Ídolos adolescentes de Elvis a Jonas Brothers

Modelo de sucesso pouco mudou ao longo do tempo

The New York Times |

Quando Smokey Robinson surgiu na última temporada de American Idol, Debra Carey foi transportada de volta a sua adolescência.

Quando a banda Miracles lançou o single Going to a Go-Go, em 1966, Carey era aluna secundarista em Denver. Ela adorava assistir a banda Temptations no programa de TV The Ed Sullivan Show e ouvir as Supremes em American Bandstand, embora nenhum dos dois grupos pudesse ser comparado ao Miracles, liderado pelo destruidor de corações William Smokey Robinson. Todos os integrantes do Miracles eram atraentes, mas Smokey se destaca no grupo, afirmou Carey, 54 anos. Aliás, ele continua bonitão, ela completou.

The Miracles liderado por Smokey Robinson

Robinson era um ídolo adolescente nos anos sessenta - se é que isso já existia. Visual de arrasar, personalidade carismática e talento ¿ além da voz expressiva temperada com mel e limão ¿ o destacavam do grupo. E não vamos esquecer sua queda por canções de amor ¿ fundamentais para o sucesso do ídolo adolescente e também a chave do coração de seu público.

É fácil perceber que nossos ídolos adolescentes mudaram um pouco ¿ mas não muito. Eles continuam lindos e charmosos, com seus rostinhos marotos. Eles ainda atraem fãs de música pop com melodias animadas e letras apaixonadas que não saem de nossas cabeças. E seu fã-clube ainda se deixa levar primeiramente pela embalagem do que pelo produto.

O Joe é o meu preferido, disse a garota de oito anos Sierra Walker, cujo pai ganhou ingressos para um show do Jonas Brothers em Denver em um concurso de rádio. Ele é o mais fofo, adoro o cabelo dele! Ele é aquele de cabelo encaracolado e é quem canta melhor na banda. Para Sierra, o que importa é o cabelo ¿ e também o show onipresente no Disney Channel, a saturação de mídia que impulsiona a carreira de todo ídolo adolescente.

Nada mudou

Quando ainda era uma garotinha, Kathy Cook, hoje com 65 anos de idade, tinha amigas obcecadas por outro moreno melancólico: ele tinha sobrancelhas marcantes e cabelo volumoso que possivelmente serviram de inspiração para o espírito renegado de Joe Jonas.

Meu Deus, o Elvis era totalmente fora de controle, causando um alvoroço onde quer que fosse, lembra-se Kathy. As pessoas não gostavam do jeito que ele dançava, de seu gingado. A gente nunca tinha visto nada igual, nunca mesmo!.

Mas Elvis não fazia o tipo de Kathy. Depois da infância em uma escola católica da congregação da Sagrada Família e de manhãs entoando harmonias na cozinha com a família, Kathy preferia os Everly Brothers, cuja harmonia a duas partes ajudou a definir o rock n roll dos anos cinqüenta e sessenta.

A música daquela época era mais inocente, mas o sentimento não mudou muito ¿ considerando que a canção Video Girl do Jonas Brothers é uma abordagem atual (mesmo que menos criativa) de Cathys Clown.

Eu me recordo de escutar Cathys Clown e pensar que meu namorado não gostava mais de mim, confessou Kathy com uma gargalhada. Eu simplesmente me sentava e caia no choro quando ouvia aquela canção: naquela época eu ainda não ligava muito para o Everly Brothers, o que importava era meu namorado que partia meu coração a cada cinco minutos.

New Kids on the Block, sucesso nos anos 1990

Os adolescentes são uma turma sensível e que se impressiona facilmente, por isso não é de se admirar que essas jovens senhoras tenham lembranças tão vívidas de suas experiências com esses artistas. Ídolos da adolescência muitas vezes são a introdução da criança à música e muitas vezes o ciclo - ouça o single, compre o álbum, vá ao show e compre a camiseta ¿ é uma paixão para a vida inteira.

A especialista em beleza Carissa Passerella, 31 anos, tem orgulho em dizer que o New Kids on the Block despertou a paixão que tem até hoje pela música pop. Até hoje adoro canções divertidas e irreverentes, disse Carissa, fã de Lady Gaga, Madonna e do New Kids (até hoje). Gosto do mesmo tipo de música que o New Kids fazia. São canções leves e nada sérias, que eu adoro.

Carissa se lembra de padrões e atitudes que fomentaram sua fixação na banda. Questões do tipo: Quem é o mais bonito, Joe ou Jordan?. E a interminável campanha de marketing em forma de buttons, camisetas e pôsteres. As viagens para outros estados para ir aos shows.

Carissa guarda esses detalhes em sua memória porque ainda convive com tudo isso. Juntamente com um grupo de amigas, ela foi ao show do New Kids nas proximidades de Denver no último mês de novembro - e adorou cada minuto do evento. Ela precisava de mais uma dose, então viajou de carro com Mike, marido bastante compreensivo, até a cidade de Tulsa para ver a banda de garotos em março. Isso sem falar no protetor de tela de seu iPhone: uma foto de Donny que ela mesma tirou no show em Tulsa.

Ela já tem ingressos para o show do New Kids que será realizado no dia 15 de julho em Denver e está pensando em emendar a semana para ir também a Las Vegas e Phoenix para ver a banda.

Teve uma hora durante o show em Tulsa que virei para o Mike e disse: Este é o momento mais feliz de minha vida. Ele me olhou de um jeito engraçado, pois estávamos casados há algum tempo. Ao mesmo tempo, entretanto, acho que ele entendeu tudo, pois eu não era a única fazendo escândalo.

Ela contou, emocionada: Fiquei na fila do gargarejo e o Donny está bem ali, praticamente olhando para mim. É quase impossível escutar as experiências de Carissa sem pensar naquelas imagens dos Beatles de 1964: fãs pulando para cima e para baixo, chorando, gritando, perdendo o controle, rindo e vivendo o melhor momento de suas vidas.

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