Ian Gillan supera gripe em show do Deep Purple

Mesmo tossindo muito, o cantor conseguiu levar o show desta sexta, em São Paulo, até o final

Carlos Augusto Gomes |

Ian Gillan é um heroi. O vocalista, de 63 anos, deu uma lição de persistência ao lutar contra uma forte gripe no show que o Deep Purple fez em São Paulo nesta sexta-feira (06). Gillan passou boa parte da noite ou tossindo ou bebendo algo para combater a dor de garganta no fundo do palco. Mas cantou mesmo assim - e sem aliviar.

Num momento, ele mal conseguia cantar por causa da tosse. No segundo seguinte, soltava a voz como se nada estivesse acontecendo. Foi bonito ver um artista veterano, que poderia muito bem cancelar a performance alegando estar sem voz, entregar-se ao público com tanta vontade. Isso só tornou os seus agudos característicos mais especiais.

Veja fotos do show do Deep Purple em São Paulo

O Deep Purple abriu a apresentação com um de seus maiores sucessos (e, consequentemente, um dos maiores clássicos do rock): "Highway Star". No palco, além de Gillan, estavam Ian Paice e Roger Glover, uma das três ou quatro melhores cozinhas (bateria e baixo) já reunidas, e mais o guitarrista Steve Morse e o tecladista Don Airey.

A escolha de "Highway Star" como música de abertura mostrou que o grupo queria mesmo começar o show com força total. E assim foi: logo em seguida, ótimas versões de "Into the Fire" (jóia do álbum In Rock , de 1970) e "Strange Kind of Woman" (outro clássico, presente num dos melhores álbuns ao vivo já gravados, Made in Japan ).

Com menos de quinze minutos de apresentação, a público (que ocupou cerca de metade dos seis mil lugares do Via Funchal) já estava ganho. Por isso, a queda na intensidade da performance que veio em seguida mal foi percebida. Nem os longos e enfadonhos solos de guitarra do pirotécnico Steve Morse chegaram a incomodar.

Desde que substituiu o guitarrista original do Deep Purple, Richie Blackmore, Morse vem recebendo tanto críticas quanto elogios por seu estilo virtuosístico. É sem dúvida um grande músico. Mas, comparado com os econômicos - e nem por isso menos brilhantes - Ian Paice e Roger Glover, ele destoa pelo exagero.

O clima voltou a esquentar quando o show foi chegando ao final. Foi quando o Deep Purple soltou uma sequência matadora de sucessos: a pesada "Perfect Strangers", seguida por uma psicodélica "Space Truckin" e finalizada por, é claro, "Smoke on the Water". Clássico absoluto, um dos maiores riffs de guitarra já gravados, final perfeito.

Mas o grupo ainda voltou para o bis. E Gillan, agora quase sem voz, continuou soltando a garganta. A primeira música, "Hush", foi bastante prejudicada por suas más condições vocais. Já na segunda, "Black Night", ele conseguiu dar um jeito. Com a ajuda da plateia, que fez coro para acompanhar o riff. Mais uma vez, um final perfeito.

O Deep Purple volta a se apresentar em São Paulo neste sábado, também no Via Funchal (Rua Funchal, 65, Vila Olímpia). Ainda há ingressos. Eles custam R$ 130 a R$ 300. O show está previsto para começar às 22h.

    Leia tudo sobre: deep purple

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG