Lily Allen fala sobre vida caseira, baladas e tablóides

Cantora conversa com o New York Times

New York Times |

Lily Allen está em sua cama, embaixo das cobertas, completamente vestida. Esta é uma pose temporária: A pop star inglesa é conhecida por mostrar certo exibicionismo em suas letras e em seu estilo de vida. Daqui a pouco ela vai estar de pé, tirando a roupa e revelando-se, em preparação para uma noitada que provavelmente vai dar o que falar.

Mas primeiramente ela vai ter de lidar com a entrevista, realizada em seu modesto apartamento londrino. Devorando batatas-fritas ruidosamente, a cantora não hesita em mostrar sua casa. São três quartos, o menor deles foi transformado em um closet. Seu quarto, pintado de azul acinzentado, tem uma banheira em estilo vitoriano instalada a poucos metros da cama. Como o restante da casa, o quarto está repleto de obras de arte e de recordações: pinturas de artistas da galeria Saatchi, crachás de seus shows, um recorte de papel trazendo a caricatura dela mesma (Ela é mais gorda que eu!, disse ela, em tom de brincadeira), um bilhete carinhoso de Elton John e David Furnish (Um grande ano para você em 2009) e uma cópia emoldurada da intimação judicial que recebeu por agredir um fotógrafo (Ele estava tirando uma foto por baixo de minha saia, então dei um chute nele, disse ela). Allen desliza os pés em um par de sapatos rasteiros Chanel bem surrados para nos exibir seu jardim - antes de se tornar cantora ela estudou para ser florista.

A cantora de 23 anos comprou seu primeiro apartamento um ano e meio atrás, depois do sucesso alcançado por Alright Still , seu álbum de estreia lançado em 2006. Com uma mistura sensual de pop com tempero reggae-ska, o CD vendeu mais de 500 mil cópias nos Estados Unidos e 2,5 milhões em todo o mundo, recebendo indicações ao MTV Awards e ao Grammy e tornando-a conhecida como estrela da era dos blogs e do MySpace. Usando vestidos em estilo vintage, imensos brincos de argola e tênis, ela cantava com franqueza sobre namorados, sexo ruim, drogas boas e noitadas mais ou menos. O estilo hedonista das letras se estendia também para fora dos palcos: Allen passou por uma fase de mau comportamento que culminou em fotos que a mostravam sempre cambaleando ¿ ou sendo carregada ¿ ao sair de casas noturnas, para prazer dos paparazzi.

Entretanto, recentemente ela vem se esforçando para proclamar que é uma menina caseira. Em sua casa, enrolada em um cobertor cinza e aninhada em uma cadeira azul da sala de estar, ela toma chá com leite e diz em voz baixa: "Nós nos sentamos nesta mesa e jogamos Scrabble", conta ela sobre suas noites com amigos. Em seu novo álbum, It's Not Me, It's You , ela exalta os prazeres da comida chinesa, de assistir TV e de levar Mabel, seu cachorro vira-latas, para passear. O som não traz tanto o estilo de garota festeira de Ibiza e, além de seus temas usuais (amor, drogas e fornicação), ela canta sobre assuntos mais adultos: tensão familiar, política e religião. "Maturidade" é a palavra que a gravadora escolheu para designar esse novo estilo.

Livro aberto

Porém, o novo álbum - o primeiro desde que Alright, Still , fez de Allen um símbolo de rebeldia feminina - também demonstra descaradamente seu anseio pela pompa das celebridades. No novo single, "The Fear", ela canta que quer ser rica, ganhar muito dinheiro e declara não ter vergonha de tirar a roupa porque todo mundo sabe que é assim que as pessoas conseguem fama. Essa franqueza sempre trouxe bons resultados para Allen: ela foi uma das primeiras artistas a explorar o MySpace como veículo para formar uma base de fãs, postando demos no site antes de seu disco de estreia e atraindo atenções com um blog franco, que colocava em destaque suas inseguranças de menina comum, como sua aparência e peso, bem como a arrogância desafiadora de estrela em ascensão, detonando cantores mais conhecidos.

