Grupo da caçula de Tom Jobim mistura jazz com Britney Spears

Luiza Jobim é uma das vocalistas da banda Baleia e se esforça para não se apoiar na fama do pai

Luisa Girão, iG Rio de Janeiro |

Uma banda de nome inusitado – Baleia –, com um som sofisticado que junta pitadas de jazz-canção temperadas com referências improváveis como Britney Spears ou Justin Timberlake e ainda adicionadas a instrumentos pouco convencionais e corajosos para uma banda iniciante, como violino e acordeão, já seriam elementos suficientes para chamar a atenção. Mas, por mais que se tente ser blasé diante da informação, o som de um pequeno sobrenome, de apenas cinco letrinhas, associado a uma das integrantes do grupo acaba atraindo os ouvidos de qualquer um. Luiza Jobim, vocalista da banda Baleia, faz de tudo para que isso não aconteça. Mas é difícil.

Filha caçula de Tom Jobim, a cantora afirma que a banda não quer se ater a rótulos. “Claramente existe um interesse de fora e dos jornalistas. Mas quem nos conhece, sabe que a nossa música não tem nada a ver com Tom Jobim”, afirmou ela, que nunca imaginou seguir por esse caminho. “Cresci com muitos ensaios na minha casa, muitos músicos. Isso influencia, com certeza. Mas demorei muito para querer fazer música. Fiz cinco anos de faculdade de arquitetura, totalmente desencontrada. A Baleia é minha primeira banda”.

George Magaraia
Felipe Pacheco, Sofia Vaz, David Rosenblit, Luiza Jobim, Cairê Rego, João Pessanha e Gabriel Vaz: banda Baleia
Além de Luiza, a banda ainda tem David Rosenblit (piano), Cairê Rego (baixo), os irmãos Gabriel e Sofia Vaz (voz), Felipe Pacheco (violino e guitarra) e João Pessanha (bateria). Os dois primeiros, também são filhos de músico, o pianista e arranjador Alberto Rosenblit, responsável por inúmeras trilhas de novelas e programas da TV Globo, e o baixista Paulo Rego, respectivamente.

O grupo costuma falar em uníssono. Os integrantes não estão interessados em convites quando o enfoque é outro que não a banda. “Tentamos lidar com isso da melhor forma possível. É natural o interesse. Já que Tom Jobim é uma referência, as pessoas querem saber se tem algo a ver. Mas não usamos isso para conseguir nada”, afirma Gabriel.

George Magaraia
Luiza Jobim
A estratégia parece estar dando certo. Formado por amigos de colégio, o grupo está impressionado pelo ritmo que as coisas estão acontecendo. “Começamos a conversar em setembro do ano passado, e nosso primeiro show foi em fevereiro”, lembra David. E tudo começou de uma brincadeira. A vocalista Sophia Vaz conta: “O Cairê, meu namorado, estava tocando um baixo eletroacústico e a gente começou a brincar em casa de tocar e cantar jazz. A ideia de juntar a galera para tocar foi dele. Mas era algo despretensioso, que acabou se tornando essa banda”, explicou.

Música sem preconceito

“O interesse pelo jazz surgiu do desejo de tocar e estudar velhas canções. Mas não nos prendemos a isso. Já temos seis composições próprias e a tendência é aumentar esse número. Não queremos rótulos. Misturamos vários sons. Por exemplo, a canção Jiraya tem uma levada caipira, mas estamos compondo uma que tem batuques afro”, explicou Luiza.

Fãs de Radiohead e de artistas clássicos de jazz como Chet Baker, os integrantes da banda afirmam que não têm nenhum preconceito musical. A canção “Toxic”, da cantora pop tresloucada Britney Spears, que faz show no Brasil a partir desta terça 15, por exemplo, ganhou versão jazzística nas mãos da Baleia. “O que nos interessa é se teremos espaço para criar. Não queremos apenas reproduzir a música e, sim, transformá-la”, explica Gabriel.
George Magaraia
Luiza Jobim e Gabriel Vaz são amigos desde crianças


Até o lançamento do seu primeiro álbum, previsto para o próximo ano, a banda tem adotado formato cada vez mais popular para divulgar suas músicas. “Nós vamos lançando clipes nas redes sociais. Começamos fazendo um ou outro, mas se tornou nossa estratégia”, diverte-se Felipe.

Enquanto isso, a Baleia faz apresentações esporádicas, mas sonha em fazer uma grande turnê. “Começamos como uma brincadeira, mas já temos grandes metas. Queremos gravar nosso CD, ter um repertório autoral, abrir um show do Radiohead e sair viajando por aí, levando nossa música”, afirma Gabriel.

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