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Kings of Leon BR Only By The Night

Diego Fernandes |

Acordo Ortográfico

Por Diego Fernandes

Para o bem ou para o mal, o Kings Of Leon hoje soa quase nada como a banda surgida no começo dos anos 2000 como uma "resposta sulista aos Strokes". Os fãs atentos vão perceber que se tratou de uma questão de sobrevivência. A crítica que incensou os rapazes na estréia quase simplória, Youth And Young Manhood , foi a mesma que em seguida os preteriu em nome de grupos de maior credibilidade "southern", como My Morning Jacket e Drive-By Truckers. No seu segundo disco, Aha Shake Heartbkeak , flertaram com o power pop (naquele que é seu melhor single até hoje, "The Bucket") e acrescentaram algum tempero pós-punk, sem deixar de lado suas inflexões musicais mais peculiares, como o sotaque dos antigos estados confederados e suas barbas/bigodes estilo Antigo Testamento. Em Because of the Times ocorreu a primeira mudança significativa, ao incorporarem acenos discretos ao indie rock (às vezes nem tão discretos: "Charmer" é possivelmente o momento mais Pixies ao qual uma banda de grande porte chegou desde o Nirvana). Em entrevistas, os rapazes não desapontaram seus fãs e deixaram claro que, sim, abusaram de drogas e sexo, e que a banda quase se desintegrou por isso.

A sonoridade dos irmãos Followill nunca soou tão pronta para ecoar em um estádio como em Only By The Night , seu quarto disco, e tal mudança lhes cai bem. "Closer", a música de abertura, modula tanto em letra ("A sensação é tão boa, mas me sinto velho / 2000 anos de busca cobrando seu preço") quanto em sonoridade o tom sombrio e climático que se segue em outras dez faixas: solos e efeitos espaciais de guitarra, texturas eletrônicas abundantes, um tom atmosférico e denso que ainda assim mira no populismo. O disco tem lá sua cota de deslizes: "Use Somebody" parece ter tanta vontade de soar como U2 que resvala no Coldplay em seus instantes iniciais (atenção aos "Oh-oh-oahs" que acompanham o refrão, parecendo saídos direto de Viva La Vida).

Uma das principais pechas negativas associadas aos rapazes é sua previsibilidade, ahm, poética. E, realmente, Only... parece se esforçar apenas pela metade para dissipar essa noção: apesar da transformação sonora, referências à reputação de "rodo" dos rapazes do grupo não poderiam faltar, e eis que comparece "17" ("Oh, ela tem só dezessete anos"). Vulgaridade sempre foi um ponto importante na sonoridade da banda, e "Sex on Fire" é, apropriadamente, uma das melhores do álbum.

Only By The Night é um belo disco, embora tudo aponte para uma inevitável troca de público no que se refere à massa de fãs da banda, e embora os momentos reflexivos sejam imersos no tipo de culpa semi-adolescente que faz feministas espumarem de ódio.

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