Joyce festeja trinta anos de seu álbum "Feminina"

Além de relançar trabalho, cantora faz shows com repertório do disco

Augusto Gomes, iG São Paulo |

Augusto Gomes
Joyce se apresenta no Sesc Vila Mariana, em São Paulo
"Em 1980, minha vida estava mudando. Depois de um período de parada quase total das atividades musicais, por conta do nascimento de minhas filhas, voltei a compor direto, vi minhas músicas serem gravadas pelas mais importantes vozes do Brasil e finalmente fui convidada a gravar um disco meu pela EMI-Odeon. Esse disco se chamaria 'Feminina' e seria um marco em meu trabalho e em minha vida".

As palavras acima foram escritas pela cantora Joyce e estão no encarte do álbum "Feminina", que acaba de ser reeditado, em comemoração aos trinta anos de seu lançamento. É uma avaliação até modesta: o disco é um marco não só no trabalho de Joyce, mas em toda a música brasileira. "Eu já tinha treze anos de carreira quando o 'Feminina' saiu, mas muita gente acha que é meu primeiro disco", conta a cantora.

"Mas eu considero que 'Feminina' é meu primeiro disco de verdade. Antes eu não levava minha carreira muito a sério. Posso dizer que meus trabalhos anteriores eram ensaios", reconhece. "Foi também o primeiro disco que fiz exatamente como queria. Todas as canções são minhas, a maioria das letras também. Fiz os arranjos de base, toquei violão em todas as faixas. Tive controle de tudo".

Joyce conversou com o iG Música no camarim do Sesc Vila Mariana, em São Paulo, onde apresentou neste final de semana o show em comemoração aos trinta anos de "Feminina". "Como o álbum fez bastante sucesso, eu sempre cantei muitas músicas dele em meus shows. 'Clareana', 'Feminina', 'Essa Mulher', todas essas são presenças quase obrigatórias em minhas apresentações", explica. "A diferença é que agora vou cantar a 'parada de fracassos' do disco também".

Das dez canções de "Feminina", oito apareceram no show. E, dessas oito, apenas duas poderiam entrar na "parada de fracassos" de Joyce: "Compor", praticamente uma vinheta tanto no álbum quanto no palco, e "Banana", ao vivo um eletrizante duelo entre o violão de Joyce e a bateria de seu marido, Tutty Moreno. O restante do repertório foi composto por canções de "Slow Music", mais recente álbum da cantora, e alguns clássicos de Tom Jobim e Johnny Alf.

A canção mais aplaudida da noite foi "Clareana". "Fiz a letra durante uma temporada na Itália com o Vinícius de Moraes, morrendo de saudade das minhas filhas. Na época a Mariana ainda não havia nascido, mas eu sabia que ela iria chegar", afirma, referindo-se à letra que diz "Clara, Ana e quem mais chegar / Água, terra, fogo e ar". As crianças que cantam no final da música são justamente Clara e Ana. "Elas eram veteranas, já tinham gravado com o Egberto Gismonti", brinca Joyce.

"'Essa Mulher' e 'Da Cor Brasileira' são duas letras da Ana Terra, que antes só tinha composto com o Danilo Caymmi, marido dela. Para essas letras, ela queria um olhar mais feminino, por isso me procurou", relembra. "A primeira foi gravada pela Elis Regina, deu até título a um disco dela. A segunda eu fiz a música pensando na Maria Bethânia, tanto que conseguia ouví-la cantando enquanto compunha. Não deu outra: ela gravou e foi um sucesso".

Puxado por "Clareana" (a canção foi uma das sensações do festival MPB-80), "Feminina" foi um dos discos mais marcantes daquele período. "Foi uma época em que apareceram muitas compositoras, e eu acabei entrando na onda", diz. "Teve gente que inclusive achou que o título era uma provocação, já que minha orientação sexual era diferente da maioria das artistas que apareceram naquela época", ri.

A ideia de Joyce é, até o final do ano, continuar os shows de comemoração aos trinta anos de "Feminina". Ao mesmo tempo, ela ainda promoverá o recente "Slow Music" (o álbum acaba de ser indicado ao Grammy Latino) e prepara o lançamento de "Samba Jazz e Outras Bossas" no Brasil. "O disco saiu lá fora há três anos, mas só chega aqui em novembro", conta. Para 2011, o plano é lançar no Brasil o disco "Aquarius", gravado em parceria com João Donato.

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