João Brasil passa incólume pela guerra dos direitos autorais

Misturas musicais do DJ, que mesclam artistas como Beatles com Deize Tigrona, passam longe da polêmica

Pedro Alexandre Sanches, repórter especial iG Cultura |

Divulgação
João Brasil: longe da polêmica dos direitos autorais
O tipo de música que João Brasil produz está no epicentro de disputas em torno de direitos autorais, que inflamam o mundo e seu país natal. No Brasil, um dos assuntos polêmicos da hora é a retirada das licenças Creative Commons, que permitem o livre compartilhamento de obras artísticas, do site do Ministério da Cultura, sob a gestão de Ana (Buarque) de Hollanda. Parte da comunidade cultural interpretou a atitude da nova ministra como sinalização de retrocesso às maneiras como o direito autoral era tratado no século passado, sob comando de corporações da grande indústria cultural, como Ecad e gravadoras. No Brasil ou no exterior, João Brasil jamais poderia lançar oficialmente os discos virtuais que divulga em seu site, como "Mash Mash Calypso" e "Let It Baile".

No primeiro, ele funde sucessos locais da Banda Calypso com hits globais de nomes como Black Eyed Peas, M.I.A., Eminem, Franz Ferdinand, Daft Punk, Destiny’s Child e Afrika Bambaataa. No segundo, promove um grande mashup entre o álbum "Let It Be" (1970), dos Beatles, e funks cariocas de Mr. Catra, Deize Tigrona, MC Buiu, Perlla, Claudinho & Buchecha e Tati Quebra-Barraco. "Get Back", por exemplo, é acoplada ao funk "É o Pet", e assim por diante.

Em 2010, João entregou-se ao projeto workaholic de lançar 365 mashups, um para cada dia do ano. Misturou Bob Dylan com Olodum e Roberto Carlos com Marcelo D2, e mesmo assim afirma jamais ter sido importunado por gravadoras, por órgãos arrecadadores de direitos autorais ou por artistas geralmente zelosos de suas obras, como Roberto Carlos ou o espólio dos Beatles. “Acho que eles não se importam porque não estou vendendo as músicas. Quando o cara começa a ganhar dinheiro é que os caras vêm em cima”, afirma, descrevendo um sistema análogo ao de uma das licenças Creative Commons, pelo qual um artista opta por liberar suas obras para uso e manipulação livres por outros artistas, desde que não sejam usadas com fins comerciais nem deixem de citar a fonte original da criação.

Logo a seguir, João se retifica: “Minto. Tive problema só uma vez, no Réveillon de Copacabana. Usei uma batucada que peguei numa pasta que tenho, com 200 batucadas, e não sabia que era de um projeto social da Regina Caffé, que tira crianças da rua e ensina elas a reciclar latas, construir instrumentos e fazer batucadas com eles. Falei com a Regina, pedi mil desculpas, me comprometi a dar crédito ao trabalho deles em todo lugar que a música for, como sempre faço”.

O lançamento comercial das colagens pop custaria fortunas em direito autoral (ou em processos, caso eles fossem desrespeitados). João, então, prepara-se para driblar essa impossibilidade nos primeiros singles e álbum que deve lançar como o João Brasil de agora, não o dos temas satíricos tipo "Baranga" e "Pau Molão". Sob contrato com o selo alemão Man Recordings, ele já gravou quatro faixas, com vocais originais de Lovefoxxx (do Cansei de Ser Sexy), Marina Gasolina (ex-Bonde do Rolê e sua vizinha em Londres), a diva tecnobrega Gaby Amarantos e... o próprio João Brasil. Músico que passou a DJ e mashupeiro, ele deve fazer o caminho de volta neste 2011, para produtor, compositor e cantor de músicas próprias.

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