Agora Allen está lidando com as consequências de tanta acessibilidade. "Não sei mais o que é certo e o que é real", ela canta em "The Fear", que vem ganhando destaque nas paradas. Especialmente no Reino Unido, Allen se vê como alvo dos tablóides. Ela não aprecia mais a atenção recebida, especialmente depois de um ano tumultuado no qual passou por um aborto espontâneo, perdeu sua avó e trabalhou no projeto de um programa de entrevistas. Equilibrar sua persona pública e sua vida privada, algo que ela diz desejar, poderia torná-la uma artista internacional mais séria - ou poderia alienar os fãs acostumados com sua personalidade aberta.

Apesar de continuar postando no Twitter, Allen agora não escreve tanto em seu blog. "Simplesmente não dá para ficar lá, me defendendo o tempo todo", disse ela. Aliás, de quem preciso me defender?". A cantora reclamou que a sua descrição na Wikipedia está permeada de mentiras. Quando indagada sobre a questão, ela correu para o computador para nos mostrar a descrição. Afirma ter sido abandonada pelo pai, o ator Keith Allen, e ter crescido ao lado de sua mãe, a produtora de cinema Alison Owen, em um ambiente de classe trabalhadora, ela lê. Isto é verdade. Também é verdade que freqüentei 13 escolas diferentes. Comportamento constrangedor movido a bebidas alcoólicas? Sim, acho que é um pouco verdade. Ela teve de ler até quase o final para encontrar a informação errônea: ela não teve síndrome de kawasaki na infância, não tem telas de Damien Hirst em seu quarto e nunca usou roupas número 40.

A realidade de Allen acaba se revelando nela mesma. E isso é tanto seu charme quanto seu desafio. Ela tem uma voz muito pessoal, o que a torna muito diferente da maioria das artistas pop, como Nelly Furtado ou Britney, afirmou Greg Kurstin ¿ integrante do dueto retro-pop The Bird and the Bee e co-autor e produtor de Its Not Me, Its You . As pessoas gostam de saber o que está acontecendo com ela. Mas, certamente isso tem seu lado negativo.

Loucura total

Bebedeira de Allen é clicada por paparazzi

Kurstin viu isso de perto quando Allen esteve em seu estúdio em Los Angeles no ano passado para finalizar as gravações, depois de algumas sessões na região de Cotswolds, na Inglaterra (sair de Londres foi idéia dela). Ela era seguida por meia dúzia de carros de paparazzi todos os dias. Realmente aquilo foi mais louco do que de costume, disse Kurstin, que já trabalhou com estrelas como Kylie Minogue. Talvez não tenha sido como acontece com a Britney, mais foi algo parecido. Eles acabaram se transferindo para um estúdio alugado para evitar perturbar os vizinhos.

Ela descobriu que estava grávida durante a fase de gravações: para seu pesar e de seu namorado, Ed Simons do Chemical Brothers, a notícia foi manchete do tablóide londrino The Sun quase que imediatamente. Entretanto, a cantora sofreu um aborto espontâneo em janeiro de 2008 e logo depois se separou de Simons. Aquele período foi uma loucura total para mim, disse ela, calmamente. Ela admitiu ter piorado e ter se internado em uma clínica para tratamento (sua terapeuta a aconselhou a deixar a bebida, ou pelo menos não ser fotografada bebendo, mas parece que isso não funcionou). Seu programa de variedades Lily Allen and Friends, no canal BBC Three, também ajudou. Eu estava tão cansada de sair em turnê naquele momento, eu cheguei ao ponto de pensar que precisava encontrar outro emprego, disse ela. O contrato do programa não foi renovado.

Porém, mais tarde ela afirma que cantar não era necessariamente seu chamado. Além de ter uma família, não tem nada mais pelo qual sou realmente apaixonada, disse ela. Talvez eu simplesmente ainda não tenha encontrado algo. Mas não é a música, o que é uma pena, pois seria tão bom se fosse. Kurstin ficou surpreso ao ouvir essa declaração da cantora. Ele comentou: Ela realmente dedicou muito esforço a este álbum. Ela o levou muito a sério.

    Leia tudo sobre: lily allen

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG