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Cultura
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Empresário nega possibilidade de uma reunião do Led Zeppelin

Redação iG Música |

Acordo Ortográfico

Gilberto Gil está de volta. Ontem à noite, no Citibank Hall, em São Paulo, o cantor fez seu primeiro show em São Paulo depois de deixar o Ministério da Cultura e o segundo no Brasil da turnê Banda Larga Cordel, que antes viajou pela Europa apresentando seu último álbum. Mais do que tudo, o espetáculo serviu para passar o atestado de que os quase seis anos de terno e gravata não afetaram definitivamente a voz do cantor baiano ¿ Gil mostrou forma impecável e um show com vigor de menino, capaz de conquistar até a cabrita mais arredia.

Veja galeria de fotos do show em SP

Até então, ele vivia se queixando dos problemas que a vida política traziam à sua carreira artística. Sempre preparei minha voz para cantar, mas estava fazendo discursos apenas. Minha voz estava ficando muito maltratada pela fala, explicava de quando em quando. O remédio veio em março, na forma de uma cirurgia para remover um pólipo nas cordas vocais. Santo remédio, porque os agudos que são a marca registrada de Gil estão de volta, poderosos como sempre, acompanhados por um rebolado de dar inveja.

O início do show se deu com os ruídos de um celular reprocessados nas caixas de som e replicados nas guitarras e teclados da banda de apoio. Na sequência Gil entrou em cena para cantar Banda Larga Cordel, que também é o carro abre-alas do disco homônimo. O álbum, de fato, é a grande fonte do repertório, de onde foram tiradas dez músicas.

Se Banda Larga Cordel não é uma das estrelas mais brilhantes da constelação que é a discografia de Gil, comprova que ele ainda tem força para composições luminosas, contrapondo ritmos regionais e sua fascinação latente pela tecnologia. Mas o regionalismo não falou mais alto no show, ao contrário do que vinha acontecendo nas turnês de Gil desde o álbum São João Vivo. O samba e o baião estavam ali, ditando as cartas, mas eram as três guitarras, baixo, teclado, bateria e percussão que esfregavam sua potência nos ouvidos do público, telegrafando a mensagem de que o rock e o pop ainda correm velozes nas veias do baiano.

O público, aliás, se manteve comportado nas cadeiras boa parte da noite, mesmo ao ouvir Gil apresentar vários galhos da árvore genealógica da música brasileira. Ele pareceu nem dar bola, quem sabe por já estar acostumado ao decoro das plateias da Europa. Sempre introduzindo o ritmo no microfone, o ministro passou pelo contagiante samba da Bahia (Andar com Fé), o choro (Gueixa no Tatame), o xote (Despedida de Solteira), o xaxado (Não Grude, Não).

Um dos melhores momentos do show foi o bloco reflexivo iniciado por O Oco do Mundo. Sombria, adornada por um beat eletrônico, pandeiro e guitarra comandando o refrão, a música contou com uma iluminação especial em cima de Gil, que abusou da dramaticidade para ilustrar a letra enigmática. O vocal com eco e a agressividade do tambor balançou a plateia, que retribuiu com palmas vigorosas. Em seguida veio Não Tenho Medo da Morte, que no final contou com um coração pulsando na mãos de Gil e nos alto-falantes.

A versão reggae de Something, dos Beatles, espalhou sorrisos e batidas ritmadas pelas mesas; homenagem e diversão na medida certa. Talvez por sentir que está em uma fase que privilegia o rock e o pop, Gil tenha optado por incluir no programa bons momentos de seus incursões por esse território nas décadas de 1970 e 1980. É o caso do hit Palco, de 1981, primeira música a ameaçar tirar o público do lugar. O acento oitentista nos teclados soou de certa forma incômodo, mas nostálgico o suficiente para fazer a plateia cantar junto e ovacionar Gil.

A temperatura continuou alta em Realce, do álbum de 1979 ¿ de onde também saíram Sarará Miolo e Não Chores Mais ¿ e chegou ao pico com Tempo Rei, sucesso do disco Raça Humana (1984), que rendeu ainda Extra II e Vamos Fugir, um dos pontos mais incendiários do bis, já com o Citibank Hall inteiro de pé.

Ao longo da noite, Gilberto Gil deu o recado de que a turnê vai seguir pelo Brasil e pelo mundo até março, quando deve sair o DVD de registro da temporada. Depois tchau, vamos para outro projeto, garantiu. Que seja tão eletrizante quanto esse, Gil.

O show Banda Larga Cordel acontece de novo neste sábado, também às 22h, no Citibank Hall. Os ingressos vão de R$ 70 a R$ 140. Veja o setlist da noite de ontem:

Banda Larga Cordel
Extra II, O Rock do Segurança
Os Pais
Olho Mágico
A Faca e o Queijo
Andar com Fé
Gueixa no Tatame
Despedida de Solteira
Não Grude, Não
O Oco do Mundo
Não Tenho Medo da Morte
Se Eu Quiser Falar com Deus
Something
Sarará Miolo
Palco
Realce
Tempo Rei
Bis
La Resistence Africaine
Vamos Fugir
Não Chores Mais (No Woman No Cry)

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