Mallu Magalhães volta "velha e louca" em novo disco, "Pitanga"

"Minha música e minha vida pessoal são a mesma coisa. Eu não vejo necessidade de separar", revela cantora

Augusto Gomes, iG São Paulo |

Augusto Gomes
Mallu Magalhães: "Agora a minha piração é ser cada vez mais quem eu sou"
Mallu Magalhães tem apenas 19 anos, mas já acha que está ficando velha. E também louca. Pelo menos é isso que ela canta em "Velha e Louca", primeira faixa de seu terceiro disco, "Pitanga". "Eu tô ficando velha / Eu tô ficando louca / Pode falar , não me importa", afirma a letra. "Essa música é como uma virada de página, que abre para uma coisa completamente nova e diferente dos outros dois discos", diz a cantora.

A novidade, segundo Mallu, é a entrega "convicta, forte e intensa" à música. "Antes desse eu só tive dois álbuns em que me envolvi muito pouco. Eu ia lá e cantava", explica. Agora, sua dedicação é total. Tanto que ela garante: "Minha música e minha vida pessoal são a mesma coisa. Eu não vejo necessidade de separar". Um dos resultados práticos dessa fusão é que "Pitanga" foi produzido por Marcelo Camelo, marido da cantora.

"O Marcelo sempre está do meu lado, me apoiando demais e dando a experiência que ele tem a meu favor", conta. Veja o que mais Mallu conta na entrevista abaixo:

iG: Seu novo disco abre com a música "Velha e Louca", que diz na letra "Eu tô ficando velha / Eu tô ficando louca / Pode falar , não me importa".
Mallu Magalhães:
Essa música foi uma decisão natural, assim como todas as decisões tomadas nesse disco e nessa fase da minha vida. A gente escolheu o repertório e, depois de gravado, reparou que era uma música muito forte, muito simbólica. E que tinha uma mensagem bem acessível e direta. Essa música é como uma virada de página, que abre para uma coisa completamente nova e diferente dos outros dois discos.

iG: O que você quis deixar para trás de seus trabalhos anteriores?
Mallu Magalhães:
Não quis necessariamente anular os dois primeiros discos. Para continuar na metáfora, virar a página não significa arrancar as páginas anteriores. Eu só quis partir para uma coisa nova.

iG: E você consegue definir o que é essa coisa nova?
Mallu Magalhães:
Eu consigo descrever com algumas palavras. Meu movimento como artista, nesse disco inclusive, é esse: primeiro eu faço, com muita dedicação e carinho, e depois eu verbalizo. Esse disco é fruto de um movimento na minha vida pessoal e profissional: a decisão convicta, forte, intensa e apaixonada pela música. Minha música e minha vida pessoal são a mesma coisa. Eu não vejo necessidade de separar.

iG: Antes você separava?
Mallu Magalhães: 
Agora a minha piração de vida e de profissão é ser cada vez mais quem eu sou. É meu divertimento, meu joguinho.

iG: Você não tem medo de se expor demais ao fazer isso?
Mallu Magalhães:
Pelo contrário. Eu nunca me senti tão preservada. Eu me expus tanto, me abri tanto, tenho tanta convicção que fiz o meu melhor e que sou verdadeira, que isso me dá uma paz que eu nunca teria adquirido se eu não tivesse me aberto tanto.

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Mallu Magalhães
iG: E isso foi uma decisão consciente ou aconteceu naturalmente?
Mallu Magalhães:
Acho que é a segunda opção. Eu não tenho muito essa coisa de decisão consciente. Eu reservo as decisões conscientes para as coisas práticas: pagar contas, ir à feira. Mas quando se trata da minha música, eu procuro ao máximo desobstruir minha percepção de qualquer poeira ou filtro. É o momento em que você visita seu mundo interior e se depara com uma dimensão maior. E depois você pode falar: 'caramba, estou fazendo assim'. Mas eu nunca pensei 'vou fazer um disco mais íntimo'. Não, eu comecei a fazer e depois fui vendo que estava íntimo. E, como estava gostando, continuei.

iG: Quando você começou a trabalhar nesse terceiro disco?
Mallu Magalhães:
As músicas foram compostas da gravação do segundo álbum até praticamente a gravação do terceiro. "In the Morning", por exemplo, foi feita já no estúdio, enquanto eu esperava voltar uma fita. Eu estava sentada no piano e comecei a fazer uma música. Achamos bonita, gravamos e acabou entrando.

