Maquinaria Rock Fest agita São Paulo com retorno do Biohazard

Redação iG Música |

Um galpão limpo e devidamente iluminado, com dois palcos e cinco telões que permitiam que de qualquer lugar fosse possível saber o que estava acontecendo. Foi com essa estrutura e uma grade de programação praticamente britânica que os fãs de heavy metal, hardcore e punk rock curtiram as 11 horas de música do festival Maquinaria Rock Fest no Espaço das Américas, em São Paulo.

Em ambos os palcos um painéis eletrônicos mostravam os nomes e logos das bandas que estavam tocando, o que impossibilitava que os desavisados perguntassem para a pessoa ao lado "qual banda é essa?". A grande dúvida por conta do público era a ordem dos grupos, visto que nem o site oficial do evento divulgou a programação. Por conta disso, toda vez que puxávamos o release do evento gente aparecia para perguntar quando o Biohazard iria tocar.

Na platéia o que mais se via eram fãs da banda Suicidal Tendencies, devidamente paramentados com camisas xadrez e bandanas azuis, características do vocalista Mike Muir, assim como fãs do Misfits, usando camisetas com o logo do grupo, a caveira Crimson Ghost.

Uma boa surpresa também foi o número de mulheres no evento, que apesar de inferior ao de homens, era bem maior que o de costume em festivais desse tipo.

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Korzus

A primeira banda a subir no palco principal foi o Korzuz, grupo de trash metal de São Paulo que dedicou seu show ao guitarrista Wander Taffo, morto no último dia 14

Enquanto os mais aficcionados pelo som do grupo se amontoavam no gargarejo, grande parte do Espaço das Américas permanecia vazio, ocupado por pequenos grupos de pessoas sentadas no chão.

"Sem violência", disse o vocalista Marcello Pompeu logo que pediu para que a platéia se dividisse em dois blocos e, durante a próxima música, trocassem de lado, criando assim o primeiro moshpit da noite. Infelizmente foram poucos os que aderiram a proposta, muito provavelmente se poupando para a maratona de shows que havia apenas começado.

Ao final da apresentação, que parecia contagiar apenas parte do público, o Korzuz levantou a platéia assim que começou a disparar seus sucessos dos anos 90.

Ratos de Porão

O Ratos de Porão deixou de ser uma bande de punk/hardcore do underground paulista para cair no gosto do grande público, tornando-se uma instituição pop - sem perder o peso, é claro. Isso era perceptível pela animação dos presentes durante a passagem de som relâmpago da banda.

Assim que João Gordo surgiu no palco principal todos que estavam dispersos pelo Espaço das Américas correram para ver o grupo de perto, cantando em peso os versos de suas músicas politizadas, que falavam desde o fim da amazônia até das mazelas do congresso nacional.

"Estou tiozinho... sem fôlego", disse o vocalista logo nas primeiras canções, cansaço que se refletiu em algumas pausas breves durante a apresentação. Mas isso não impediu que o show do Ratos de Porão pegasse fogo graças as músicas de seus primórdios, que trazem uma sonoridade mais punk, como "Beber Até Morrer" e "Sofrer".

Para uma banda que estava há oito meses parada, como confidenciou João Gordo, o ratos cumpriu sua missão fazendo um show rápido e pesado.

Misfits

A toque de caixa. Foi assim que o Misfits conduziu sua apresentação no Maquinaria Rock Fest.

Com músicas naturalmente curtas, que duram entre um e dois minutos, a banda de punk rock fez sem dúvida o show com mais canções tocadas em todo o evento.

Como já foi dito antes, muitos fãs com camisetas do grupo circulavam pelo Espaço das Américas e se surpreenderam com a chegada do Misfits, que subiu ao palco principal às 19h30 - muitos comentavam que esperavam assistir a banda mais no final do evento.

Mesmo assim, a matinê comandada pelo baixista Jerry Only atraiu uma multidão ao tocar clássicos da era Danzig como "Die Die May Darling" e "Skulls", que foram cantadas por grande parte da platéia e também encerraram a apresentação.

Sepultura

Quando o palco principal ficou totalmente vermelho e o "S" espinhento surgiu no telão os fãs do Sepultura correram para ver a banda de metal mineira.

Mesmo sem a presença do baterista Igor Cavalera, o grupo não perdeu seu brilho, disparando logo de cara o sucesso da era Max "Refuse/Resist". Mas se enganou quem pensou que o Sepultura se apoiaria em antigos sucessos para cativar a platéia. A banda não se acanhou e logo depois apresentou diversas faixas de seus álbuns mais recentes, já com Derrick Green nos vocais.

Até uma música inédita, que de acordo com o guitarrista Andreas Kisser estará no próximo trabalho do grupo, foi apresentada aos fãs que compareceram ao evento. "Ela ainda não tem nome, então vai chamar 'Pra Vocês'", disse o músico.

Comprovando que ainda é a banda mais importante de heavy metal nacional, o Sepultura encerrou uma apresentação dominada por canções recentes com poucos clássicos, entre eles "Territory" e "Roots Bloody Roots". Pela reação da platéia, o novo baterista Jean Dolabella foi aprovado naquele que foi apenas seu segundo show com a banda.

Tristania

Quebrando com a programação do Maquinaria, que apontava o Tristania como última banda da noite, o grupo norueguês subiu não no palco principal, mas no secundário, onde deveria entrar o Matanza.

Mesmo optando por uma entrada regada a guitarras pesadas e o vocal gutural do guitarrista Anders Hovvick, a banda logo inicou uma sequência de melodias calmas se comparadas com as dos shows anteriores.

