Gang of Four virá ao Brasil com show do novo álbum

Banda fará apresentação gratuita em São Paulo, dentro do Festival Cultura Inglesa

AE |

Divulgação
Gang of Four
A conexão entre o minimalismo jamaicano e a cena punk inglesa é nítida nos primeiros discos do seminal quarteto Gang of Four, em que o espaço negativo é tão importante quanto as guitarras certeiras de Andy Gill. "Eu escutava muito dub reggae quando nós formamos a banda. E percebi a beleza de deixar as coisas de fora", conta Gill, líder do quarteto que voltou à ativa com um novo disco no ano passado e virá ao Brasil no fim deste mês para o festival Cultura Inglesa.

"No dub, você escuta a guitarra e aquele ritmo gostoso do rocksteady. De repente, a guitarra se vai, o baixo se vai e tudo o que sobra é a bateria e um espaço maravilhoso. Você espera os outros instrumentos voltarem, e quando voltam é fantástico", explica.

A tradução dessas artimanhas de mixagem para um formato ao vivo foi uma das sacadas do Gang of Four no fim da década de 70, época em que surgiram na crista da segunda onda de punk, conhecida como o new wave ou o pós-punk. Nas canções, discurso político se misturava com funk, rock and roll e tudo o que tivesse glicerina rítmica, uma combinação genial que influenciou bandas como Red Hot Chili Peppers, cujo primeiro disco foi produzido por Gill, Rage Against the Machine e INXS.

"Certa vez, o Flea (baixista do Chili Peppers) me disse que estava surpreso que eu nunca havia processado ele", conta Gill. Mas a marca do Gang of Four não parou por aí. No início da década passada, os riffs de Gill tiveram netinhos na música de Franz Ferdinand, Bloc Party, LCD Soundsytem e outros expoentes de um revival de pós-punk que continua forte em diferentes encarnações até hoje.

Para Gill, as referências contínuas à sua música são coisas de época. "Em 77, quando fizemos nosso primeiro show, os Sex Pistols e o Clash já eram famosos, então acho que o público estava aberto a novas ideias e experiências. O público varia entre o conservador e o vanguardista durante as décadas. Hoje em dia, acho que estamos passando por uma fase conservadora", pondera o guitarrista, que começou a criar sua própria linguagem musical aos 13 anos, quando tocava guitarra, mas não conseguia tirar os solos de seu ídolo, Jimi Hendrix, com perfeição.

"Essa ideia de buscar um idioma novo já era algo instintivo para o Gang of Four desde o começo. Eu lembro que achava o John Lee Hooker e o Muddy Waters maravilhosos, mas também pensava que o que eles cantavam, a sexualidade do negro na América, estava longe da minha realidade. Assim, achava levemente falso e ridículo que tantas bandas de brancos ingleses cantassem assim", lembra.

Em vez de partir para a sensualidade do rock and roll, as letras abordavam o discurso político e a realidade econômica inglesa, para Gill, uma temática pouco abordada desde as canções de protesto de Bob Dylan durante a era dos direitos civis. Desde o ápice, nos anos 80, a banda vai e volta. Já estiveram aqui em meados da década passada, acompanhando os Cardigans. Agora, com o álbum "Content", voltam à ativa com canções novas.

Serviço

Festival Cultura Inglesa
Parque da Independência (Avenida Nazaré, s/n, Ipiranga)
Domingo (29/05)
Entrada gratuita

Programação

18h30 - Gang of Four
17h - Miles Kane
15h30 - Blood Red Shoes
14h15 - Mockers toca Beatles
13h - Cachorro Grande toca The Who
12h - Broth3rhood
11h30 - Lady Luck
11h - Cadillac Bourbon

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