Histeria dá tom para show do Backstreet Boys em SP

Banda fez show único da turnê Unbreakable no estacionamento do Credicard Hall, em São Paulo

Marco Tomazzoni |

Após oito anos de espera, os fãs puderam na noite desta quinta-feira (05), em São Paulo, tirar a frase que estava há tempos na garganta: Backstreets back, alright!. Sim, os Backstreet Boys voltaram ao Brasil e no ar livre, em meio a uma noite muito quente, fizeram milhares de seguidores gritar, gritar muito, característica que não podia faltar na apresentação de uma boy band. Além dos passinhos, claro.

Veja a galeria de imagens da apresentação

Nick Carter e os outros sofreram com
os diversos figurinos no calor / Agnews

No palco montado no estacionamento do Credicard Hall, a tensão era grande antes do show. Bastava um leve vibrar nas cortinas para as garotas ficarem aos berros. Muitas, muitas garotas, algumas com namorado, outras tantas sozinhas, reunidas em grupos de todas as idades. Ao ritmo de uma música tocada nos alto-falantes, entoavam uma espécie de grito de guerra: Backstreet Boys é demais. Como resposta, apenas a brisa e o forte cheiro que vinha com ela do rio Pinheiros.

De repente, cai a cortina. Comoção e lágrimas. Os atuais quatro rapazes ¿ o quinto elemento, Kevin Richardson, pediu afastamento em 2006 ¿ estão vestidos com roupão de lutador, de costas. Um a um, são apresentados pelo narrador do confronto ao som do clássico Eye of the Tiger e seguem para um ringue erguido no cenário. Sem perder tempo, a abertura acontece com Larger than Life, grande sucesso do grupo.

É a hora do espectador também perceber que se trata de uma boy band genuína ¿ eles dançam! Sincronizados, emendam uma sequência de passos que tem como melhor elogio lembrar o Jackson 5, a fonte de todos os grupos de garotos. Eles pulam, abrem os braços, ajoelham-se no chão, colocam a mão no queixo, fazem ar de mistério, tudo, aparentemente, sem playback. Na década passada, a performance ingênua arrancaria suspiros e admiração. Hoje, parece equivocada, ainda mais nos pés de homens na casa dos 30 anos.

Mas eles provocam, e o público feminino gosta. Tiram o roupão e deixam à mostra calças e camiseta pretas, jaqueta de couro. Rebolam, encarnam Elvis Presley e fazem movimentos pélvicos, para alegria das presentes. Tem muitas garotas bonitas aqui esta noite. A coisa está quente!, brinca Howie Dorough, de terno, limpando o suor do rosto. Mais tarde, AJ McLean apimenta mais: Vocês são as mulheres mais lindas do mundo, elogia, seguro dos gritos que vem em retorno. Se eles ainda conseguem inspirar desmaios, anos depois do auge? Pode apostar. Os seguranças serviam de ambulância, correndo de um lado para outro rumo ao posto médico.

Em menor número, os homens reagem de forma diferente. Há aqueles que berram tanto quanto as companheiras de show, sem qualquer pudor; os que cantam a plenos pulmões, mas baixam a voz, cautelosos, ao ver outro homem se aproximar; e os calados, na maioria companhia para as interessadas aproveitarem a noite. São elas que notam e se divertem com as diversas trocas de figurino e cenário.

No longo repertório de 25 músicas, destacam-se as baladas que fizeram a fama do grupo e diversos hits, espalhados por sete álbuns e incríveis 80 milhões de cópias vendidas. A não ser as fãs de carteirinha, que toparam desembolsar R$ 350 para se esgoelar na pista vip cantando as canções do fracassado Unbreakable (2007), era difícil ver alguém se empolgar de verdade com as duas variantes do quarteto: o romantismo regado a 12 colheres de açúcar e o dance-pop genérico.

A coisa muda de figura se falarmos dos sucessos. Em alta rotação na MTV brasileira na virada dos anos 2000, os clipes ajudaram os Backstreet Boys, praticamente adolescentes, a se tornarem estrelas. Por isso, os vídeos originais passavam no telão e, ao vivo, o grupo mantinha a rotação em alta com I Want It That Way, Show Me the Meaning of Being Lonely, Quit Playing Games With My Heart e As Long As You Love Me. É hoje que vou morrer do coração, desabafa uma fã.

No espaço reservado no show para músicas das carreiras solo dos integrantes, havia uma empolgação respeitosa. Era evidente que servia para aproximar o público de cada um deles e reafirmar seus personagens: Howie, o latino (em uma faixa com pitada de salsa); AJ, o malandro (rock farofa); Brian Littrell, o bom moço (defendeu uma música de seu álbum cristão); e Nick Carter, o festeiro (melhor sucedido dos três, em ritmo dance).

O melhor momento da noite é também o mais óbvio. No encerramento, Everybody, talvez a mais conhecida música dos Backstreet Boys, promove catarse e a casa vem abaixo. Todos pulam, todos cantam o refrão. Inserir um trecho de Whoomp! (There It Is), então, só deixa a tarefa mais fácil e lá vem o coro de utererê, a maravilhosa adaptação para o português.

É por causa de vocês que continuamos juntos há 16 anos, diz Brian, antes do grupo sair de cena. Na volta para o bis, todos retornam vestindo uma camiseta personalizada da Seleção Brasileira, com os nomes atrás. Nas mãos, uma faixa: Nossos esforços foram compensados. Obrigado! Nos vemos na próxima turnê. Vamos sempre amar vocês.

Uma chuva de papel picado é o sinal para que comece a tocar Shape of My Heart e sucedem-se os gritos, aqueles mesmos do início, mas agora mais fortes pela emoção do final. Eles vão embora e, além de um posto médico cheio e gargantas inflamadas, deixam a sensação de que envelheceram, assim como os fãs, e aí está o segredo. Mesmo com pêlo no rosto e barrigas começando a crescer, os Backstreet Boys ainda conseguem ser ao menos um esboço do que já foram, o suficiente para satisfazer a memória afetiva.

Veja o setlist do show no estacionamento do Credicard Hall:

"Larger Than Life"
"Everyone"
"Any Other Way"
"You Can Let Go"
"Unmistakable"
"I Want It That Way"
Howie solo: "She's Like The Sun"
"Show Me The Meaning of Being Lonely"
"More Than That"
"Trouble Is"
"Incomplete"
A.J. solo: "Drive By Love"
"Panic"
Nick solo: "I Got You"
"Quit Playing Games With My Heart"
"As Long As Love Me"
"All I Have To Give"
"I'll Never Break Your Heart"
"Inconsolable"
Brian solo: "Welcome Home"
"The One"
"Treat Me Right"
"The Call"
"Everybody"
BIS
"Shape of My Heart"

    Leia tudo sobre: backstreet boys

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG