Magos da guitarra emocionam em documentário

Filme reúne Jimmy Page (Led Zeppelin), The Edge (U2) e Jack White

The New York Times |

O filme It Might Get Loud (no Brasil, "A Todo Volume", com estreia prevista para o dia 06 de novembro) é um documentário sobre meninos e seus brinquedos, sobre homens e suas guitarras - que ajudaram a impulsioná-los para o estrelato.

A força do filme dirigido por Davis Guggenheim é o retrato em miniatura de Jimmy Page (Led Zeppelin), The Edge (U2) e Jack White (White Stripes). Ao acompanhar os artistas pela Inglaterra, Irlanda e América do Sul, Guggenheim (diretor de Uma Verdade Inconveniente) mostra cenas verdadeiramente reveladoras, capturando alguns momentos de inspiração destes indivíduos em seus próprios espaços.

Mas, quando o diretor reúne suas três fontes de inspiração em um palco de Hollywood para tocarem juntos, contarem suas histórias e nos emocionarem com suas guitarras, o documentário perde a graça diante do pretexto forçado e da disparidade entre eles.

A intenção do filme é explorar a relação única entre os célebres guitarristas e seus instrumentos: guitarras acústicas e elétricas, pedaleiras, sistemas de amplificação modificada. Como um escritor e sua caneta, um músico desenvolve um vínculo absolutamente singular com sua guitarra - e vendo desta perspectiva, a seleção de cada um dos três astros é magistral.

Jack White: o guitarrista enigmático e profundo, misterioso e peculiar

Page é a lenda viva do classic rock, que por décadas vem influenciando guitarristas com os efeitos wah-wah de sua Fender Strat. The Edge, nascido David Evans, é um louco da estilística, e sua variedade inebriante de pedaleiras acabou definindo e estética influente do U2. Ingênuo e básico, e sempre formando novas bandas, White traz a influência do blues e é conhecido por sua afinidade com guitarras vintage - antigas e baratas.

Choque de personalidades

A seleção de elenco do documentário se torna um pouco estranha quando a personalidade dos guitarristas éabordada. É certo que eles são pessoas bem diferentes: educados em gerações diferentes e sob diferentes influências. Mas, às vezes eles mostram ter personalidades tão distintas que é difícil manter o interesse em algum deles.

Em uma descrição básica, Page é o maduro e afável, que nos prende a atenção com suas histórias transcendentais ¿ contadas enquanto ele caminha por Headley Grange (antigo abrigo de pessoas carentes onde Stairway to Heaven foi composta).

Page e Edge: encontro peca por falta de uma direção de verdade

White é o enigmático e profundo, misterioso e peculiar, simples e complexo, ao ocupar uma casa abandonada no interior do Tennessee e escrever uma canção ao vivo - de frente para as câmeras.

E tem também The Edge, o quieto e introvertido, o lado yin em comparação a seu companheiro de banda, o extrovertido Bono, que é a própria personificação do yang. Embora tenha sido fascinante ver The Edge vasculhar antigas demos, gravadas nos anos 80, ele não deixa de ser bastante calado.

Ele aparece nos primeiros estágios da finalização de seu loop inimitável em Get on Your Boots, single que liderou a divulgação do último álbum do U2, No Line on the Horizon. Ao falar, porém, ele não é tão direto como Page ou White, o que faz dele o mais difícil, e menos interessante, dentre os três.

Apesar disso, as tomadas de The Edge em seu estúdio de Dublin são mais importantes para o sucesso do filme do que o que deveria ser seu clímax: a jam session compartilhada pelos três guitarristas. A pretensa película épica perde muito por falta de uma direção de verdade. Os artistas ficam andando em círculos, falando sobre suas músicas e tocando um monte de canções conhecidas, enquanto convidam seus companheiros para fazer parte da jornada.

E, mesmo que para roqueiros fanáticos isso possa parecer uma verdadeira fantasia, falta tensão dramática ou iluminação cinemática nas cenas. Tudo parece acontecer e acabar de repente, quando a jam session dos três magos do rock vai se apagando aos poucos - como em um efeito de fade-out - deixando poucos vestígios das intenções iniciais dos cineastas.

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