Fãs estão há 2 meses na fila para ver RBD no Rio

Centenas de fãs formam há semanas uma fila em frente à Arena HSBC, no Rio, parte da turnê de despedida do grupo RBD

Anderson Dezan, do Último Segundo |

A estudante Nathalye Bittencourt, de 21 anos, está há 72 dias em frente à Arena HSBC, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, mesmo sob chuva ou sol. Assim como ela, centenas de jovens formam há semanas uma gigantesca fila em frente à casa de espetáculos. O motivo para todo esse sacrifício tem um nome formado por três letras: RBD. O sexteto pop mexicano, originado na novela Rebelde e que já vendeu mais de 22 milhões de discos ao redor do mundo, fará na noite desta sexta-feira no Rio o show que integra a turnê de despedida da banda, Tour del Adiós, após quase cinco anos de estrada.

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Para garantir o primeiro lugar na fila, Nathalye largou o trabalho em uma concessionária. Segundo a jovem, a faculdade ela já havia trancado no meio do ano para ficar na fila do show que o RBD fez em maio no mesmo local. Como sabia que ia ter outra apresentação no final do ano, a adolescente nem reabriu a matrícula.

No primeiro show, nós ficamos 41 dias. Para esse espetáculo, a meta era bater 72 dias, mas somente algumas pessoas levaram a sério. Esses irão dizer: eu lutei, mas realizei meu sonho, diz. Eu falei para meus pais: não tem como, o RBD ou o trabalho. Eu já tinha abandonado a faculdade. O trabalho para mim, então, não é nada.

Fãs estão há mais de dois meses acampados no HSBC Arena, no Rio / Anderson Dezan

De acordo com os adolescentes que estão na fila há semanas, eles têm usado o banheiro de um shopping que fica próximo à Arena HSBC para escovar os dentes e fazer as necessidades. Para tomar banho, os jovens utilizam um posto de gasolina em frente ao local do show ou vão às casas de colegas, que também estão na fila, mas moram em bairros próximos. Nesse vai e volta, como evitar que alguém fure a fila?

Nós criamos uma lista de chegada. A pessoa ia chegando e colocando o nome na lista. Quem não estava dormindo aqui foi sendo cortado. Nós não íamos deixar ficar entre os primeiros quem não estava se esforçando, conta Nathalye.

Tatuagens

O amor dos fãs pelo RBD é tão grande que eles fazem tatuagens para gravar na pele o sentimento que nutrem pelos mexicanos. O estudante Osvaldo Trajano, de 17 anos, o segundo da fila, tatuou Anahí nas costas, nome de uma das cantoras da banda. Segundo ele, a tatuagem foi feita escondida dos pais.

Eu fiz a tatuagem há um mês. O meu pai não se importou com o que eu fiz. Já a minha mãe não gostou de não ter sido avisada, revela o adolescente.

Osvaldo, 17 anos, decidiu fazer a tatuagem sem contar aos pais / Anderson Dezan

Cristiane Borges, de 24 anos, tatuou o símbolo da banda em um pulso e o nome da cantora Maite no outro. De acordo com a jovem, as tatuagens representam a vida para ela. Pulso é vida. Se eu cortar o meu pulso eu morro. A idéia é justamente essa. Se eu cortasse essas tatuagens eu morreria. Se eu cortasse o RBD eu morreria, confessa Cristiane.

A jovem acredita que nunca irá se arrepender das gravações que fez na pele. Se eu tivesse 16 ou 17 anos, eu me arrependeria. Mas agora, com 24 anos, minha cabeça já está feita. Eu nunca vou me arrepender das minhas tatuagens.

Amor incondicional

Ficar dias na fila, tatuar nomes e símbolos do grupo no corpo. Afinal de contas, todo esse esforço compensa? Para os fãs, sim. Eles são um espelho para a gente no quesito moda. Eles também representam muito em nossas vidas. A gente se espelha nas coisas que eles falam e no modo em que eles vivem. Além disso, as músicas da banda também têm muitas mensagens do tipo nunca deixe de sonhar, conta Paulo Victor, de 19 anos.

"Se cortar o meu pulso, morro. Se cortasse o RBD, também", garante Cristiane / Anderson Dezan

Para Pedro Ricardo, 18, a novela onde o grupo surgiu e as canções abordam temas importantes para a juventude atual. O amor que a gente sente por eles é bem celestial. A história do RBD fala sobre como não usar drogas, respeitar as diferenças, o homossexualismo. Eles falam do respeito que todos merecem.

Cristiane Borges vai além e reflete sobre o amor que os fãs sentem pelo sexteto mexicano. O amor é incondicional. Você tem que entender a entrelinha do que eles fazem. Aí você entende a magia que é aquilo. Eles não te pedem nada e a gente se pudesse daria tudo para eles, analisa.

Os jovens que estão nos primeiros lugares da fila irão ficar na área VIP do show, cujos ingressos custaram R$ 500, a inteira, e R$ 250, a meia-entrada. Segundo a estudante Amanda Gonçalves, de 22 anos, que veio de Juiz de Fora, em Minas Gerais, o valor compensa. As duas horas de show são a nossa vida.

Deisiane Pureza, de 19 anos, mora com uma amiga e ficou endividada por causa do valor do ingresso. Mesmo assim, ela não reclama. Ouvir eles falarem Olá, Rio e ver o sorriso deles vale qualquer dinheiro. Só de pensar, dá vontade de chorar. Cristiane Borges resume todo o esforço em uma frase. Amor de fã não tem preço e não se explica. Se admira.


Serviço - RBD

Rio de Janeiro

HSBC Arena
Avenida Embaixador Abelardo Bueno, 3401, Barra da Tijuca
Sexta, 28/11, às 20h
Ingressos: de R$ 200 a R$ 500

São Paulo

Arena Skol/ Anhembi
Avenida Olavo Fontoura, 1209, Santana
Sábado, 29/11, às 20h
Ingressos: de R$ 50 a R$ 500

Brasília

Ginásio Nilson Nelson
Domingo, 30/11, às 16h
Ingressos: de R$ 30 a R$ 500

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