ásperos e da voz diabólica de Martha (sendo "Jesus And Mary", descontada a letra, uma possível tangente country do Garbage). Começasse a partir da quarta faixa, "Comin' Tonight", seria um disco quase irretocável, mas a abertura morna compromete.

Dentre as canções da leva, a peça central é sem dúvida "In The Middle Of The Night", um assombroso inventário de perdas uivado em completa entrega. Há também a fantasmagórica "Jimi", onde declara "E leva tanto tempo / E não leva a nada / E algumas pessoas perguntam / Por que não consigo lembrar do passado". Merece menção também a bela reinvenção de "See Emily Play", do disco de estréia do Pink Floyd.

Produzido em parte pelo marido da cantora, Brad Albetta, e com participações de Garth Hudson (The Band) e Pete Townshed (The Who), trata-se de um ótimo disco - prejudicado apenas sobretudo pelos parâmetros estelares criados por seu trabalho de estréia. Mas, Martha: esperaremos pelo próximo.

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