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Fleet Foxes BR Fleet Foxes

Katia Abreu |

Por Katia Abreu

É sabido que existe uma fórmula para o pop perfeito. Aquele tipo de canção que quando ouvimos pela primeira vez nos causa familiaridade e conforto. É sabido também que este formato atingiu seu ápice entre os anos 60 e 70, pelas mãos dos Beatles, dos Beach Boys e dos Zombies. A repetição dessa fórmula vem sendo testada desde então, com mais ou menos sucesso, por diversos artistas. Ultimamente, ela tem aparecido em notáveis desconhecidos que retomam não só sua porção matemática, de estruturas melódicas e arranjos harmoniosos; mas principalmente sua quintessência: aquela simplicidade tão difícil de alcançar, que imprime um brilho natural à música e nos coloca, aos primeiros acordes, um sorriso largo no rosto.

Há hoje na música mais subterrânea artistas empenhados em trazer de volta este espaço-tempo em que as criações dos mestres pop nasceram. Uma floresta, encravada em lugar-nenhum, cercada por montanhas, na qual pássaros dançam entre as copas das árvores e, numa cabana próxima a um lago, um grupo de amigos se reúne para celebrar a vida e o amor. E armam um belo coral para entoar canções sobre a amizade, este bem tão precioso e, também, tão simples. É para esse refúgio que os americanos Robin Pecknold (vocal e guitarra), Skyler Skjelset (guitarras), Bryn Lumsden (baixo), Nicholas Peterson (bateria), e Casey Wescott (teclados) nos levam com as canções de seu disco de estréia, Fleet Foxes .

As belas músicas do Fleet Foxes nos lembram ainda que a canção, antes de ser pop, antes de ser acompanhada por guitarras, antes de ser rotulada como folk ou rock ou no grande balaio da psicodelia, antes disso tudo, a melodia e a harmonia encontravam expressão na voz humana. E é ela o principal instrumento neste disco. A semelhança com Zombies é notável e, como nas canções do também pouco conhecido grupo inglês, fica aquela sensação de já termos ouvido isso antes. Como se tivessem ido buscar numa espécie de cancioneiro inconsciente coletivo o material para sua música. O clima barroco (principalmente em canções como Tiger Mountain Peasant Song e Your Protector) e a ilustração medieval na capa do disco colaboram neste processo de volta a um passado musical mais longínquo do que a própria história do pop.

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