Gotan Project toca em praça lotada de Olinda

Grupo de tango eletrônico transformou rua em salão de baile argentino; noite da MIMO começou com brasileiros do Azymuth

Tiago Agostini, enviado especial a Olinda |

Os argentinos do Gotan Project subiram ao palco da MIMO – Mostra Internacional de Música de Olinda nesta quinta-feira (8) com sua proposta sonora ousada: rejuvenescer o tango tradicional, misturando elementos de música eletrônica, blues e outros ritmos. Independente das invenções, o que se ressalta na música do grupo são os elementos tradicionais. É impressionante como a dramaticidade do bandoneon, com seu som próximo da sanfona nordestina, consegue emocionar um público tão distinto e distante 4,8 mil km dos salões escuros de Buenos Aires. Se existe uma rivalidade entre Brasil e Argentina, ainda bem que existe a música para derrubá-la.

Renato Spencer/Santo Lima
Praça do Carmo, em Olinda, completamente lotado, para assistir o grupo Gotan Project
Como já cantou Belchior, temos, cada um de nós, muitos anos de América do Sul e, por força deste destino, um tango argentino nos vai bem melhor que um blues. No palco da lotada Praça do Carmo, ao ar livre, o Gotan Project parece conhecer a sentença. Este é o mais popular dos shows da edição 2011 da MIMO e o grupo percebe a responsabilidade. O trio (no palco, um septeto) não poupa esforços para agradar - nem que para isso precise citar um trecho de Lady Gaga ou improvisar um sambinha no meio de um tango.

Renato Spencer/Santo Lima
Gotan Project: jogando para a torcida
Para auxiliar o show, o Gotan Project utiliza vídeos especiais projetados no palco como um elemento intrínseco da música. Em "Rayuela", por exemplo, uma homenagem ao escritor argentino Julio Cortázar, as imagens mostram uma mulher com uma máscara que lembra um cavalo, porém com chifres, tal e qual o realismo fantástico de um conto do autor. Tudo para quebrar as barreiras e transformar Olinda em um salão de baile argentino.

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Se a noite terminou latina, começou com a brasilidade suingada do Azymuth. O trio veterano dos anos 70, que poucas vezes se apresenta no Brasil, mostrou sua mistura de jazz, soul, funk e ritmos brasileiros para uma Igreja do Seminário lotada - aliás, com todos shows gratuitos, a MIMO não conhece falta de público, independente do clima.

Amparados pela virtuose em seus instrumentos, Ivan Conti "Mamão" (bateria), Alex Malheiros (baixo) e José Roberto Bertrami (teclados) atacaram com versões de "what's Going On" (Marvin Gaye) e "Águas de Março", mas brilharam de verdade em seus temas instrumentais - destaque para o longo solo de bateria de Mamão. O fechamento contou com "Linha do Horizonte", sucesso da banda nos anos 70.

* O repórter viajou a convite do festival

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