Lobão: a ovelha negra da música brasileira

Leia entrevista com o cantor de 53 anos que repassa a vida e a obra em autobiografia

Pedro Alexandre Sanches, repórter especial iG Cultura | 11/02/2011 11:45

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Foto: AE

O cantor Lobão

Lobāo volta a gravar numa multinacional depois de 12 anos. Vende 23 mil discos, pior vendagem da história de um “Acústico MTV” (2007). Lobāo acaba de lançar a autobiografia “50 Anos a Mil” em parceria com o jornalista Claudio Tognolli. O livro sobe para a lista dos mais vendidos, segue para reimpressāo antes de um mês, passa de 30 mil exemplares em menos de três meses. Ambidestro, nem de esquerda nem de direita, nem rock nem MPB, Lobāo é a bipolaridade entre o sucesso e o fracasso.

Nos anos 70, participou de banda de rock progressivo, Vímana, com Lulu Santos e Ritchie. Nos 80, virou líder de uma geraçāo que nāo era a dele - e que criou todo um novo mercado de música jovem no Brasil, com artistas como Blitz, Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Titãs, Kid Abelha, RPM, Ira! e outros. Inseriu-se na grande indústria musical pela porta da frente - primeiro como integrante da Blitz, depois solo, em hits de rádio como “Me Chama” e “Corações Psicodélicos” (1984), “Decadence Avec Elegance” (1985), “O Rock Errou” (1986), “Vida Bandida” e “Rádio Blá” (1987). Virou presidiário após condenação por porte de maconha, haxixe e cocaína, ficou paranoico com um artista (Herbert Vianna) que acreditava persegui-lo passo por passo.

A fama de briguento se amplificou após o período na prisão, deteriorando também suas relações com a indústria fonográfica. Nos 90, saiu do círculo das gravadoras pela porta de trás e fez a última de três tentativas de suicídio. Nos 2000, recriou-se, moldou a imagem de "herói independente" sempre ávido para criticar seus colegas de profissão, lançou CDs em bancas de jornal, virou guerrilheiro contra as gravadoras, avançou no jornalismo como editor da revista musical “Outracoisa” e como apresentador da MTV - da qual está fora desde o final do ano passado.

Há três anos, o carioca Joāo Luiz Woerdenbag Filho, 53 anos, mora em Sāo Paulo com Regina, sua mulher desde 1991. Casaram-se de terno, véu e grinalda, por sinal, e a família Marinho, da Globo, compareceu em peso à cerimônia religiosa.

Sente-se um pouco culpado pelos suicídios de sua māe (em 1982) e de seu pai (em 2004) e por várias tentativas, inclusive a do ex-Mutante Arnaldo Baptista (em 1981). "Pô, Arnaldo é maluco, mas eu dei um empurrāozinho, né?", ri. Algoz do rock e da MPB, puxou briga com seus pares ao encampar, quase sozinho - a sambista Beth Carvalho foi parceira incansável -, a luta pela numeraçāo dos discos no Brasil, efetivada em 2002.

No percurso, virou ovelha negra da família MPB - mas nāo tanto da sua própria, aparentemente uma família só de ovelhas negras, em cuja genealogia cabe até o controverso político Carlos Lacerda (1914-1977)

Foto: Divulgação

A capa da autobiografia de Lobão

Em uma entrevista de ininterruptas cinco horas e meia, em sua casa no bairro do Sumarezinho, Lobão desfiou histórias de que nem o livro de 600 páginas conseguiu (ou quis) dar conta.