iG: Você lembra qual música apareceu primeiro?
Mallu Magalhães:
A mais antiga foi "Sambinha Bom". Essa eu já estou cantando em shows há um tempo. Tocar músicas que fiz aqueles dias é uma coisa que faço com naturalidade nos shows. Porque me sobra muita música. No disco entraram doze, mas selecionamos de quase 50 músicas. Eu até ofereço música para algumas pessoas que eventualmente vêm me pedir. Aí uma das coisas que eu faço é tocar em show, porque realmente eu não vou gravar aquela música. Não dá tempo, já estou compondo outras.

iG: Você não resgatou nenhuma composição antiga que não tinha gravado nesse disco?
Mallu Magalhães:
Geralmente as músicas antigas não casam com as novas. Nunca me ocorreu. E também eu tenho muito pouco tempo de carreira para pensar nisso. Antes desse eu só tive dois álbuns em que me envolvi muito pouco. Eu ia lá e cantava. Eu tinha uma entrega no momento da composição, mas depois eu não tinha. Não tinha uma relação com a minha carreira, com os meus arranjos. Era um pouco distante.

Augusto Gomes
Mallu Magalhães: "Hoje eu sou uma mulher, sou uma adulta"
iG: E agora, como é?
Mallu Magalhães:
Agora é uma atenção extrema com detalhes, quase doentia. Antes não. Eu tinha aquele momento da composição, mas tinha outras coisas que preenchiam a minha cabeça. Eu tinha escola, por exemplo. Eu era muito novinha e tinha questionamentos de uma pessoa novinha. Hoje eu sou uma mulher, sou uma adulta. Em formação, mas já posso me nomear uma mulher.

iG: Mas você ainda é bem nova, tem só 19 anos. Mas já está no terceiro disco. Você acha que começar tão cedo provocou um amadurecimento artístico mais rápido?
Mallu Magalhães:
Artístico não. Talvez profissional. Uma pessoa pode ser muito madura artisticamente mas profissionalmente não. Como comecei cedo, essa parte de lidar com problemas de palco, questões financeiras, entrevistas... Em todas essas coisas eu já estou formada.

iG: Esse aprendizado foi difícil para você?
Mallu Magalhães:
Foi difícil como seria para qualquer pessoa. Se eu começasse com 40 anos, também iria sofrer em algum momento.

iG: O disco foi produzido pelo Marcelo Camelo. Para muita gente, essa parceria musical pode parecer natural, afinal ele é seu marido. Foi natural mesmo?
Mallu Magalhães:
Para a gente é muito natural conversar sobre música. Desde as questões práticas da profissão até questões existenciais, a gente fala sobre isso o dia inteiro. O Marcelo viu as músicas surgirem, ele sabe o que está dentro de mim, ele é um músico extremamente talentoso e experiente. E ele estava com tempo e estava com vontade também. Então a ideia surgiu desse conjunto de fatores muito natural.

iG: Você já está planejando uma turnê deste novo disco?
Mallu Magalhães:
Já fizemos dois ensaios. Estamos com uma formação enxuta, justamente para viabilizar mais shows. Dessa vez, eu resolvi que eu quero fazer muitos shows. Eu criei em mim essa vontade que eu não tinha. Eu quero mostrar o meu disco, do melhor jeito possível e para a maior quantidade de pessoas possível. Por isso estou me esforçando muito para fazer um show barato. Eventualmente, temos que rearranjar algumas músicas, porque elas têm muitos detalhes.

iG: O formato enxuto, no caso, é bateria, baixo e guitarra?
Mallu Magalhães:
E eu. E talvez mais um multi-instrumentista tocando trompete. Vamos ver como vai ficar. Estamos muito no começo ainda.

iG: O Marcelo Camelo está participando desses ensaios?
Mallu Magalhães:
Ele está me ajudando a rearranjar as músicas. Ele sempre está do meu lado, me apoiando demais e dando a experiência que ele tem a meu favor. Por enquanto ele também está tocando bateria na minha banda, enquanto não achamos um baterista.

iG: Existe alguma chance de ele ser o baterista da turnê?
Mallu Magalhães:
Não dá não! Ele tem a turnê dele...

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