Frevo e sucessos amparam Moraes Moreira em SP

Cantor fez pré-estreia do álbum ao vivo ¿A história dos Novos Baianos e outros versos¿ no Teatro Fecap

Marco Tomazzoni |

Com 40 anos de estrada, Morais Moreira se viu refletindo sobre a vida. Sentou, lápis na mão, e escreveu A história dos Novos Baianos e outros versos, em que repassa, na métrica de cordel, sua trajetória ao lado de Galvão, Pepeu Gomes, Baby do Brasil e Paulinho Boca de Cantor, além, claro, da carreira solo. O livro virou DVD e álbum ao vivo e, enquanto a turnê de lançamento não estreia, Moraes mostrou uma prévia ontem à noite, no primeiro de três shows marcados no Teatro Fecap, em São Paulo.

Acompanhado por um excelente trio ¿ Marcos Moletta, guitarra, Augusto Albuquerque, baixo, e Cesinha, bateria ¿, Moraes abriu a noite com Ferro na boneca, do álbum de estreia dos Novos Baianos. Na sequência, ainda com o violão nas mãos, debaixo de um spot de luz, declamou versos do livro, expediente que permeia todo o espetáculo, para contar histórias dos jovens que quebravam tabus no tempo dos generais. Histórias que todo mundo conhece, mas que soam muito melhores na voz de um dos protagonistas.

A voz de Moraes já não é mais a mesma ¿ os agudos se foram, a potência não vai longe ¿, mas as canções fazem o trabalho por ele. Difícil ficar indiferente aos clássicos dos Novos Baianos, em especial a Mistério do Planeta, A menina dança e a própria Acabou chorare, que dá nome a um dos maiores discos da música brasileira. O público acompanhava tímido até chegar Preta pretinha: a partir daí, cantou junto e levou o resto do show na palma da mão, no ritmo e nos aplausos. Destaque para o excepcional Moletta que, seja na guitarra ou na pequenina guitarra baiana, fez de tudo para substituir Pepeu Gomes à altura.

Na transição para a segunda parte do show, Moraes fez um discurso sincero sobre sua separação do grupo. Sem versos, contou que nunca ninguém se separa numa boa, isso é papo furado. Disse que deixar o sítio onde a banda vivia em comunidade no Rio de Janeiro foi um dos momentos mais difíceis de sua vida, mas que precisava cuidar melhor dos filhos. A mudança fez com que ele se direcionasse para os ritmos regionais e mergulhasse de cabeça no frevo, caso da excelente Pombo correio. A parceria com Dodô e Osmar, criadores do trio elétrico, foi um marco na carreira de Moraes e repercute até hoje.

Um pequeno bloco no meio da apresentação abriu espaço para músicas inéditas, como Brasileira academia, uma homenagem aos escritores do país, e até um afago tardio na bossa nova, com Chega de saudade. Dali em diante, só deu o frevo eletrificado de Moraes. Qualquer rastro de timidez foi arrastado por Eu também quero beijar e Bloco do prazer e a plateia se reuniu nas extremidades do teatro para brincar um gostoso carnaval fora de época.

No fim do bis, Moraes se despediu com a inédita Quem disse que o frevo acabou?, um atestado de que o baiano de Ituaçu ainda tem muita coisa para mostrar. Ele volta ao palco do Teatro Fecap neste sábado, às 21h, e domingo, às 19h. Veja a lista de músicas da primeira noite:

Ferro na boneca
Colégio de Aplicação
Dê um rolê
Brasil pandeiro
Mistério do planeta
A menina dança
Acabou chorare
O samba da minha terra
Pombo correio
Preta pretinha
Brasileira academia
O samba dá
Chega de saudade
Lá vem o Brasil descendo a ladeira
Forró do ABC
Eu também quero beijar
Spok frevo Spok
Bloco do prazer
Festa do interior
Bis
Coisa acesa
Quem disse que o frevo acabou?

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