Jackson: resultado da autópsia demorará semanas

As chances de termos alguma confirmação ainda nesta sexta-feira são muito baixas, dizem autoridades

Redação com agências internacionais |

O resultado final da necropsia de Michael Jackson poderá demorar de seis a oito semanas, afirmou nesta sexta-feira um porta-voz do Instituto Médico Legal do condado de Los Angeles.

"Faremos exames toxicológicos e uma análise extensa que poderá levar até seis a oito semanas antes de termos os resultados finais", afirmou o porta-voz, Ed Winter.

Winter indicou ainda que um informe preliminar sobre a causa da morte provavelmente será adiado até que sejam conhecidos os resultados das análises.

"As chances de termos alguma confirmação ainda nesta sexta-feira são muito baixas devido à complexidade dos testes que vamos fazer", informou Winter.  "No entanto, gostaríamos que as pessoas soubessem que a análise será realizada ainda hoje", acrescentou.

Corpo vai para autópsia

O corpo do astro do pop Michael Jackson já foi encaminhado para a autópsia na manhã desta sexta-feira. O procedimento está nas mãos de Lakshmanan Sathyavagiswaran, que já assumiu outro caso de repercussão nos Estados Unidos: os crimes relacionados com o ex-jogador O.J. Simpson.

Michael Jackson morreu no fim da tarde de quinta-feira após sofrer uma parada cardíaca em sua casa em Los Angeles. A família Jackson ainda não revelou seus planos para o funeral do cantor.

De acordo com o responsável pelo IML do condado de Los Angeles, Jerry McKibben, a autópsia deverá determinar a causa exata da morte de Jackson. Esses testes vão determinar se o cantor tinha drogas, álcool ou medicamentos em seu organismo.

Uma equipe médica foi enviada à residência do artista às 12h21 de quinta-feira (hora local) e encontrou-o sem respirar. No local, os paramédicos fizeram uma massagem cardíaca para reanimar o artista. Ele foi levado rapidamente para o hospital da Universidade da Califórnia (UCLA), onde uma equpe médica tentou reanimá-lo durante uma hora. Ele foi declarado morto às 14h26 local e sua morte foi confirmada oficialmente pelo legista-chefe do Estado, Fred Coral.

Casado duas vezes ¿ com a única filha de Elvis Presley, Lisa Marie, e a ex-enfermeira Debbie Rowe ¿, Michael deixa três filhos, Prince Michael I, Paris Michael e Prince Michael II, este último conhecido por uma breve aparição pública quando o pai o chacoalhou em uma janela de hotel em Berlim.

Remédios para voltar aos palcos

Michael Jackson tinha 50 anos e se preparava para o retorno aos palcos após mais de dez anos sem se apresentar ao vivo. Em declarações à imprensa, o porta-voz do artista e advogado da família Jackson, Brian Oxman, mostrou-se preocupado com as excessivas doses de remédios que o cantor vinha tomando para entrar em forma e preparar-se fisicamente para a árdua temporada de 50 shows que faria na O2 Arena, em Londres.

"Michael aparecia nos ensaios algumas vezes, ele tentava duramente estar apto a fazer esses ensaios", disse Oxman sobre as preparações de Jackson para uma série de 50 shows que ele começaria a fazer em Londres a partir de julho.

"O uso que ele fazia de medicamentos estava atrapalhando, as lesões que ele teve enquanto atuava, onde ele quebrou uma vértebra e a perna ao cair no palco, estavam atrapalhando", disse Oxman à CNN.

Takek Ben Amar, amigo e ex-agente de Michael Jackson, chegou a chamar os médicos que travavam do artista de criminosos e charlatães, pois, segundo ele, se aproveitaram de uma pessoa hipocondríaca que tinha necessidade de tomar muitos medicamentos. "Está claro que os criminosos neste caso são os médicos que o atenderam ao longo de sua carreira, que destruíram seu rosto, que deram remédios para acalmar as dores", denunciou Ben Amar à rádio francesa Europe 1.

