Misturas musicais do DJ, que mesclam artistas como Beatles com Deize Tigrona, passam longe da polêmica

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João Brasil: longe da polêmica dos direitos autorais
O tipo de música que João Brasil produz está no epicentro de disputas em torno de direitos autorais, que inflamam o mundo e seu país natal. No Brasil, um dos assuntos polêmicos da hora é a retirada das licenças Creative Commons, que permitem o livre compartilhamento de obras artísticas, do site do Ministério da Cultura, sob a gestão de Ana (Buarque) de Hollanda. Parte da comunidade cultural interpretou a atitude da nova ministra como sinalização de retrocesso às maneiras como o direito autoral era tratado no século passado, sob comando de corporações da grande indústria cultural, como Ecad e gravadoras. No Brasil ou no exterior, João Brasil jamais poderia lançar oficialmente os discos virtuais que divulga em seu site, como "Mash Mash Calypso" e "Let It Baile".

No primeiro, ele funde sucessos locais da Banda Calypso com hits globais de nomes como Black Eyed Peas, M.I.A., Eminem, Franz Ferdinand, Daft Punk, Destiny’s Child e Afrika Bambaataa. No segundo, promove um grande mashup entre o álbum "Let It Be" (1970), dos Beatles, e funks cariocas de Mr. Catra, Deize Tigrona, MC Buiu, Perlla, Claudinho & Buchecha e Tati Quebra-Barraco. "Get Back", por exemplo, é acoplada ao funk "É o Pet", e assim por diante.

Em 2010, João entregou-se ao projeto workaholic de lançar 365 mashups, um para cada dia do ano. Misturou Bob Dylan com Olodum e Roberto Carlos com Marcelo D2, e mesmo assim afirma jamais ter sido importunado por gravadoras, por órgãos arrecadadores de direitos autorais ou por artistas geralmente zelosos de suas obras, como Roberto Carlos ou o espólio dos Beatles. “Acho que eles não se importam porque não estou vendendo as músicas. Quando o cara começa a ganhar dinheiro é que os caras vêm em cima”, afirma, descrevendo um sistema análogo ao de uma das licenças Creative Commons, pelo qual um artista opta por liberar suas obras para uso e manipulação livres por outros artistas, desde que não sejam usadas com fins comerciais nem deixem de citar a fonte original da criação.

Logo a seguir, João se retifica: “Minto. Tive problema só uma vez, no Réveillon de Copacabana. Usei uma batucada que peguei numa pasta que tenho, com 200 batucadas, e não sabia que era de um projeto social da Regina Caffé, que tira crianças da rua e ensina elas a reciclar latas, construir instrumentos e fazer batucadas com eles. Falei com a Regina, pedi mil desculpas, me comprometi a dar crédito ao trabalho deles em todo lugar que a música for, como sempre faço”.

O lançamento comercial das colagens pop custaria fortunas em direito autoral (ou em processos, caso eles fossem desrespeitados). João, então, prepara-se para driblar essa impossibilidade nos primeiros singles e álbum que deve lançar como o João Brasil de agora, não o dos temas satíricos tipo "Baranga" e "Pau Molão". Sob contrato com o selo alemão Man Recordings, ele já gravou quatro faixas, com vocais originais de Lovefoxxx (do Cansei de Ser Sexy), Marina Gasolina (ex-Bonde do Rolê e sua vizinha em Londres), a diva tecnobrega Gaby Amarantos e... o próprio João Brasil. Músico que passou a DJ e mashupeiro, ele deve fazer o caminho de volta neste 2011, para produtor, compositor e cantor de músicas próprias.

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