Por Diego Fernandes

Macaco Bong é um power trio a respeito do qual vale ressaltar o aspecto power. Pode-se dizer que é o tipo de banda que agrada a fãs de música virtuosa e cerebral (de Rush a Helmet a Weather Report), mas também que lembra o instrumental arrojado de bandas americanas menos conhecidas (Don Caballero, The Fucking Champs, Pelican) embaralhando fora de ordem elementos de jazz fusion, hard rock, progressivo e música incidental. O resultado é uma sonoridade mais acessível do que seria de se supor - pesada, propulsiva e em constante mutação, bem mais afeita ao ritmo do que à melodia. Seu primeiro disco, Artista Igual Pedreiro , está disponível para download gratuito no site da gravadora Trama, numa iniciativa pioneira no Brasil.

Trata-se de um trabalho de construção engenhosa, e surpreende pela estética perfeitamente formada (afinal, é o primeiro registro de longa duração da banda). Com uma reputação de shows destruidores, os três rapazes de Cuiabá conceberam algo que difere de quase tudo criado no cenário nacional atualmente (até mesmo de outras bandas de rock instrumental, como Pata de Elefante, Músicas Intermináveis Para Viagem e Fóssil), e só por isso já mereceria menção.

Cria do Espaço Cubo, famoso por agitar a fértil cena da capital mato-grossense, a Macaco Bong parece ter uma vaga proposta conceitual ancorando suas longas composições ("Fuck You, Lady" ultrapassa os oito minutos de duração), embora seja um pouco difícil dizer exatamente qual, levando em conta títulos tão diversos quanto "Amendoim" e "Compasso em ferrovia". O que não deve ser empecilho para apreciar dez belos exemplos de técnica a serviço da fúria, onde o baterista Ynaiã Benthroldo é um verdadeiro espetáculo à parte.

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