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Ida Maria BR Fortress Round My Heart

Katia Abreu |

Por Katia Abreu

Ida Maria Sivertsen é uma norueguesa de 23 anos que tem galgado espaço na falida cena indie inglesa. Com seu primeiro disco, Fortress Round My Heart , tem conseguido boas críticas e sua performance ao vivo impressiona, tanto quanto a sinceridade com que sua voz rouca canta desamores e bebedeiras. Longe de ser a mais nova candidata a diva problemática, Ida consegue, entre um copo de uísque e um maço de cigarros, imprimir sentimento e verdade ao que canta, acompanhada por uma boa banda, que dá o tom roqueiro à sua obra.

Compará-la a PJ Harvey seria simplório demais. Há ecos de outras cantoras aqui. Há aquela malícia de menina que cativou tanto quando Lily Allen apareceu; há certa segurança emprestada de Chrissie Hynde e um balanço rocker herdado, por tabela, dos Pretenders. Mas a voz de Ida não encontra comparações justas. Sussurra e grita, sem se perder na afinação, impondo uma personalidade forte, que se basta.

Oh My God, que abre o disco, clama a Deus pela cura, declara não ter controle e constrói o muro que fortifica seu coração. Segue, livre do medo, em Drive Away My Heart, em completa entrega ao amante (Você pode me tratar como quiser / É ok para mim, querido / Me deixe sangrando no chão (...) O amor será a minha sepultura). Mais ensolarada, Louie pergunta se há espaço para ela, sempre bêbada... E claro que há espaço, sempre haverá espaço para a sinceridade cortante de uma jovem como Ida, que na faixa seguinte diz que prefere o rapaz quando ele está nu e, um pouco cruel, lamenta: Ok, você é sexy, mas não é realmente especial!.

Uma breve pausa nas guitarras e vem Keep Warm, balada em que Ida procura conforto em cigarros e cafeína e, singela, diz: Acredite em mim, posso jogar o jogo, pois conheço todas as regras / Acredite, posso fingir, pois estudei todas as máscaras / Mas eu não quero encenar nenhuma peça de teatro com você. Pede perdão na canção seguinte, Forgive me, por ter acreditado em palavras doces emprestadas de um livro qualquer e por ter declarado seu amor a um amante que só se lembrava dela quando bêbado.

Em Stella, ataca de cronista, evocando novamente um Deus profano para contar uma história sobre como conseguir boas drogas e sobre a diferença (ela existe?) entre o amor verdadeiro e o falso. Em In The Morning Light e Queen of the World versa sobre o hedonismo noturno, tema que permeia outras canções, mas aqui vem, especialmente na segunda, mais contundente: Querido Deus / Me deixe ser jovem / Me deixe ficar por favor / Me deixe ficar aqui. E em See Me Throught, com uma melancólica guitarra ¿ como as do fado português ¿ encerra o álbum confessando a seu onipresente Deus: Não posso acreditar em você / Porque tenho medo de que você seja verdadeiro.

Ida transformou em canções suas dúvidas a cerca de Deus, do amor e da vida com destreza admirável a uma estreante tão jovem neste Fortress Round My Heart . Chrissie, PJ Harvey ¿ e até Janis Joplin ¿ podem ficar tranqüilas que seu legado está em boas mãos. E Deus, por favor, ajude a menina a continuar por aqui por mais algum tempo.

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