Entrevista com Lobão: segunda parte
Entrevista com Lobão: terceira parte
Entrevista com Lobão: quarta parte


iG: O livro é nitidamente dividido em duas partes muito diferentes.
Lobão: É, entre o público e o privado. Fiz de propósito, me detive muito na minha infância porque queria mostrar o contraste. As pessoas pensam: “Esse cara deve ter sido um marginaleco na infância”. Não, eu era o mais careta do mundo, careta convicto, que caguetava maconheiro, fazia coisas horrorosas.

iG: O pulo do menino careta para o “maconheiro” rebelde foi tão abrupto como parece no livro?
Lobão: Foi abrupto. Eu era o caçula do Vímana, eles me tratavam como garoto. Aí peguei pessoas também virgens de maconha, Claudio Nucci (futuro integrante do grupo emepebista Boca Livre), meu amigo de infância, uma turma de não-maconheiros. Ninguém sabia apertar, nem fumar.

iG: Você diz que Ivan Lins era seu ídolo na adolescência...
Lobão: É, com 12, 13 anos eu já tocava bateria direito, feito gente grande, tocava prelúdio de Villa-Lobos, Alvin Lee. Quase entrei nos Secos & Molhados quando tinha 14 anos! Minha mãe não deixou (risos). Eu morria de medo, também. Adorava a música com que o Ivan Lins estreou, “Agora”, ele foi no bojo de Tim Maia, Cassiano, começou soul music. Adoro o Ivan, ele é um amor de pessoa, mas, pô, não gosto daquilo, é o lado de arabesco harmônico da MPB que ainda tem de ser resolvido, se é jazz ou se não é.

iG: Você conta que assistia de graça ao Festival Internacional da Canção (FIC), da Globo.
Lobão: Eu estava lá. Era sensacional. Meu pai fazia coisa de táxi e a gente ganhava cadeira de pista do dr. Roberto Marinho, ao lado do júri. Como eu sabia a música do Ivan, sonhava: “Pô, [se] o baterista passa mal, eu falo ‘tô aqui!’”.

iG: Seu pai tinha uma frota de táxi?
Lobão: Minha mãe me dizia: “Joãozinho, a gente tem pistolão, você não precisa fazer concurso, é só entrar”. Ela queria todo mundo funcionário público, e meu pai entrou, com pistolão, na Assembleia Legislativa. Ficou lá como assessor de um deputado. Ficou deprimidíssimo, não rolou. Aí começou a querer fazer uma oficina, e alguém contratou ele para o frete de manutenção da primeira frota de Opalas. Continuou funcionário público, mas aquela coisa, ia lá, assinava o ponto, passava uma hora.

iG: O FIC foi sua porta de entrada para a música?
Lobão: Não, não. Aquilo me excitou, mas eu gostava era de rock’n’roll. Queria fazer uma banda, via o festival inteiro querendo ver se pintava alguma coisa esperta. Aí pintavam Mutantes, Jards Macalé, Raul Seixas. Talvez eu tenha pensado isso na minha cabeça: tinha a esquerda, tinha a direita e tinha o rock. O rock era a liberdade, o resto era prisão. Até hoje é isso para mim.

iG: Você diz que vivia em cima do muro. Por que desceu do lado do rock?
Lobão: Muito recentemente, percebi que até hoje reluto em tocar guitarra. Digo que sou baterista e toco violão clássico, nunca tinha entrado numa de cantar direito e tocar guitarra direito. É claro que, tocando guitarra, não tem nada de referencial brasileiro, então você soa rock. E as pessoas não conseguem admitir você no seio da família MPB com essa vestimenta. Não me considero um roqueiro puro. Sempre fico incomodado quando me chamam de roqueiro, porque também, como a palavra “direita”, já vem estigmatizada, te botam num gueto. O que não me dá o direito de ser MPB?.

iG: Os caras que desceram do muro para o lado do rock são os que vieram a fazer do rock a música do Brasil dos anos 80, não?
Lobão: Pois é. Foi uma coisa pensada, pelo menos por mim, por Lulu, Ritchie, Júlio Barroso (ex-líder da banda Gang 90 & Absudrdettes, pioneira da geração 80, morto em 1984), Bernardo Vilhena (coautor de sucessos de Lobão, como “Vida Bandida”, e de Ritchie, como “Menina Veneno”), que somos pessoas dos anos 70. Era aquele preciosismo de araque, a genealogia, procurar a linha evolutiva. Fomos fazer uma coisa simples, porque esse rococó é inócuo, cafona, culturalista. A nossa causa era derrotá-los, derrotar a MPB.

iG: Depois eles viraram MPB também - Lulu Santos, Herbert Vianna...
Lobão: Não, Herbert não está nessa! Eu não sou dessa geração, Legião Urbana é quase dez anos depois de mim! Eu realmente não admiro. Não concordo. O que determina os anos 80 é se permitir ser pop. A partir do momento em que se começa a copiar, começam os anos 80: Kid Abelha, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Engenheiros do Hawaii.

iG: Então você é um artista da geração 70?
Lobão: Sou. Sou intermediário. Fui gravar solo em 1982, mas gravava desde 1975 com o Vímana, sessões com Walter Franco. A Blitz vem um pouquinho depois da Gang 90 (grupo de seu amigo Júlio Barroso), e se tornou uma banda infanto-juvenil quando não era. Era pervertida. Foi higienizada quando assinaram contrato com a EMI. A visão da cultura brasileira é que rock é para criança, tem de ser i-no-fen-si-vo. Eu tinha feito um disco solo ao mesmo tempo, meus amigos participaram, deram dinheiro. Queriam que eu rasgasse, jogasse fora. Por que eu ia rasgar? Eu nunca ia ser artista solo, detestava, imagina ficar na frente, era baterista nato. Tá bom, eu rasgo se colocar umas quatro músicas minhas na Blitz. Aí o Evandro Mesquita: “Ah, não, eu sou compositor, são dez músicas, uma pra você, você é o George Harrison, eu sou o John Lennon”. Ah, não, cara, não dá.

iG: A Blitz, indiretamente, fez você virar um artista solo?
Lobão: Me obrigou, é. Não tinha mais volta. Mas fiquei completamente sem saber, parecia que eu tinha naufragado. Eu não estava apto, não sabia cantar, tocar guitarra. Passei muitos anos inadaptado. Entrei sem base nenhuma na minha carreira. E teve o episódio do Herbert Vianna, que foi o que mais perturbou a minha carreira. Podem dizer que sou maluco, que isso nunca aconteceu, mas que influenciou minha psique e minha vida, mesmo eu estando completamente equivocado, é um fato. Por 20 anos, senti aquela presença indevida e aviltante, onipresente.

iG: O que você sentiu quando a carreira dele foi truncada pelo acidente (em 2001)?
Lobão: Tem partes que eu tirei do livro, sabe? Achando que ele estava me copiando, eu abdicava das coisas para não ficar igual a ele. Faço “Cena de Cinema” (1982), ele faz “Cinema Mudo” (1983), com a voz igual à minha. Tive que trocar de voz. Não é um plágio, mas é o conceito. Faço “Me Chama” (1984), ele faz “Me Liga” (1984). Chamo Elza Soares, o cara chama Elza Soares. Vou fazer um disco de samba para fugir dele, eles vêm com “Alagados” (1986) e se tornam pioneiros! Pô, é para enlouquecer. E eu fugindo, pegando as minhas reservas.

Foto: AE Ampliar

O cantor Lobão em 1984

iG: Você ficava paranoico em relação a ele? As coisas podem estar no ar, e vários pegam ao mesmo tempo.
Lobão: Não, porque a gente sabia as fontes. A minha empresária, Leninha Brandão, tinha escritório ao lado do do empresário deles (José Fortes). Ele chegou no escritório, leu “Revanche” (1986) e disse: “Eureca! A favela é a nova senzala!”. Porra. Levo lata no Rock in Rio, tô tocando na Mangueira desde 1987 com Ivo Meirelles, meu parceiro. Dez anos depois, vem uma pessoa, que é a Fernanda Abreu, pega todo aquele conceito. Você vai checar: quem está produzindo e compondo todo o disco dela? É o cara.

Aí vem a parte que não contei. Vou fazer música eletrônica, vou fazer “Noite” (1998). Soube que eles iam fazer um disco de música eletrônica, era para “Hey Nana” (1998) ser eletrônico. Consegui botar a música “Me Beija” na rádio Cidade a duras penas. A gravadora (Virgin) estava puta comigo porque eu tinha recusado fazer Faustão, estava me dando a última chance. Então vamos fazer Canecão em dia pobre, terça-feira. Na véspera do show, a rádio Cidade anuncia show-surpresa dos Paralamas no Metropolitan! Ia ter matéria minha de uma página no “Jornal do Brasil”. Abro o jornal no dia seguinte e tem duas páginas sobre ensaio dos Paralamas! Quando chego no Canecão, estava às moscas. Falei: “Regina, é o fim. Acabou”. O disco foi pro vinagre.

Até esse momento, a Regina duvidava seriamente da minha sanidade mental em relação ao Herbert (risos). Fomos almoçar no dia seguinte, Herbert tá no rádio falando do sucesso do show deles: “Quero mandar um abraço para um grande ídolo meu, Lobão”. Comecei a ter tiques nervosos. Entramos no Fashion Mall, um restaurante vazio, está Herbert Vianna, com a mulher e os três filhos. Não, não é possível. Quando me levanto, sabe o que ele faz? Sai correndo, feito um camelô! Deixou a família. “Regina! Atrás dele!”

Durante todo esse período, eu tentei falar com ele, chamei para ser parceiro, telefonei: “Já que você fala que sou ídolo, por que a gente não faz parceria? A gente divide o royalty direito, você ganha 50, eu ganho 50, não é legal?”. Ele até ficou emocionado, chorou de um lado, eu chorei do outro. “Não posso agora, tô indo para Tóquio". Nunca mais ligou.

Aí Ivo Meirelles me chama para almoçar. Me dá esporro: “Pô, cara, você é uma língua solta mesmo, para de falar essas coisas do cara aí. Ele é poderoso, tem conexão, todas as rádios tão com o cara. Todos os jornais, todos os músicos do Brasil tão com o cara, só você que é um idiota. E tem uma coisa: eu tô com ele, porque ele tem mais talento que você". Ele tinha convidado o Ivo e o Funk’n Lata para tocar com ele no show! Comecei a espumar, né? Não aguento mais, tô enlouquecendo, fui fazer análise por causa disso. Tinha outros problemas, mas esse foi o mote, muito mais importante do que ter matado a minha mãe. O que mais me fez sofrer e ter ódio na vida foi isso. Passava o dia inteiro com ódio, meu coração doía, ficava exausto de tanto odiar.

iG: O que sentiu quando ele se acidentou?
Lobão: Fiquei com um sentimento horroroso, parecia que eu estava sendo enterrado vivo. Cara, e agora, como vai ficar minha história? O cara não pode mais se defender! Mas sabe como fecha essa história? Ele se recupera, volta do coma, fala uma coisa em espanhol, outra em inglês, outra em português e imediatamente pede um violão. A primeira coisa que cantou? “Chove lá fora e aqui...” (de “Me Chama”)! O epílogo do epílogo foi que em 2005 nos encontramos no VMB (premiação da MTV). Ele foi um amor, meio que perdeu a pose, né? Me abraçou, fiquei emocionado, senti carinho por ele. Até fui a um show deles. Tentei me adestrar, porque era muito ódio acumulado. Não fico achando isso das pessoas, é uma coisa pontual. Quando fui escrever o livro, fiquei num dilema terrível, não queria falar mal dele, mas precisava contar minha história.

iG: Se você fizesse de conta que é o Herbert por três minutos, o que diria sobre o Lobão?
Lobão: É engraçado, porque eles nunca se defenderam peremptoriamente. Sempre foram irônicos, “tá dizendo que eu imito, mas adoro ele”, ou despotencializavam, “tá drogado”, “tá com inveja do nosso sucesso”. Ele devia ter muita raiva de mim, porque eu estava indo pro ataque. A parte que tenho mais ódio é que eu achava natural estar puto, e todo mundo ficou contra mim. Perdi todos os meus amigos. Marina Lima foi cantar música dele, e eu: “Não! você não pode cantar!”. Mas as desculpas não eram nunca que não havia cópia, mas pelo fato de eu estar reclamando de uma coisa que todo mundo fazia, porque rock no Brasil é cópia. Tinha essa. Todo mundo se dava o direito de copiar U2, Duran Duran, The Clash, tudo era igual. Começaram a copiar lá de fora e depois estavam me copiando. Que pena, teve um personagem que, queira ou não queira, dividiu a música brasileira.

