Foo Fighters encerra Lollapalooza Chile com duas horas e meia de aula de rock

MGMT, Foster the People, TV on the Radio: saiba como foi o segundo dia do festival, que ganha versão brasileira no final de semana

Augusto Gomes, enviado a Santiago | 02/04/2012 09:57

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O Foo Fighters encerrou neste domingo (01) a edição chilena do festival Lollapalooza com um show superlativo. Não apenas na duração - 23 músicas em duas horas e meia de performance - como também na qualidade: da escolha do repertório à energia com que as canções foram tocadas, passando pela movimentação pelo palco, interação com o público e até participações especiais, tudo foi impecável.

"Formamos essa banda há muito tempo e temos muitas músicas. Vamos tocar o maior número possível de canções, porque nunca viemos ao Chile e Deus sabe quando conseguiremos voltar. Afinal, vocês não querem um show curto, não é?", perguntou o líder do grupo, Dave Grohl, antes de começar a cantar "Learn to Fly", um dos destaques da primeira metade da apresentação.

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Foto: EFE

Dave Grohl, líder do Foo Fighters, durante show no Lollapalooza Chile

O discurso, sob medida para agradar o público, é uma das amostras de como Grohl sabe se comportar como um perfeito astro do rock. Assim como as corridas pelas laterais do palco e pela passarela que o levava até o meio da plateia e aquele balançar de cabeça que imediatamente leva os fãs a fazer o mesmo. Todos os ingredientes da receita de um bom rock de arena estão lá.

A apresentação começou com "All My Life", com Grohl já correndo por todos os lados. Após energéticas versões de "Rope" e "The Pretender", veio o primeiro ponto alto da noite: "My Hero", sucesso de 1997. Diante de uma plateia extasiada, Grohl fez o discurso citado parágrafos acima. Depois, tocou então outro sucesso dos anos 1990, "Learn to Fly", e mais duas do recente disco "Wasting Light", "White Limo" e "Arlandria".

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O bloco intermediário do show teve como destaques as violentas versões de "Breakout" e "Walk". Em "Monkey Wrench", Grohl chamou um garoto da plateia e o colocou sobre os ombros. A reta final da apresentação ainda teve músicas como "This Is a Call", um dos primeiros sucessos do grupo, uma versão de "In the Flesh?", do Pink Floyd, e, para fechar a apresentação, "Best of You".

Mas, antes de tudo acabar, ainda havia o bis. E que bis: começou com Grohl sozinho no palco, interpretando "Wheels". Ele continuou sozinho na música seguinte, "Times Like These", mas o restante da banda se juntou a ele no meio da canção. Com todos então reunidos, foi a vez de uma versão de "Young Man Blues", clássico do blues famoso na versão do The Who.

A canção seguinte foi outra versão: "Bad Reputation", de Joan Jett, com participação especial da própria cantora. Já seria um final impecável para um grande show, mas o Foo Fighters tinha ainda mais um trunfo: "Everlong", talvez a melhor canção de seu repertório, foi a escolhida para encerrar a apresentação após duas horas e meia. Exatamente a duração do show prometida por Grohl.

Foto: EFE Ampliar

Andrew VanWyngarden, do MGMT, em Santiago

Outras bandas

O segundo dia do Lollapalooza Chile teve uma programação intensa. A primeira banda importante da programação, Foster the People, já estava no palco pouco depois das 13h. Teve azar de tocar debaixo de um sol forte - a temperatura em Santiago ultrapassava os 30 graus -, mas mesmo assim reuniu um bom público. Mais até que as duas bandas que tocaram em seguida nos palcos principais, Friendly Fires e Band of Horses.

Quando o sol começou a baixar, aconteceu a primeira grande performance do dia. A banda americana TV on the Radio fez um dos melhores shows de todo o festival, surpreendendo o público com interpretações mais rápidas e pesadas (e ainda assim sem perder a complexidade das versões de estúdio) das músicas de seus quatro álbuns. O melhor exemplo foi "Staring at the Sun", acelerada a ponto de fazer a plateia toda pular.

Outras canções que tiraram o público do chão foram "Caffeinated Conciousness" e "Wolf Like Me". A apresentação terminou com uma surpresa: como ainda havia tempo para mais uma música, o grupo fez uma grande versão de "Waiting Room", do Fugazi. O organizador do festival, Perry Farrell, que havia assistido praticamente à apresentação inteira numa lateral do palco, erá só sorrisos.

Os roadies do TV on the Radio mal haviam começado a desmontar os equipamentos da banda quando Joan Jett iniciou sua performance no palco ao lado. Ela abriu o show com a mesma "Bad Reputation" que, algumas horas depois, iria cantar de novo ao lado dos Foo Fighters. Vestida de preto dos pés à cabeça, aparentava bem menos que os seus 53 anos. E empolgou o público com seu rock sem firulas, cujo destaque foi "I Love Rock'n'Roll".

Depois dela, foi a vez da psicodelia dançante do MGMT. A apresentação dos americanos, no entanto, foi decepcionante. Tanto que, aos poucos, o grupo foi perdendo público. Houve quem preferisse se posicionar no palco onde o Foo Fighters tocaria em seguida, houve quem preferisse descansar num dos muitos gramados do parque O'Higgins. Quem tentou fugir para o show de Skrillex, que tocava num espaço fechado, se deu mal: a arena já estava lotada.

Foto: EFE

Público empolgado durante show no Lollapalooza Chile

Uma boa opção foi se dirigir para um dos palcos alternativos, onde se apresentava a cantora canadense Peaches. A pequena plateia - quando o show começou, menos de 100 pessoas - viu uma das performances mais divertidas do festival: um rock eletrônico debochado, com direito a banhos de champanhe no público, dançarinas fazendo strip tease e uma versão de "Private Dancer", sucesso dos anos 1980 de Tina Turner.

No Brasil

A primeira versão brasileira do festival Lollapalooza acontece no próximo final de semana, no Jockey Club de São Paulo. No sábado (07), tocam Foo Fighters, TV on the Radio e Joan Jett, entre outros. No domingo (08), é a vez de Arctic Monkeys, Jane's Addiction e MGMT.

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