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Guillemots BR Red

Katia Abreu |

Por Katia Abreu

A capa deste segundo álbum do Guillemots traz um emaranhado de fios, formando uma bola vermelha. Essa imagem é uma boa pista para descrever Red . Fyfe Dangerfield nos leva a caminhos tão diversos neste disco, que, apesar de a maioria das canções isoladamente serem interessantes, o conjunto, como álbum, soa como um amontoado de pretensões artísticas dispersas que deixam mais dúvidas do que certezas em relação à banda.

A grandiloqüência de Kriss Kross, com arranjos de cordas, sopros e melodia épica, que abre muito bem o disco, se esvai logo na faixa seguinte, Big Dog, com suas nuances de r&b a la Timbaland. Uma boa música, que certamente funcionará bem nas pistas (como o single Get Over it), mas que no contexto do disco, soa deslocada. A balada Falling Out Of Reach é singela, pop, doce e bem arranjada; assim é também Words, na qual Dangerfield lembra bons momentos do U2. Mas Clarion e Cockateels remetem a George Michael; Last Kiss mantém esse clima exagerado, característico da virada dos 80 pros 90.

O problema de Red é a overdose de informação que temos ao terminar de escutá-lo. O emaranhado de fios que o Guillemots traz neste disco se torna confuso, faz com que boas canções pareçam perdidas em meio a tanta vontade de ser grande e pop. Um pouco mais de parcimônia na produção poderia confirmá-los como possíveis sucessores do U2 na linhagem pop; como aquele Coldplay menos bunda mole que se anunciava em seu disco de estréia. A vontade de ser Bono Vox não acomete só a Chris Martin, mas também a Dangerfield. Há de se ter cuidado com a megalomania. Afinal, foi ela que enterrou as boas intenções do próprio U2.

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