Gutter Twins são reverenciados em show em SP

Greg Dulli e Mark Lanegan unem carreiras em clima solene

Tiago Agostini |

Quando as luzes diminuíram e Greg Dulli e Mark Lanegan entraram no palco impecavelmente vestidos de preto, o clima solene que tomou conta do Bourbon Street, em São Paulo, dava o tom do que seria a noite do primeiro dia de julho de 2009. Sentados em frente ao palco ou se acotovelando na plateia para conseguir o melhor ângulo, cerca de 500 pessoas esperavam ansiosamente por aquele que prometia ser um dos shows do ano em solo brasileiro ¿ Uma Noite com Greg Dulli e Mark Lanegan.

Os dois são ícones dos anos 90, responsáveis por duas bandas fundamentais do período (Screaming Trees e Afghan Whigs). Amigos de longa data, eles se reuniram para formar o Gutter Twins (Gêmeos da Sarjeta). Entre o fim de suas bandas e a parceria oficializada, ambos passearam por diversos projetos ¿ Dulli no Twilight Singers, Lanegan em carreira solo, em parceria com Isobel Campbell (do Belle & Sebastian), em alguns discos do Queens of The Stone Age e participando inclusive de discos e shows do Twilight Singers de Dulli. Foi um apanhado das várias facetas de suas carreiras que eles apresentaram em pouco mais de uma hora de show.

A dupla não poderia ter escolhido nome melhor para batizar a união oficial de suas carreiras. A voz rouca e cavernosa de Lanegan, que até cheira a álcool e sai rasgada pelos anos de uso do cigarro, e as letras dolorosas de Dulli representam de forma emblemática o sofrimento daqueles que amam demais ¿machucando-se de verdade ¿ e mergulham na sarjeta por isso. No palco, apenas com dois violões (e um teclado eventual) os quase gritos limítrofes de Dulli e os graves de Lanegan se encaixam como duas metades perfeitas.

Portanto, quando Dulli canta sobre o fim de um romance it holds my arms down, sits upon my chest (meus braços estão presos, meu peito pressionado em tradução livre) na linda IF I Were Going, não é difícil entender porque o público está de olhos fechados, cantando baixinho. Todo mundo já sofreu por amor, se sentiu encurralado numa situação dessas. Não por acaso, os grandes momentos de Dulli no palco foram as músicas de sua primeira banda ¿ What Jail Is Like (como IF I Were Going do disco Gentleman , um dos clássicos indies da fossa) e Summers Kiss (do disco Black Love ), época em que ele usou ao máximo a dramaticidade da poesia.

O silêncio reverente que dominou a apresentação era cortado sempre ao final de cada canção com os aplausos efusivos de uma plateia que esperou por mais de 15 anos para se encontrar com dois de seus grandes ídolos. Ou então nas músicas do Screaming Trees, Sworn and Broken e Dollar Bill, quando o público cantou junto cada sílaba e a verve de respeito passou a ser de celebração, de uma felicidade genuína como as coisas simples da vida.

Mas, de alguma forma, a real importância dos músicos só pode ser notada quando cerca de 15 minutos após o fim do show eles voltaram ao palco para cumprimentar o público e dar autógrafos. Aglomerados, os fãs se dividiam e se empurravam para alcançar um dos ídolos e tremer as pernas com um autógrafo no disco favorito. Ver pessoas já maduras protagonizando cenas quase adolescentes de uma forma tão sincera dá a dimensão do significado de Dulli e Lanegan para o rock contemporâneo.

Confira a lista de músicas da apresentação:

"The Body"
"God's Children"
"The Stations"
"If I Were Going"
"Sworn and Broken"
"Down The Line"
"We Have Met Before"
"Creeping Coastline of Lights"
"Resurrection Song"
"The Twilight Kid"
"King Only"
"Sunrise"
"Summer's Kiss"
"The River Rise"
"Sunset Machine"
"I am in the Heavenly Way"

Bis

"What Jail Is Like"
"Dollar Bill"
"Three Hours"

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