Gorillaz encerra último dia do festival Coachella

Terceiro dia da festa no deserto norte-americano também teve Pavement e Julian Casablancas

Lúcio Ribeiro, enviado a Indio, Califórnia |

A banda de "mentira" Gorillaz fez um show de verdade ontem, no encerramento do mais lotado festival de Coachella da história. Na décima edição do maior evento de música e artes do solo americano, que agora em 2010 arrastou 75 mil pessoas (fora vips e artistas) ao deserto de Indio, viu um Gorillaz mais real, dando as caras, do que uma banda de desenho animado, o que fora as músicas é a graça da história.

Não que tenha sido ruim, porque afinal tanto as músicas mais batidas quanto as do bom disco novo são muito bem recomendadas para fazer o clima "viagem" rock-eletrônico em megafestivais. Mas não dá para esconder um pouco o sentimento de traição ao visual-conceito da banda, mesmo com os supertelões do palco, que contou até com a participação virtual do rapper Snoop Dogg na canção que abriu o show, "Welcome to the World of Plastic Beach", primeira faixa do recém-lançado segundo álbum.

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Stephen Malkmus, líder do Pavement: festival proporcionou volta aos anos 1990

Antes do Gorillaz, o Coachella 2010 recebeu a grande volta do cultuado Pavement, banda indie anos 90 que influenciou 80% do rock underground que foi surgindo depois, bandas brasileiras incluídas.

O guitarrista Stephen Malkmus e seus amigos tiozinhos mostraram um gás adolescente em cima do palco principal do festival, num glorioso retorno que já os diferencia da maioria dessas bandas antigas que voltam parecendo covers de si mesmas. Arriscaria dizer, inclusive, se o show do Coachella servir de base para o momento atual, que o Pavement está tocando ao vivo melhor agora do que lá nos anos 90, quando tocar de modo confuso, em estilo desencontrado e lo-fi, era uma de suas deliciosas marcas.

Mas a nova geração não pareceu muito empolgada para ver o Pavement retomar sua importante trajetória. O público que se juntou para ver o bombado grupo francês Phoenix, que tocava quase ao mesmo tempo no palco ao lado, era pelo menos três vezes maior.

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Julian Casablancas: apesar da pena na orelha, show bom, com Strokes no repertório

Surpreendentemente boa foi a apresentação solo do Julian Casablancas, dos Strokes, que levou uma multidão para a tenda em que tocava mais pelo que atrai sua "banda oficial" do que pelo recebimento de crítica e público de seu disco solitário, lançado no final do ano passado.

Talvez em resposta aos que o categorizam de "devagar" quando desacompanhado de seus parceiros da banda principal, Casablancas começou a toda velocidade, com a ótima "Left & Right in the Dark" de seu disco próprio e em versão acelerada, para seguir direto na segunda música com o hit "Hard to Explain", dos Strokes mesmo, em pique a não dever nada a seus companheiros da banda famosa. Daí para frente o show do stroke solitário estava ganho até o final. Teve até música de Natal em pleno abril, mas ninguém pareceu se importar.

O último dia do Coachella teve ainda, como destaques, a elogiada performance de Thom Yorke, sem seus amigos do Radiohead na banda suporte, mas com Flea dos Chili Peppers no baixo, fazendo seu show "viajante para atrair extraterrestres". No desertão do Coachella, isso faz muito sentido.

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Thom Yorke se apresentou sem o Radiohead, mas ao lado de Flea, em performance elogiada

A britânica Florence & the Machine arrastou um inacreditável público para seu irregular show no meio da tarde. Muita gente dentro da tenda, muita gente fora também. O indie inglês está em grande fase nos EUA, graças à internet.

Não muito cheia ficou a tenda em que a senhora Charlotte Gainsbourg, atriz, cantora e filha de Serge, tocou, também à tarde. Merecia mais público seu som cool misto de eletrônico, rock e cabaré, ora em francês, ora em inglês. Mas, em um Coachella superlotado acima do nível aceitável, um show com público apenas razoável significava às vezes um oásis no deserto.

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