Manu Santos: a mais nova integrante da ala "feliz" da MPB

Cantora lança “Nossa Alegria”, seguindo os passos de Vanessa da Matta, Emanuelle Araújo e Roberta Sá

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Junte o sorriso simples de Roberta Sá , o despojamento visual de Emanuelle Araújo e todas as suas miçangas penduradas no pescoço, as flores que Vanessa da Matta não larga nunca e, veja só, está lá uma nova cantora para a ala doce da música popular brasileira.

Manu Santos é a mais nova integrante do grupo de vozes femininas da MPB que segue uma linha riponga no sentido mais “livre” da expressão. Pés no chão (ou na areia do mar), saião esvoaçante, sorriso mantido no rosto.

A felicidade despropositada fica nítida ao se ouvir seu CD de estreia, “Nossa alegria”. Em “Calma”, que abre o disco, é possível sentir Manu sorrindo enquanto canta os versos “Pra que sofrer/ pra que chorar... escorre no chão pra brotar”. O mesmo acontece com  a animadinha “Domingo é dia”. “A morena vai namorar/ beijar na boca / depois que faz unha, sinhá/ não lava louça”. Esta temática meio moleca, meio interiorana dá o tom do seu trabalho.

No repertório ha algumas canções bem conhecidas como “Lua de São Jorge” (de Caetano Veloso), “Lugar comum” (parceria de João Donado com Gilberto Gil) e da já exaustiva “Deixa eu dizer” (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro), que não faria falta se estivesse ficado de fora. Um momento de destaque está em “Un Vestido y un Amor” (de Fito Paez), justamente a que Manu mais segura o riso na voz. Ela logo vai perceber que não é preciso sorrir o tempo todo para conquistar a simpatia de quem a ouve pela primeira vez.

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Manu Santos, 26 anos

Músicas “bem resolvidas”

Toda esta alegria efusiva que compõe o primeiro CD da cantora pode ter duas razões. A primeira e mais óbvia é a de que fica difícil ir contra esta característica risonha (veja outras características abaixo) que ronda a geração feminina da atual MPB. A segunda, para quem conhece sua trajetória, é que esta alegria tem mais a ver com seu estado de espírito. Aos 26 anos, Manu já percorre uma estrada há tempos, se apresentando em lonas culturais no subúrbio carioca e, claro, no bairro da Lapa, onde venceu em 2007 um festival de novos talentos, empatando com Aline Calixto (do mesmo estilo musical). Chegar neste primeiro degrau, o lançamento do CD, merece um sorriso bem dado.

“Minhas músicas são para cima, porque sinto uma necessidade de suavizar nossas vidas. Anda tudo tão corrido, tão triste. A galera anda puxando as letras para este caráter de namoro, de tristeza sem fim... Isso de ficar triste para sempre não rola comigo. Não precisa ficar neste estado. Vamos ser feliz? Minhas músicas são bem resolvidas”, define ela ao iG .

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Amo praia. Sou brejeira mesmo
Só na castanhola

Manu não gosta de tocar violão em público. No palco, arrisca um tamborim, pandeiro ou castanhola. Há dez anos se apresenta de forma independente. “Adoro Roberta Sá, Vanessa da Matta... O que me diferencia delas, entretanto, é que são muito mais audaciosas. Me acho mais regional, fico no violão, ainda que tenha agregado bateria no CD. O que quero é fazer as pessoas voltarem a 1920, viajar no tempo, mostrar o prazer pela simplicidade”, diz.

Ela gosta do rótulo de riponga. Isso definitivamente não a chateia. “Me identifico com este estilo brejeiro, porque adoro praia. Se não fosse cantora, seria oceanógrafa”, conta. E para onde caminha esta geração da qual Manu faz parte? Caminha em direção ao mar, ao final de uma tarde ensolarada, indo chutar a areia entre rodopios de alegria. A brejeirice juvenil que refresca a MPB mostra que está em plena ascensão, suportando novas e aguerridas adeptas.

Relembre outras cantoras de estilo despojado da atual safra da MPB:

O que uma cantora "brejeira" deve apresentar:

• Ter voz doce
• Se apresentar no bairro da Lapa, zona boêmia do Rio, ou em palcos alternativos. Pelo menos no começo da carreira
• Fazer música para algum santo, homenagem ao mar ou à natureza
• Se souber compor, melhor ainda
• Tocar violão, um pandeiro... qualquer instrumento
• Estar sempre sorrindo
• Ter aspecto delicado, ser bem feminina
• Usar algum amuleto
• Não abusar na maquiagem, com exceção do batom vermelho
• Gostar de bijuterias como miçangas, anéis e cordões coloridos
• Ter cabelão e não saber domá-lo
• Usar roupas largas, de preferência com estampas floridas
• Fazer fotos descalça ou, no máximo, com sandália rasteira
• Ter a areia da praia como locação para capa de CD
• Priorizar as pernas de fora do que os decotões

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CD de estreia: "Nossa Alegria"

Serviço :

Lançamento do CD “Nossa Alegria”, de Manu Santos
Dia 11/8, às 12h
Livraria da Saraiva
Rua do Ouvidor, 98 – Centro, Rio de Janeiro. RJ
Tel. (21) 2507-9500

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