Lirinha lança primeiro trabalho solo pós Cordel do Fogo Encantado

Ex-vocalista do grupo pernambucano coloca álbum "Lira" de graça na web e agenda shows

Agência Estado |

Divulgação
Lirinha: "feito de distorção e mau contato"
Ele é o nosso Devendra, o nosso Alex Ebert (de Edward Sharpe and the Magnetic Zeros). Trata-se de José Paes de Lira, o Lirinha, duelista pernambucano que passou 13 anos atiçando as brasas da MPB indie nacional com sua finada banda Cordel do Fogo Encantado. Um ano depois de fechar a lojinha do Cordel, Lirinha voltou à baila dando vazão na internet ao disco "Lira", um coquetel de lírica & pedais que segue disponível inteirinho no site do cantor e compositor . De vez em quando a música brasileira gesta um disco assim, com esse grau de delírio e modernidade.

Um ano e meio após o fim da banda Cordel do Fogo Encantado (que chegou a São Paulo no rastro do movimento mangue beat e fez história na música brasileira), Lirinha lança-se numa marcante aventura nas águas da baixa tecnologia e das linguagens sintéticas. "Eu sou feito de distorção e mau contato", canta o artista, na faixa "Eletrônica Viva", abraçando os privilégios da precariedade. Os shows de lançamento do disco em São Paulo serão nos dias 27 e 28 de outubro, no teatro do Sesc Vila Mariana, às 21h.

"Lira" traz uma participação marcante: o músico Lula Côrtes , que morreu em março, fez sua última arte no disco de Lirinha, na faixa "Adebayor", tocando seu tricórdio (cítara marroquina). Lula Côrtes gravou nos anos 1970, com Zé Ramalho, o disco "Paêbiru" (1975), considerado o mais raro vinil do País e um dos mais disputados do mundo, custando até R$ 4 mil (isso se deu porque um incêndio na fábrica destruiu quase a totalidade das cópias, e Zé Ramalho nunca quis reeditá-lo).

Lirinha começou a carreira aos 12 anos, declamando em Arcoverde, a quase 300 quilômetros da capital. Foi ali que, uma vez, Maurício Kubrusly baixou com sua caravana fantástica de descoberta do Brasil profundo e pôs o som do Cordel Encantado em horário nobre na Globo. Em 2001, sua banda chegou ao extinto Free Jazz Festival, a mais importante mostra de música àquela altura.

O grupo surgiu em 1997, quando Lirinha idealizou e montou o espetáculo cênico musical Cordel do Fogo Encantado, que se tornou seu tour de force artístico dali em diante. "No começo, a ideia era só fazer uma base percussiva para a contação de poesias", disse. Gravaram três discos: "Cordel do Fogo Encantado" (2000), "O Palhaço do Circo Sem Futuro" (2002) e "Transfiguração" (2006). Em outubro de 2005, lançou o DVD "MTV Apresenta: Cordel do Fogo Encantado". A repercussão do trabalho os levou a turnês internacionais, mas no ano passado Lirinha resolveu partir para uma nova aventura.

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