"Ele não conseguia dormir, por isso tomava soníferos. Era hipocondríaco e nunca soube de verdade se estava doente porque vivia rodeado de médicos charlatães que viviam dessa doença, que cobravam milhares e milhares de dólares em remédios, em vitaminas", acrescentou.

A Polícia de Los Angeles já teria aberto uma investigação para esclarecer o ocorrido, apesar de não existirem indícios de um crime. Detetives da divisão de homicídios fizeram buscas na casa de Jackson, no bairro de Holmby Hills, em Los Angeles, mas alertaram que a investigação é um evento "corriqueiro".

Prejuízo milionário dos shows

A empresa AEG Live, que convenceu Michael Jackson a oferecer 50 shows no auditório O2 de Londres, pode sofrer perdas de até 348 milhões de euros com a morte do cantor, informou hoje o jornal britânico The Times. Especialistas do mercado atuarial informaram que havia pouca demanda no mercado de seguros de Londres para cobrir todas as datas dos shows programados, e calculou que a AEG Live seria responsável por arcar com aproximadamente 348 milhões de euros.

Segundo o Times, acredita-se que os dez primeiros shows entraram no mercado de seguros de Londres por um valor de 80 milhões de libras (93 milhões de euros).

O principal responsável da AEG Live comunicou às seguradoras que os médicos tinham examinado Michael por cinco horas e estavam convencidos de seu bom estado de saúde, especialmente por sua condição de vegetariano.

Logo depois do anúncio dos shows, um milhão de pessoas tentaram comprar entradas para as dez apresentações programadas inicialmente, que em breve se transformariam em 50. Os ingressos foram rapidamente para o mercado negro, onde eram vendidos por mais de 1000 euros.

No entanto, segundo o Times, o próprio cantor sabia que não estava em condições de realizar uma série de 50 shows, mas acabou cedendo à pressão de pessoas as quais devia dinheiro. "Não sei como vou fazer 50 apresentações. Estou muito nervoso", disse Michael em uma ocasião.

A AEG Live, subsidiária do Anschutz Entertainment Group, será agora obrigada a devolver o dinheiro de um milhão de pessoas que compraram entradas, além de encarar um auditório vazio durante meses.

Afundado em dívidas

O sacrifício de Michael Jackson em encarar uma maratona de shows na capital britânica era uma tentativa de tentar saldar parte de seus milionários empréstimos. Apesar de ter faturado centenas de milhões de dólares, tendo sido um dos músicos pop mais bem-sucedidos de todos os tempos, Jackson acumulou dívidas de cerca de 500 milhões de dólares, segundo fontes citadas pelo Wall Street Journal no início do mês.

Conhecido por mergulhar em imensas orgias de compras de brinquedos e antiguidades, Jackson foi acusado por um contador, durante seu julgamento em 2005 por abuso sexual infantil, de gastar 20 ou 30 milhões de dólares a mais por ano do que estava ganhando.

Seu estilo de vida luxuoso foi possibilitado em parte por um empréstimo de 200 milhões de dólares que contraiu, dando como garantia sua participação no catálogo dos Beatles. Jackson comprou sua parte no catálogo numa joint venture com a Sony Corp e refinanciou esses empréstimos em 2006, para tentar evitar a insolvência.

Em novembro do ano passado,  ele foi obrigado a entregar o título de propriedade de seu rancho Neverland, na Califórnia, a uma empresa formada por ele próprio e o fundo de investimentos imobiliários Colony Capital LCC, de Los Angeles, a firma que detém o empréstimo de 23 milhões de dólares que ele fez sobre o imóvel. Se a carreira do cantor fosse revitalizada, o rancho poderia ser vendido por entre 70 e 80 milhões de dólares.

Os maiores retornos financeiros de Jackson, no entanto, podem acontecer mesmo na esteira de sua morte. A gravadora com a qual ele trabalhou durante anos, a Sony Music Entertainment, provavelmente relançará edições especiais de alguns de seus álbuns mais vendidos, e possivelmente lançará algumas gravações raras também.



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