iG: Do seu ponto de vista, o cara que dividiu foi ele. Para outros, deve ter sido você.
Lobão: Que dividiu, é um fato. O entrevero dividiu. Mas ele cooptou. Eu tentei cooptar, mas eu não estava com a razão, pelo visto. Eu ficava puto, ninguém nunca falou: “Cê tá maluco, ele não copia você, não. Não, copiar é do homem, ele está prestando uma homenagem a você”. E meus royalties? Cadê meus royalties?

iG: Ele tinha mais respaldo na indústria do que você?
Lobão: Institucionalizou jabás, de dar vinhos, passeio de asa-delta, cooptar a imprensa vizinha. Eu estava falando com João Gordo, e ele: “Não posso falar, porque ele me deu uma guitarra”. Tá tudo dominado. Tinha uma coisa ativa, que eu não fazia. Por isso a cizânia veio. Herbert começou a ser amigo de quem? Do Gil, virou parceiro do Gil. Aí é o conglomerado, vem Caetano, Hermano Vianna, a Conspiração (produtora de filmes), Asdrubal Trouxe o Trombone, Regina Casé, aquele núcleo que tá aí até hoje. Ninguém entra, ninguém sai. Você só é alguém se passa por ali. Aí o Gil vai para o Ministério da Cultura - e esse núcleo todo junto! É a raposa no galinheiro. Na campanha de 2002, falei com o Lula: “Lula, eles tão fodendo com a gente”. Paula Lavigne estava com Serra, estavam todos com Serra, inclusive o Gil. Na história da numeração, Gil era o cara que era o braço das gravadoras. E qual é a primeira coisa que o Lula faz? Chama o Gil! A lei contra o jabá acabou ali, Gil foi na “Folha” falar que “jabá é coisa nossa”.

iG: Qual é a sua impressão sobre Ana de Hollanda (ministra da Cultura)?
Lobão: Acho ela uma simpatia. Chico Buarque é um cara querido, sinto dor de falar mal dele. Do Gil sinto até um certo prazer, mas o Chico parece um cara inocente. Fico puto com o que tem ao redor dele, esse exagero, entro em crise. Mas ela parece ser uma criatura doce, namorou Macalé. Pior que Gil não vai ficar, porque era mamata federal.
Tem um episódio maravilhoso do Gil. A gente tava quase amigo, aí um assessor me convidou para uma recepção no Palácio do Planalto: “Gil faz questão que você vá”. Aceitei. No dia seguinte, liga alguém do ministério: “Gil pediu um favor do coração, dá para você pegar o violão dele e trazer? Ele não teve tempo”. Achei esquisito. Fui lá com o violão, cara-de-tacho. Cheguei no aeroporto de Brasília, tá lá a Paula Lavigne: “Mas o que você tá fazendo com o violão de Gil?”. “Como você sabe que é o violão do Gil?”. “Ah... Você não tá indo pra lá?”. Ih, achei esquisito. No dia seguinte, sai na coluna do Ancelmo Gois (colunista do jornal O Globo): “Lobão de roadie de Gil”. Montaram um factoide. Esse tipo de pessoa é muito esquisito, muito traiçoeiro. É um jogo muito duro, competitivo, e eles não abrem.

iG: Como é a vida sem a sombra de Herbert?
Lobão: É outra qualidade de vida. Acabou, nunca mais aconteceu nada. Parece que eu comecei a mudar de cara, eu vivia em função daquilo, me sentia vampirizado. Nada do que eu fazia acontecia. Também fui muito estúpido, ingênuo, reativo. Aquilo patinava, passaram-se 20 anos. O único link da minha vida com o Herbert é tudo o que ele me tirou (ri).

Leia aqui a segunda parte da entrevista com Lobão.

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