Leonardo homenageia irmão e aprova novo sertanejo

Cantor sertanejo fala sobre novo trabalho em coletiva em São Paulo

Juliana Zambelo |

Os fãs de Leonardo não têm do que reclamar. Fiéis ao cantor sertanejo há 26 anos, eles participaram de todas as fases de produção de seu mais novo trabalho, o CD e DVD ao vivo Esse Alguém Sou Eu , opinando da escolha do repertório à escrita do texto de divulgação para a imprensa.

O trabalho chega agora às lojas e foi apresentado por Leonardo nesta terça-feira em entrevista coletiva em São Paulo. Gravado em abril deste ano no Credicard Hall, na capital paulista, o show traz sucessos do início da carreira do cantor ao lado do irmão Leandro e três faixas inéditas. A canção que dá nome ao trabalho, Esse Alguém Sou Eu, já está nas rádios do país inteiro.

O cantor, famoso pelo bom humor, contou que entregar aos fãs a escolha das canções lhe pregou algumas surpresas. Uma lista de umas 80 músicas chegou ao escritório. Tem música ali que eu só tinha cantado quando tinha gravado com o Leandro, revela. Confesso que tive dificuldade de lembrar as letras.

Popular e um pouco populista, Leonardo revela não ter medo de seus grandes sucessos comerciais e afirma que gravaria todos eles em todos os seus registros ao vivo se a sua produção permitisse. Neste trabalho, os grandes hits são apresentados de forma acústica e solitária como homenagem a Leandro, morto de câncer há 11 anos. Com um banquinho e um violão, é em uma passarela no meio da plateia que ele interpreta Talismã, Desculpe Mas Eu Vou Chorar, Não Aprendi a Dizer Adeus, Sonho Por Sonho e Pense em Mim. Foi mais mole que empurrar bêbado na descida. É o que eu faço lá em casa, na fazenda.

Neste show, Leonardo faz também um tributo ao cantor Waldick Soriano. Vestido como o velho ídolo, o sertanejo canta clássicos como Eu Não Sou Cachorro Não" e Na Hora do Adeus. Waldick foi escolha minha, diz. Ele era muito apaixonado, que nem que eu. Essas músicas eu gravei para mim mesmo.

Carinho por São Paulo

Do surgimento da ideia de realizar mais um registro ao vivo em sua carreira à concretização do espetáculo, Leonardo conta que correu cerca de apenas um mês. O cantor reclama dos custos da produção: O primeiro pensamento quando se planeja gravar um DVD é que você vai sair perdendo dinheiro. É uma fortuna e a pirataria come tudo. Mas você tem que estar no mercado.

A produção foi realizada em São Paulo pelas facilidades que a cidade oferece, mas também pela relação do cantor com seu público. Eu tenho um carinho muito grande por São Paulo. Foi daqui que eu estourei para o Brasil, que a minha carreira se consolidou.

Sobre a nova onda do sertanejo universitário, Leonardo é receptivo, declarando-se aberto à modernização do estilo que ajudou a definir nas últimas décadas. A música sertaneja só tem a ganhar com essa geração. Eu fico feliz de ver essa força e essa renovação.

O cantor revelou estar sempre atento ao que chama de concorrência, referindo-se tanto às novas duplas quanto aos velhos companheiros Zezé di Camargo e Luciano e Chitãozinho e Xororó. Eu compro os CDs dos concorrentes para ver se preciso me esforçar mais. Já de seu próprio repertório, Leonardo diz ouvir apenas os seus trabalhos mais antigos gravados ao lado do irmão para matar a saudade.

Muito brincalhão e soltando piadas a cada resposta, o cantor titubeia quando questionado sobre o que é preciso para tirar o seu bom humor. Eu sou sempre alegre. Eu perco o amigo, mas não perco a piada, brinca. Pouca coisa me tira do sério. Acho que nada.

Sobre o futuro, Leonardo ressalta que está sempre na estrada. Turnê não para neste país senão o povo esquece rápido. Mas, apesar das dificuldades de matar um leão por dia, abandonar a carreira não está nos seus planos. Cantar é a única coisa que eu sei fazer mais ou menos. Foram 25 anos para chegar aonde eu cheguei e abandonar o público chega a ser covardia. Parar, só quando Deus quiser.

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