Em discurso de abertura, promotoria acusa médico do cantor de esconder evidências e mentir aos médicos da emergência

Teve início nesta terça-feira (26) a primeira sessão do julgamento contra o médico Conrad Murray pela morte de Michael Jackson. A audiência, que teve início às 8h45 locais (12h45 de Brasília), começou com o discurso de abertura da Promotoria.

Imagem do corpo de Michael Jackson utilizada no discurso de abertura da Promotoria
Reprodução
Imagem do corpo de Michael Jackson utilizada no discurso de abertura da Promotoria
Nele, o promotor David Walgren utilizou uma imagem forte do corpo do cantor numa maca. Entre as principais afirmações da acusação destacam-se o médico ter mentido para adquirir uma grande quantidade de Propofol, remédio responsável pela morte do artista, e negado que o astro tenha recebido a droga aos médicos da emergência.

Leia abaixo alguns tópicos citados pelo promotor David Walgren:

- A causa da morte de Michael Jackson foi overdose de Propofol, remédio administrado pelo Dr. Murray.

- Nós vamos provar que Conrad Murray repetidamente agiu com negligência e incompetência.

- Murray fez arranjos com uma farmácia para comprar grandes quantidades de Propofol em uma base regular. Mas ele mentiu para o farmacêutico, dizendo que tinha uma clínica em Santa Monica, quando ele não tem.

- Em 10 de maio de 2009, Murray fez uma gravação de voz em seu iPhone ... a gravação revela que Michael Jackson estava sob a influência de "substâncias desconhecidos" com o médico sentado ao seu lado. Isso mostra que Murray tinha consciência do estado de Michael.

- Nas semanas que antecederam sua morte, Michael Jackson estava frio e com tremores, mas Murray manteve suas doses de Propofol, e Kenny Ortega, coreógrafo do astro, irá testemunhar que Michael claramente não estava bem.

- Uma reunião foi realizada na casa de Michael em 20 de maio de 2009. Nela, Murray repreendeu Ortega por expressar preocupações sobre a saúde do cantor, dizendo que ele era o médico e acrescentando: "Michael está fisicamente e emocionalmente bem. Eu sou o médico".

- No dia em que Michael Jackson morreu, o músico chegou em casa do ensaio e Murray passou a noite por lá com a finalidade de colocá-lo para dormir com Propofol - como fazia todas as noites por pelo menos dois meses.

- Walgren disse que Michael Jackson ele estava clinicamente morto quando os paramédicos chegaram.

- Enquanto estava ao lado de Michael, Murray fez ligações e enviou mensagens de texto. O último dos oito telefones foi feito às 11h51 para uma namorada, momento em que o médico percebeu que havia uma emergência.

- Murray chamou o guarda-costas Alberto Alvarez e disse que Michael Jackson teve uma "reação negativa". Ele instruiu Alvarez a esconder as provas dentro de um saco azul. Entre elas uma garrafa de Propofol , que de acordo com o promotor seria a garrafa com a dose fatal da medicação.

- A polícia foi avisada às 12h20. Quando os paramédicos chegaram, Michael estava morto.

- Murray nunca disse aos paramédicos que ele deu Propofol ao músico, mesmo quando eles o questionaram sobre drogas administradas por ele.

- Os paramédicos afirmaram que Michael Jackson estava morto, mas Murray insistiu para que o transportassem para o hospital.

- Dois dias depois da morte do músico, Murray encontrou-se com detetives da polícia de Los Angeles e divulgou que estava dando doses diárias de Propofol ao astro por mais de dois meses, no intuito de colocá-lo para dormir. Esta é a primeira vez que Murray revelou isso.

- Murray disse à polícia que ele foi ao banheiro para urinar e apenas quando voltou, dois minutos mais tarde, descobriu que Michael não estava respirando. O Ministério Público diz que deixar um paciente sozinho é considerado abandono médico.

- O promotor encerrou afirmando que Conrad Murray agiu com negligência e não estava pensando no interesse do Michael Jackson, mas sim trabalhando por US$ 150 mil (R$ 276 mil) por mês.

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