Festival Calango termina com shows fracos e pouca empolgação

Tiago Agostini |

Clima de fim de festa no último dia do Festival Calango: menos público em todos os setores, bandas que não vieram, bandas que já haviam se apresentado e ido embora. O que parecia é que o público se mantinha no Centro de Eventos Pantanal apenas para assistir ao Vanguart, que iria encerrar o festival (o show estava programado para a 1h).

Enquanto isso, a platéia ¿ menos dominada por metaleiros e com mais meninas que nos outros dias ¿ ia se divertindo com as outras atrações do festival, não necessariamente as musicais. O Calango, por sua estrutura, lembra muito uma grande festa junina de colégio: tem o lugar das comidas, das brincadeiras (o stand com Guitar Hero), a venda de bugigangas e os espetáculos artísticos.

É necessário vir até um festival independente brasileiro para entender o discurso dos organizadores de que estes eventos movimentam a vida cultural das cidades. O que se vê neles é algo difícil de encontrar nos shows em grandes centros: uma diversidade de público (metaleiros, patricinhas, emos) convivendo em harmonia. Estes eventos são a grande oportunidade para muitos adolescentes que gostam de rock assistirem a um show ¿ e eles aproveitam vendo tudo. Não é difícil ver famílias inteiras no local, seja com crianças de colo ou a mãe com o casal de filhos de 12 e 15 anos, ele com a camiseta da Pitty e um boné preto, comendo um sanduíche enquanto esperam a próxima atração. Todos com sorrisos nos olhos.

Se sábado se confirmou como a principal noite do festival, o domingo reservou algumas decepções. Dono de um dos melhores (se não o melhor) álbum de 2008, o paulista Curumin não conseguiu reproduzir no palco a excelência de suas canções. Talvez tenha sido o fato de ele tocar bateria e cantar no fundo do palco em boa parte das músicas, criando um distanciamento com o público. E faltou também executar a melhor música do álbum novo, Magrela Fever. Não é que o show tenha sido ruim, mas faltou algo.

O Supercordas foi nitidamente prejudicado pela má equalização do som. O som do grupo carioca é baseado nas texturas e detalhes sonoros que, quando não reproduzidos fielmente, acabam embolando um pouco a execução. Com apenas uma música antiga no repertório (3000 folhas), o show serviu para mostrar que o novo álbum, que está sendo gravado, virá bem diferente do que o grupo gravou antes, menos rural, mas mantendo a mesma estrutura de melodias. A boa surpresa da noite foram os paraibanos do Cabruêra, com sua mistura de rock e repente.

Quem esperava uma super comoção em relação ao Vanguart se decepcionou ¿ cantando todas as músicas com olhos fechados havia apenas algumas meninas na beira do palco. Mas a banda é competente no seu folk-rock. O show foi esquentar mesmo no final, com Hey Yo Silver e resultou em comoção apenas na última música, o grande hit da banda, Semáforo, que contou com mãos para o alto e dancinhas. O melhor show de uma noite não muito inspirada.

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