A partir desse ponto ficou visível a divisão do público daquele que seria o show mais distoante da noite. Enquanto os fãs da banda gótica se amontoavam na frente do palco, os demais metaleiros se dispersaram pelo Espaço das Américas, preferindo ir ao banheiro ou pegar uma bebida ao invés de prestar atenção no dueto de vozes do vocalista Osten Bergov com a cantora Mary Dermutas.

Apesar da recepção fria pela maior parte do público, o Tristania deu claramente tudo de si para para satisfazer os góticos que compareceram ao evento.

Suicidal Tendencies

Em contraste com o show do Tristania, o Suicidal Tendencies levou praticamente todo mundo ao palco principal assim que disparou seus primeiros acordes.

Vestindo a já comentada bandana azul com detalhes em branco, o vocalista Mike Muir não parou de correr pelo palco durante toda a apresentação, mostrando que a banda não perdeu nada de sua energia em 26 anos de carreira.

Enquanto outros grupos "organizaram" moshpits explicando para a platéia como é e o que fazer, o Suicidal Tendencies só precisou apresentar seus hits para que diversas rodinhas surgissem.

O apreço do público ficava claro assim que a banda deixava um espaço de silêncio entre uma música e outra. Espaço esse preenchido pelo coro que repetia o nome do grupo ou suas iniciais.

De todos os presentes, o mais sortudo foi um garoto de moicano que subiu ao palco com seu skate assim que o vocalista perguntou se não haviam skatistas na casa.

Supreendendo os presentes, que viram até então as bandas encerrarem seus shows e saírem de cena, o Suicidal Tendencies quebrou a regra e foi a primeira na noite a voltar para um bis, onde Mike Muir aproveitou para descer do palco e esticar o microfone para os fãs cantarem.

Biohazard

Foi sem grande estardalhaço que os membros do Biohazard subiram no palco principal do Maquinaria Rock Fest. O público, até então espalhado pelo Espaço das Américas, correu para presenciar o momento histórico que marcava o retorno dos integrantes originais da banda que mistura heavy metal, hardcore e elementos de hip hop.

Contrariando os demais shows da noite, a iluminação do Biohazard foi a mais simples possível, com holofotes brancos praticamente estáticos na maior parte do tempo, dando a impressão de que o grupo tocava num galpão abandonado do Brooklyn, bairro de Nova York onde a banda surgiu.

Mostrando que havia aprendido a falar português, o guitarrista e vocalista Billy Graziadei soltou diversas frases e expressões brasileiras como "é nóis" e "façam barulho", não sem deixar de lado alguns palavrões característicos do país.

O baixista e também vocalista Evan Seinfeld confidenciou que a banda completava no domingo 21 anos de carreira, e pediu a todos que pulassem durante as músicas, assim como insistiu diversas vezes para que o público fizesse a maior roda de moshpit já feita no Brasil.

Além dos sucessos do grupo, o Biohazard tocou uma cover do Bad Religion e, assim como o Suicidal Tendencies, voltou para o bis, onde Billy Graziadei se atirou na platéia com guitarra e tudo, e de lá só saiu depois de tocar diversos acordes no meio dos fãs.

Palco 2

As primeiras bandas a tocar no palco secundário do Maquinaria Rock Fest foram as paulistanas Child of Flames e Threat , passando por um rito de passagem obrigatório para grupos iniciantes, que é o de tentar capturar a atenção de uma platéia formada por fãs de bandas mais conhecidas.

Na busca de cativar o público o vocalista do Threat, por exemplo, jogou adesivos e até um CD da banda, que infelizmente atingiu um segurança. No mais, ambas as bandas fizeram shows bons e que agradaram aqueles que queriam ouvir um som pesado sem se importar se o grupo no palco era conhecido ou não.

A grande surpresa do palco dois foi sem dúvida o Motorocker , que pode ser definido como um AC/DC que ao invés de surgir na Austrália apareceu no interior do Brasil. O show teve um público reduzido, muito por conta da proposta caipira da banda, que chegou a tocar uma música do violonista Tião Carreiro em sua apresentação.

Apesar do bom-humor, o Motorocker teve de aceitar que havia mais gente concentrada na passagem de som do Misfits, no palco principal, do que em seu show.

A quarta banda a aparecer no palco secundário foi a Embrioma . Mesmo com um som pesado, o grupo teve de conviver com a sina das bandas menos conhecidas, que é tentar capturar um público preocupado em descansar para o próximo show grande.

Os cariocas do Sayowa também mudaram um pouco a cara do festival com seus quatro tambores e uma cover de Chico Science, mas tiveram que se contentar com um show de público restrito, tendo em vista que entraram depois do Suicidal Tendencies e antes do Biohazard. Nesse momento da noite o número de pessoas deitadas ou sentadas no chão do Espaço das Américas era equivalente aos que estavam em pé.

Os equatorianos do Muscaria foram os últimos a subir no palco secundário. Apesar da simpatia e dos diálogos em "portunhol", o trio não conseguiu segurar a multidão que deixava o Espaço das Américas após o show do Biohazard.

No final do evento o Matanza , que teria de se apresentar no palco secundário, acabou tocando no palco principal com a certeza de que quem ainda estava por lá queria e muito assistí-los.

"O Matanza faz parte de um clube e vocês, que ficaram aqui até agora só para nos assistir, também fazem parte desse clube de cafajestes", disse o vocalista Jimmy, o irado, afirmando que o grupo teve de trocar de horário com a banda "Tristona".

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