Maria Alcina volta com confete e serpentina

Cantora acaba de colocar nas lojas seu novo álbum, Maria Alcina, Confete e Serpentina

Carlos Augusto Gomes |

Em 1972, a cantora Maria Alcina conquistou o primeiro lugar do Festival Internacional da Canção com sua antológica interpretação de "Fio Maravilha", de Jorge Ben. Naquele momento, a mineira de Cataguases conquistou o Brasil com sua voz, grave e forte, e com sua presença, alegre e contagiante. Logo em seguida, lançou dois álbuns de sucesso. Sua carreira foi então interrompida pela ditadura militar.

A imagem extravagante e as canções cheias de letras de duplo sentido lhe valeram um processo por "comportamento subversivo", e ela foi afastada das televisões, rádios e estúdios. Nas décadas seguintes, gravou pouco - um álbum em 1979, outro em 1985 e mais um em 1992. O cenário só começou a mudar há pouco mais de cinco anos, quando ela começou a trabalhar com Maurício Bussab, do grupo eletrônico Bojo.

Alcina surpreendeu ao abraçar a eletrônica no disco Agora , gravado com o Bojo e lançado em 2003. "Combina com minha voz e combina comigo", explica a cantora, em entrevista por telefone. A música eletrônica também está presente no novo trabalho da artista, Confete e Serpentina . O álbum traz onze faixas e acaba de chegar às lojas.

Ou melhor: o CD físico acaba de chegar às lojas. Em formato digital, o disco estava disponível desde a metade do ano passado. "Eu não domino nada de internet. Mas sei o que acontece", brinca Alcina. "O disco nem havia saído, mas as pessoas já conheciam. É um veículo importante para ouvir música".

O álbum tem composições de autores ligados ao universo indie, como Wado e Ronei Jorge. "Quem me apresentou a esse pessoal foi o Mauricio Bussab", explica a cantora, referindo-se ao líder do Bojo e também produtor do disco. De Ronei Jorge, ela canta a faixa "O Drama". De Wado, a escolhida foi "Não Pára".

"Não Pára", por sinal, deveria ter entrado num álbum do Bojo, assim como "Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua", clássico de 1972 de Sérgio Sampaio que Alcina já costuma interpretar em seus shows. Acabaram em Confete e Serpentina . "O disco demorou uns dois anos para ficar pronto. Gravamos, paramos, voltamos a gravar. Foi melhor assim. Fizemos com calma, sem correr", explica.

Também não houve nenhum conceito por trás do álbum. "Não teve aquela coisa de 'vamos fazer assim ou vamos fazer assado'. Tudo saiu muito naturalmente", conta. Apesar do nome Confete e Serpentina , não é um trabalho carnavalesco. "O título está mais ligado ao meu universo musical. E à minha personalidade", diz, aos risos.

O álbum termina com a faixa "Maria Alcina, Confete e Serpentina". Ela foi composta especialmente para a cantora por Adalberto Rabelo Filho, do grupo paulistano Numismata. "Ele também faz parte da minha turma. Um dos grandes prazeres da música é esse, estar cercado de pessoas como ele", elogia.

O show de lançamento do novo álbum acontece no final de março, no Sesc Pompeia, em São Paulo. Além das faixas de Confete e Serpentina , a apresentação deve ter um bloco em homenagem a Carmen Miranda, talvez a principal influência de Maria Alcina. Se estivesse viva, ela completaria cem anos em 2009.

O roteiro, no entanto, só será fechado após o Carnaval. Que, por sinal, será bem agitado para Alcina. "Amanhã vou para o Acre. Depois, canto em Catanduva e Campinas. Termino o Carnaval no Bexiga, em São Paulo", diz. Confete e serpentina, como se vê, não vão faltar.

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