Excesso de atrações internacionais provoca cancelamentos de shows

Enquanto Paul McCartney esgota ingressos em poucas horas, outros eventos lutam para atrair público

Augusto Gomes, iG São Paulo |

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Paul McCartney: caso de sucesso de vendas
Paul McCartney, Black Eyed Peas e Jonas Brothers. Norah Jones, Smashing Pumpkins e Pavement. E ainda Tokio Hotel, Massive Attack e Scissor Sisters. Essas são apenas algumas das atrações internacionais que vêm ao Brasil em novembro. E isso depois de um outubro já bastante intenso, com os festivais SWU e Natura Nós e a turnê do Green Day.

Entre agosto e outubro, uma série de shows no Brasil foi cancelada - oficialmente, jamais por falta de público. "Ninguém admite isso", diz a produtora Paola Wescher. Por causa de "problemas logísticos", o guitarrista Peter Frampton não se apresentou em Porto Alegre e a banda francesa Air deixou de fazer um show em Belo Horizonte (extra-oficialmente, porque haviam sido vendidos apenas 35 ingressos). O grupo Limp Bizkit cancelou sua turnê brasileira, alegando um problema de saúde do vocalista Fred Durst, e o Hoodoo Gurus adiou suas performances no país para 2011.

Outro caso emblemático foi o Urban Music Festival, que deveria ter ocorrido em São Paulo em 13 de outubro. O evento não aconteceu porque, segundo comunicado oficial da produção, o rapper Timbaland não conseguiu vir ao Brasil devido à sua turnê mundial. Oficialmente, o único evento encerrado por baixa venda de ingressos foi a edição paulistana do festival de música eletrônica Tribaltech, marcada para o final de agosto. "Tivemos que cancelar", reconhece o produtor Rodrigo Teixeira da Silva.

Diante desse cenário, surge a pergunta: há publico para tantos shows?

"Há público. A questão é se esse público tem dinheiro para comprar ingressos", avalia o produtor de eventos Marcos Boffa, da Mondo Entretenimento, uma das principais empresas que realizam shows do país. "Quando você acha que as pessoas não têm mais dinheiro, aparece o Paul McCartney e as entradas esgotam em poucas horas", completa. Para ele, o mercado brasileiro comporta uma agenda cheia como a deste final de ano. "O Rammstein, em dezembro, está vendendo tão bem que marcamos um show extra", exemplifica.

Mas Boffa faz uma ressalva: com uma quantidade tão grande de apresentações, um evento que avalie mal o seu público vai sofrer mais. "Há uma série de elementos que determina o sucesso ou não de um show. Um deles é como um nome repercute no Brasil", diz. Segundo ele, se o interesse por um artista for superestimado pela produção, o show pode até ser cancelado. "Com um volume desses de 'concorrentes', quem não se planejou bem vai sofrer", acredita.

A produtora Paola Wescher, que traz artistas (como a banda inglesa Friendly Fires) para o festival Popload Gig, é mais incisiva. "As pessoas não têm dinheiro para tanto show. Elas têm de escolher entre um ou outro", afirma. "Nesse período, o esforço para promover, para conseguir espaço na imprensa, é dobrado. Por isso eu evito fechar shows nessa época, faço no máximo até o final de setembro. Eu ia, inclusive, fechar um artista para dezembro, mas desisti. Não adianta brigar com peixe grande."

O excesso de shows nesta época é uma combinação de dois fatores: o calendário internacional e as empresas patrocinadoras. "De abril até setembro, é quase impossível trazer artistas ao Brasil porque é a época dos grandes festivais na Europa e na América do Norte", explica Marcos Boffa. Sobra, portanto, o período de outubro a março. "Mas, para as empresas patrocinadoras, é mais fácil liberar dinheiro no segundo semestre", diz Paola Wescher.

Além do período restrito, outra dificuldade dos produtores é descobrir o que o público quer ver. "O termômetro atualmente é outro. Temos que ficar de olho na movimentação na internet, blogs, redes sociais", diz Rodrigo Teixeira da Silva. Paola Werscher concorda. "Quantas vezes vemos shows lotados de bandas que nem têm disco lançado no Brasil? O difícil é que nem sempre o que é muito comentado na internet significa ingressos vendidos. Não sabemos mais com quem as pessoas querem gastar."

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