Fall Out Boy fala sobre divisão de atenções e papéis

Banda está lançando quinto álbum, Folie a Deux, com anos 80 como inspiração.

New York Times |

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Ninguém prestou muita atenção em Patrick Stump durante uma excursão de compras noturna no empório do vinil da Academy Records na East Village no começo do mês passado. Examinando as pilhas de álbuns velozmente, como o funcionário de uma loja de música que ele um dia foi, ele abria caminho metodicamente pela loja ¿ blues, depois jazz, então world music, rock ¿ todo esse tempo balançando a cabeça à obscuridade soul de Leo Sunshipp, que rolava pelo sistema de alto-falante: apenas mais um nerd de discos, satisfazendo suas vontades.

Stump, 24, prefere assim. O fato de ser o cantor da banda de rock Fall Out Boy fez pouco para convencê-lo que a atenção é algo de que se deve gostar. Em vez disso, Stump cedeu por vontade própria o holofote, se é que já esteve nele, ao baixista da banda, Pete Wentz, 29, o vácuo de atenção barulhento conhecido por se casar com a cantora Ashlee Simpson, apresentar um programa na MTV e compartilhar em demasia na Internet, incluindo algumas fotos desagradáveis de seus países baixos que apareceram em 2006.

Nesta semana o Fall Out Boy, que também inclui o guitarrista Joe Trohman e o baterista Andy Hurley, vai lançar Folie a Deux , o quinto álbum e o terceiro por um grande selo, o Island Def Jam. É o trabalho mais conciso e comportado deles até hoje, tirando suas principais influências do rock de arena dos anos 90, mas o que é notável é o crescimento e a versatilidade de Stump, tanto como vocalista quanto compositor. O álbum chega também em um período em que Stump está em ascensão como produtor para outros artistas e Wentz está repensando sua imagem pública. Se houve um tempo para que Stump aparecesse e exigisse atenção, isso seria agora. Mas se não tiver problema, ele prefere rejeitar, obrigado.

Nunca me senti como o tipo frontman, afirmou Stump, que é talvez o cantor menos visível de uma banda popular, à noite no hotel Midtown onde, na noite anterior, ela comemorara a vitória de Barack Obama com uma garrafa de champanhe, sozinho. Quando fala, ele se preocupa com a mecha de cabelo que desce na frente de sua orelha esquerda, passando a mão sobre ela repetidamente. Tive sorte com Pete. Ele tem tanta personalidade que não preciso ser um personagem. É egoísmo empurrar isso para ele, mas foi incrível para mim.

David Weier, vice-presidente de programação musical e relações de talentos no canal voltado para música, Fuse, disse que os dois lembravam a ele Penn & Teller: Quando estão juntos, tocam bem juntos, mas como indivíduos são complexos diferentemente.

Stump tem estado à frente do Fall Out Boy desde sua formação na cena punk da área de Chicago em 2001, e tem sido o arquiteto principal do som da banda, que em pouco evoluiu de emo a um pop-punk radiofônico. Wentz, que escreve as letras, é responsável pela pegada emocional bem literal do grupo, mas é Stump que assume a partir daí, moldando as composições de Wentz ¿  poesia beta é como Stump descreve o texto cru; Ornette Coleman com palavras ¿ em estruturas tradicionais de música, e então escrevendo as melodias, ganchos e arranjos para que os outros membros da banda toquem. E apesar de serem os sentimentos de Wentz que saem da sua boca, Stump é a voz da banda.

Essa circunstância é, naturalmente, um acidente. Até hoje Stump é modesto sobre seu talento. Eu canto porque Pete queria que eu cantasse, disse. Canto porque Pete viu em mim um cantor. Quando Stump fez teste para o Fall Out Boy era para ser o baterista. Não me lembro de cantar para ninguém até estar em uma banda, afirmou. Era algo a se fazer muito particularmente.

Patrick Stump

Nos últimos anos Stump começou a trabalhar fora do Fall Out Boy, produzindo tanto na cena hip-hop, fazendo batidas para Lupe Fiasco e Tyga, quanto no cenário do rock, ajudando a moldar músicas do Gym Class Heroes, Cobra Starship e Hush Sound. (Ele também escreveu e dirigiu um curta no tempo livre.)

A habilidade mais forte de Patrick como produtor é ter uma grande noção de melodia, que é onde o foco de algumas músicas deve estar, disse Greta Salpeter do Hush Sound. Ele não lida com a parte técnica. Não importa se você sabe arrumar um microfone. A única coisa que importa para ele é que você tenha uma boa música.

Ninguém parece mais contente, ou aliviado, com a evolução de Stump do que Wentz. O Patrick, acredito, é um gênio musical. Ele tem um entendimento natural de teoria da música, defendeu Wentz. Mas aquilo que eu fui infringiu isso. Sinto que tornei mais difícil para as pessoas entenderem isso.

Ao falar de seu papel na banda, Wentz é dado a metáforas grandiosas. Seu gosto pela atenção, ou infâmia, foi, disse ele, o foguete propulsor da nave ¿ ele precisa cair para que o módulo vá aonde pode ir.

E se Stump está preparado ou não para ir em frente, Wentz recua. As letras de Folie a Deux são as menos explícitas pessoalmente que Wentz já escreveu, vindo não por coincidência na época de seu maior valor nos tablóides. Em maio, Wentz se casou com Simpson, e no mês passado o casal teve a primeira criança, um filho, Bronx Mowgli. Neste mês Wentz também está promovendo sua primeira exibição de arte, com trabalhos feitos com McCoy, na Gallery 1988, em Los Angeles.

Mas enquanto Wentz tenta restaurar a privacidade em sua vida e Stump continua a evitar as luzes da ribalta, o vértice resultante vai deixar o Fall Out Boy sem um centro de gravidade? Wentz insiste que Stump tem sido isso o tempo todo. Acho que as pessoas vão se lembrar das idéias imensas que Patrick teve. Ele definitivamente é um bilhete de loteria.

Mas ainda um relutante. Algumas semanas depois de fazer compras na Academy Records, Stump estava em Nova Iorque de novo, chamado no meio das estrelas para a final do programa TRL, da MTV, que caiu alguns dias antes de Simpson dar a luz. Diddy e Taylor Swift estavam lá. Snoop Dogg e Kid Rock também. E Stump, sem se importar e com seu manto da invisibilidade, fez o que pôde para aproveitar o momento.

Ele estava me falando a respeito, disse Salpeter, que falou com ele pouco tempo depois, e ele disse, Ah, cara, eu tive que ir lá mostrar a cara e fazer aquele lance de celebridade. Foi horrível!

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