Jorge du Peixe, a voz da Nação Zumbi

Cantor confessa que não foi fácil substituir Chico Science

Augusto Gomes, iG São Paulo |

Leandro Farchi de Oliveira
Jorge du Peixe durante show em 2009
Francisco de Assis França - ou melhor, Chico Science - tinha apenas trinta anos quando morreu num acidente automobilístico, em fevereiro de 1997, na avenida que liga Recife a Olinda. Ele estava no auge da carreira: havia lançado apenas dois discos, Da Lama ao Caos (1994) e Afrociberdelia (1996), mas foi o suficiente para virar a música brasileira de pernas para o ar e deixar marcas até hoje.

Na época, ninguém imaginava que sua banda, a Nação Zumbi, conseguiria seguir adiante sem seu líder. Mas, treze anos depois, o grupo continua em plena atividade e acaba de gravar em Recife seu segundo DVD ao vivo, com lançamento previsto para o primeiro semestre deste ano. Quem canta, e vem cantando desde a morte de Chico, é Jorge du Peixe. Foi sobre os ombros dele que caiu a responsabilidade de substituir o cantor.

"Confesso que não foi fácil", diz Jorge. Em primeiro lugar, pela dor de perder o amigo de adolescência. Em segundo, pela sua personalidade introvertida, avessa aos holofotes. Timidamente, ele dá a entender que tinha dúvidas sobre sua capacidade de ser vocalista. Mas aí lembrou-se que o próprio Chico o incentivava a cantar no Loustal, um projeto paralelo dos dois. "Tive que aprender na marra, ir me aperfeiçoando".

O primeiro disco após a morte de Chico, Radio S.amb.a , saiu em 2000 (O duplo CSNZ , de 1998, não conta porque reunia remixes e gravações inéditas de quando o cantor era vivo). Provou que a Nação ainda tinha muito o que dizer, e preparou o caminho para dois grandes álbuns, Nação Zumbi (2002) e Futura (2005), ambos tão brilhantes quanto os gravados com Chico. O mais recente, Fome de Tudo , saiu em 2007.

No ano passado, a banda começou a fazer shows em que toca o disco Da Lama ao Caos na íntegra. "Foi bom ver como as músicas se seguram até hoje. Elas ainda têm um frescor muito grande", avalia du Peixe. "Não tivemos medo de assumir nossa brasilidade naquele disco. Nos fazemos entender em português. E também mexemos em questões sociais de uma maneira diferente", diz, orgulhoso.

O DVD gravado em novembro em Recife, no entanto, tem um repertório diferente. "É para comemorar os quinze anos da banda, então ele tem músicas de toda a nossa carreira", adianta. Mas isso não significa que o show do Da Lama ao Caos não possa virar DVD um dia. "É uma boa ideia. Podemos fazer no futuro", afirma.

Mas, por enquanto, o plano mais imediato do grupo é tocar em Recife. Neste sábado (06), a banda toca no Centro de Convenções de Pernambuco, comemorando os 15 anos do bloco "Enquanto Isso, na Sala da Justiça". A Nação ainda se apresenta na capital pernambucana nos dias 14 e 15 de fevereiro, bem no meio do carnaval.

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