Fabiana Cozza mostra quem é em DVD ao vivo

Quando o Céu Clarear traz show gravado no Auditório Ibirapuera

Augusto Gomes, iG São Paulo |

Em meio ao mar de novas cantoras brasileiras surgidas na última década, a paulistana Fabiana Cozza ocupa um lugar de destaque. Ela é única por diversos motivos. Em primeiro lugar, pela voz grave e potente, distante do padrão Marisa Monte seguido pela maioria. Em segundo, pelo repertório, uma amostra do que foi feito de melhor no samba nos últimos anos. Em terceiro, também pela poderosa presença de palco.

Essas três qualidades podem ser vistas no DVD Quando o Céu Clarear , que acaba de chegar às lojas. Trata-se de um show gravado ao vivo no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, numa noite de maio do ano passado. Nele, Fabiana canta músicas de seus dois álbuns, O Samba É Meu Dom (2004) e Quando o Céu Clarear (2007), e também recebe dois convidados especiais, Rappin Hood e Maria Rita.

"Eu tenho amizade com os dois. Quando fiz o convite, eles aceitaram de imediato", conta Fabiana. Com Rappin Hood, a cantora faz uma mistura de samba e hip hop nas canções "Malandro", "Suburbano" e "Andar com Fé". Já o afiado dueto com Maria Rita inclui os sambas "Trajetória" e "Malandro Sou Eu". "Já havia feito participações em vários shows. Estava na hora de alguém participar do meu", brinca.

O DVD foi gravado em apenas uma noite. "A gente não repetiu nada, foi direto do começo ao fim", conta a cantora. "Dois meses antes da gravação, eu fiz uma temporada de seis apresentações no Teatro João Caetano, na Vila Mariana. Então, quando chegamos no Auditório Ibirapuera, estávamos muitos afiados", explica. A única regravação em estúdio foi o pandeiro tocado em "Coisa Feita", porque o instrumento arrebentou no meio da música.

"Coisa Feita" é, por sinal, um dos pontos altos do show. Outro destaque é sua versão de "Canto de Ossanha", de Baden Powell e Vinícius de Moraes. Nela, Fabiana divide os versos de maneira única, praticamente recriando a canção. E também mostra porque é famosa por sua dramaticidade em cena. "O Marcelino Freire (escritor, autor dos livros Angu de Sangue e Contos Negreiros) me dizia que eu tinha esse talento, mas precisava trabalhar", diz.

Ela trabalhou. Antes de gravar seu primeiro disco, fez cursos de atuação e participou de alguns musicais. A preocupação cênica continuou no show que deu origem a esse DVD. A apresentação conta com a participação do dançarino Irineu Nogueira em alguns números. A própria Fabiana também arrisca seus passos de dança, inclusive com Maria Rita. "Tive que me preparar bastante com o Irineu. Muita academia!", ri.

Além da apresentação, o DVD também traz um documentário, intitulado "Raízes". Segundo Fabiana, ele é tão importante quanto o show. "Queria dizer quem eu sou, mostrar de onde eu venho", explica. Não por acaso, o filme começa e termina com uma roda de samba. "As pessoas sabem que eu canto um repertório de samba. Mas é muito mais que isso. O samba construiu minha carreira", afirma.

A roda de samba que abre o documentário acontece na casa em que a cantora foi criada e onde seus pais vivem até hoje, na Vila Madalena. A que fecha é no bar Ó do Borogodó, bar no mesmo bairro que é um dos principais centros de divulgação do samba paulista. "Durante três anos cantei lá. É exatamente como aparece no filme, eu ia andando da minha casa até lá. Dá uns dez minutos de caminhada", recorda.

"Raízes" também traz uma das últimas aparições de Luiz Carlos da Vila. O sambista, autor de sambas como "Kizomba, a Festa da Raça", foi filmado apenas dois meses antes de sua morte. "Até onde sabemos, é a última imagem dele. Ele apareceu lá na roda de samba por acaso, convidado pelo Cebola, um dos percussionistas da banda. Na época, nem sabíamos que ele estava doente", diz.

Tanto o show "Quando o Céu Clarear" quanto o documentário "Raízes" serão exibidos na no final deste ano na TV Cultura, uma das parceiras na produção do DVD. Ambos vão ao ar no dia 30/12, a partir das 23h30. Já nesta segunda (21), Fabiana autografa o DVD na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Avenida Paulista, 2073, Cerqueira César), a partir das 18h.

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