Festival no Playcenter reúne 20 mil pessoas

Evento de música pop recebeu bandas como Smashing Pumpkins e Phoenix

iG São Paulo |

Cerca de 20 mil pessoas, segundo os organizadores, assistiram a bandas como as americanas Smashing Pumpkins e Pavement e a francesa Phoenix, neste sábado (dia 20), no Playcenter, em São Paulo.

O evento, que reuniu ao todo 15 atrações, transcorreu sem maiores ocorrências graves, embora o público tenha sofrido com filas enormes para comprar fichas de bebida e de comida.

A primeira atração internacional a subir a um dos dois palcos foi a americana Of Montreal. É notório que o grupo é excêntrico, mas não se imaginava tanto. Teatral, o líder Kevin Barnes, espinha-dorsal da banda, entrou em cena usando legging roxa, saia, botas azuis, casaco listrado, maquiagem pesada e faixa no cabelo. A seu lado, alguém manipulava um boneco com cabeça de peixe, máscara de gás, capa vermelha, pernas metálicas e uma arma em cada mão. Os demais integrantes (sete no total), com figurinos tão inusitados tanto, dividiam espaço com dançarinos de macacão prateado, camisa de força, máscaras de porco e por aí vai. Carnaval é pouco. O Of Montreal pode ser exagerado, mas sabe muito bem o que está fazendo.

A banda Yeasayer iniciou seu show quando o público mal tinha começado a ocupar o palco secundário do festival. A banda aos poucos foi conquistando a plateia com seu som cheio de influências de world music (o que lhe valeu o apelido de afro-indie). Músicas como "Tightrope" e "Sunrise" empolgaram na primeira metade da apresentação, mas o grupo sabiamente guardou seus maiores trunfos para o final: "Ambling Alp" e "O.N.E.", dois sucessos de seu segundo e mais recente disco, "Odd Blood".

O cantor e pianista inglês Mika apoia suas melodias em fórmulas já consagradas por gente como Elton John e Prince, mas conseguiu empolgar o público com um show enérgico e bem-humorado. Foi uma apresentação que abriu bem o show dos franceses Phoenix.

O grupo francês encontrou uma plateia ávida pelas músicas do excelente “Wolfgang Amadeus Phoenix”, disco do ano passado. Eles começaram bem, com o arrasa-quarteirão “Lisztomania”, emendaram “Lasso” e aí o hit “Long Distance Call”, do álbum anterior, já não parecia importar muito. O ritmo da apresentação diminuiu e se manteve em ponto morto até a última música, “1901”. O vocalista pulou no meio dos fãs e foi carregado, nadando entre pernas e mãos, até uma plataforma a 50 metros do palco, para dar tchau e agradecer. Bonito, mas muito pouco para o poder de fogo do Phoenix.

Não são muitas as bandas que podem dizer que têm no currículo dois dos maiores hits da década. O Hot Chip, responsável por "Over and Over" (2006) e "Ready for the Floor" (2008), pode. E não foi só isso: no show deste sábado, o grupo britânico provou que não se resume a essas músicas. Numa performance de apenas uma hora (nove músicas), a banda não deu trégua ao público. Um sucesso atrás do outro, começando com "And I Was a Boy from School", passando por "One Life Stand", "Hold On" (talvez o ponto alto do show), "Shake a Fist" e encerrando com "Ready for the Floor".

Do electro dos anos 2000 (Hot Chip) para o rock indie dos anos 1990. O Pavement é uma das mais reverenciadas bandas alternativas dos EUA, mas no Brasil nunca foi muito conhecida pelo grande público. Não era de estranhar, portanto, que a recepção no palco principal do festival tenha sido fria. Depois de dez anos separado, o grupo se reuniu para um revival. Stephen Malkmus, o vocalista, é o menos empolgado no palco, embora os demais demonstrem um pouco mais de boa vontade. Bob Nastanovich grita muito em “Unfair” e “Cut Your Hair”. Os hits “Gold Soundz”, “Stereo”, “Shady Lane” e “Range Life” desenterraram um coro tímido, mas consistente, de fãs espalhados pelo Playcenter.

O Smashing Pumpkins, liderado pelo vocalista e guitarrista Billy Corgan, foi o responsável pelo grande anticlímax do festival. Em parte, por motivos alheios a ele, já que o grupo pegou um público cansado (subiu ao palco depois da 1h30 da madrugada) e tocou com um som baixo e mal mixado (as guitarras mal podiam ser ouvidas, especialmente por quem estava mais afastado). Em parte, também, por culpa da própria banda - ou melhor, de Corgan. Por mais que o grupo tenha boas músicas novas, o público estava lá para ouvir os clássicos. Mas Corgan fez questão de soltá-los em doses homeopáticas no início do show ("Today", "Ava Adore", "Bullet with Butterfly Wings"). Somente na reta final da apresentação, quando o público já deixava em peso o Playcenter, ele emendou uma sequência de antigos sucessos, encerrada com uma emocionante "Tonight Tonight". Mas, no bis, apostou na obscura "Heavy Metal Machine" e a chance de uma recuperação após um início ruim foi por água abaixo.

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