Grupo Ska Maria Pastora une ritmo jamaicano ao frevo

Grupo pernambucano está no momento de finalização do seu primeiro disco

AE |

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A banda pernambucana Ska Maria Pastora
Durante a apresentação no Bleecker St., no bairro da Vila Madalena, em São Paulo, nove jovens sobem ao pouco e, já nas primeiras notas, embaladas por um naipe de metais imponente e afinadíssimos, agitam o público com suas composições cheias de ritmo e suingue. Estamos falando do Ska Maria Pastora, grupo instrumental formado em 2008, na cidade de Olinda, em Pernambuco. Segundo Deco Trombone, como o próprio nome já diz, trombonista do grupo, os integrantes sempre se juntavam para "tirar um som", e pensavam em manter aqueles encontros como forma de esquentar as "turbinas instrumentais". Foi desses encontros que nasceu a banda. "Percebemos que tínhamos interesses em comum e também que os ritmos jamaicanos e do frevo se casavam."

Formada por Leo Oroska (Percussão), Deco Trombone, Victor Magall, (Guitarra) Jayme Monteiro (Guitarra), Sanzyo Rafael (Bateria), Leo Vinesof (Teclado), Valdir Pereira (Baixo), Augusto França (Trompete) e Edson Faro (Sax) o grupo tenta driblar a agenda para assumir, além da banda, outros projetos musicais. Influenciada por Capiba e Nelson Ferreira, importantes figuras do frevo pernambucano, e pela banda The Skatalites, principal expoente do ska, gênero musical que teve sua origem na Jamaica dos anos 50, combinando elementos caribenhos, como o mento e o calipso, e estadunidenses como o jazz, jump blues e rhythm and blues, a Ska Maria Pastora usa as harmonias de clássicos do frevo para envenenar esse segmento da música jamaicana.

O resultado é uma música efervescente, dançante e totalmente contemporânea para chacoalhar qualquer pessoa presente em suas aparições por bares e casas de shows de todo o País. O grupo tem uma unidade excepcional, eles conversam entre si com apenas um toque instrumental. "Temos muita sintonia, isso facilita a presença de palco", complementa Deco. Ele ainda diz que a intenção da banda é se manter assim, totalmente instrumental. "Se colocarmos vocal na banda perderá todo o sentido da proposta."

Deco, por exemplo, dança o tempo todo no ritmo do trombone. "Acho importante criar essa intimidade com o instrumento e com o público já que é isso que torna as bandas instrumentais mais atraentes." Essa intimidade da qual fala o trombonista é bem visível quando se faz uma incursão em bares da capital paulista. A cada dia que passa mais e mais bandas instrumentais tem atraído o interesse da juventude. Dentre essas podemos citar as releituras feitas pela Orquestra Brasileira de Música Jamaica e porque não, numa outra linha, o excepcional trabalho de Bocato e Banda, que por onde passa mantém a casa cheia.

A Ska Maria Pastora está no momento de finalização do seu primeiro disco. No repertório a maior parte das composições é autoral. O grupo também apostou em duas releituras bem interessantes, a música Cabelo de Fogo (Maestro Nunes), e o Hino do Elefante de Olinda (Clídio Nigro), clássicos frevos pernambucanos. O CD conta ainda com a participação de figuras importantes da música instrumental. Entre eles destaque para Parrot, integrante da Orquestra Brasileira da Bomba do Hemetério, Fabinho Costa, trompetista do Djavan, e Nilsinho Amarante, do Quinteto Trombonada. Com produção de Yuri Queiroga, o trabalho da grupo pode ser conferido no início do próximo semestre.

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