Karina Buhr é indie de sucesso

Cantora se apresentou na Virada Cultural, em São Paulo, para plateia receptiva e repleta de fãs

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Marco Tomazzoni
Karina Buhr e Edgard Scandurra na Virada Cultural: postura de gente grande
Parecia que não ia dar certo. Poucos minutos antes do show de Karina Buhr começar no palco da música independente da Virada Cultural de São Paulo, no início da tarde deste domingo (16), poucas pessoas davam o ar da graça na avenida Casper Líbero. Nem mesmo o outro palco do projeto, a um quarteirão de distância em linha reta, tinha lá muita gente. Mas foi só Toquinho tocar a última nota na Praça Júlio Prestes, nos arredores, para uma multidão começar a caminhar. Nem todos foram ver a cantora, é verdade, mas mais de um centena de pessoas estava atenta quando Karina deu início a seu espetáculo.

E é, de fato, um espetáculo. Eu Menti Pra Você , o primeiro álbum solo da integrante do Comadre Fulozinha, pernambucana de coração, vem sendo muito elogiado desde seu lançamento, no início do ano, e no palco o segredo do disco fica ainda mais evidente: a banda de apoio. Afinal, contar nas gravações e ao vivo com dois dos maiores guitarristas em atividade no país – Edgard Scandurra e Fernando Catatau, do Cidadão Instigado –, um excelente baterista (Bruno Buarque) e, de quebra, um trompetista virtuose (Guizado) é o sonho de qualquer artista da nova geração.

Karina conseguiu, e ela tem seus próprios méritos para segurar a expectativa: composições honestas, presença de palco e, embora a voz não seja das mais potentes, seu sotaque fortalece a empatia com o público. É mais do que boa parte da nova leva de cantoras. “O Pé”, “Vira Pó” e “Eu Menti Pra Você” abriram o show, mas as coisas começaram a esquentar em “Solo de Água Fervente”: Karina tirou os óculos escuros e mostrou os olhos para a plateia, com a maquiagem verde usual e exagerada. Fora do estúdio os arranjos ficam mais encorpados, altos e, consequentemente, vivos. O primeiro solo monstruoso de Catatau provou que ninguém ali estava de brincadeira, tanto que os aplausos na sequência apareceram efusivos, com gente cantando junto – eram eles, os fãs.

Para arrematar, veio o bloco “metal”. Peso, raiva e distorção são a unidade de “Soldat”, “Esperança Cansa” e “Mira Ira”. Ninguém reclamou, pelo contrário: o rock abriu terreno para o que vinha a seguir. “Fecha o olho que vira noite”, avisou Karina no microfone, aos desavisados que se incomodavam com o sol forte. “É uma técnica muito usada no carnaval de Olinda”. Até ali, não havia muito terreno para os foliões, mas “Plástico Bolha”, falso reggae com espírito de frevo, deixou o povo todo pulando. A ácida “Ciranda do Incentivo” terminou de deixar os ânimos em alta – a cantoria e os dedos em riste tiravam qualquer dúvida. Karina Buhr pode ser indie, mas tem postura de gente grande. Só falta o grande público descobrir.

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