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Fall Out Boy BR Live in Phoenix

Katia Abreu |

Por Katia Abreu

Há coisas que só são aceitáveis até certa idade. Fazer xixi na cama, por exemplo, não pega bem para um adolescente; é um comportamento de criança. Na adolescência, por conta de toda a confusão hormonal, a gente acaba aceitando e transgredindo coisas, sem muito critério. O importante é experimentar, se divertir e colocar os demônios para fora. É por isso que jovens gostam de rock. É isso que procuram na catarse de uma multidão que canta refrões aprendidos no rádio e/ou na internet.

Um telão enorme alterna imagens aleatórias, repetindo várias vezes os monstrinhos fofos da animação Happy Tree Friends. Não poderiam ter escolhido melhor signo visual para abrir seu show. O Fall Out Boy bem poderia (como outras bandas de emocore) ser a representação musical dos agridoces bichinhos que cometem atrocidades nos episódios da série. Um híbrido de fofura e raiva, a banda desfila letras sobre amor (que as meninas adoram) e guitarras enraivecidas (que fazem os meninos delirarem) e coloca neste DVD todo tipo de clichê do sonho juvenil de rock star.

Quatro rapazes dispostos num palco enorme; solos de guitarra poser, pulinhos, rodopios e tudo o que um instrumentista possa fazer para chamar a atenção ¿ até o baterista, sem camisa e todo tatuado, tem seu momento estrela, solando num palco deslocado para a boca de cena. Há labaredas de fogo cuspidas ao fundo. Há o baixista carismático e bonitinho conversando com a platéia entre as músicas. Há todos os clichês e mais alguns equívocos.

Há participações especiais relâmpago e totalmente dispensáveis. Os convidados entram e saem do palco, e somente cantam (gritam) trechos de músicas sem que sejam apresentados ou agradecidos. Há também a terrível e desafinada citação a Hallelluiah, de Leonard Cohen. Era pra ser uma homenagem? E há a cover de Beat it, de Michael Jackson, que, a esta altura, se torna o melhor momento do DVD.

Todos os clichês (e, com boa vontade, alguns equívocos) até poderiam ser perdoados, se considerássemos que estamos tratando de apenas adolelescentes, que nem se importam com o fato de que a música parece ser sempre a mesma. O que importa é a diversão, e, aparentemente, isto se cumpre aqui. No palco e na platéia.

Mas quando vem os extras e nos deparamos com rapazes beirando os 30 anos agindo como moleques de 15, em brincadeiras estúpidas, fica difícil não achar, no mínimo, inadequado. Aí a gente vê algumas rugas já se formando no canto dos olhos deles, lembra de todo o circo que foi o show e não dá pra perdoar nem com a desculpa de adolescencia tardia. Além do mais, rolou um solo de bateria. E isso é imperdoável em qualquer momento da vida.

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