Estudo rejeita que 27 anos seja "idade maldita" para músicos

Segundo pesquisa do "British Medical Journal", risco de morte não é maior nessa idade

EFE |

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Amy Winehouse
Músicos como Amy Winehouse, Jim Morrison, Jimi Hendrix, Kurt Cobain e Janis Joplin morreram aos 27 anos, uma coincidência que agora um estudo estatístico se encarrega de pôr em perspectiva, ao qualificar de "mito" que essa idade seja uma "maldição".

Enquanto a fama pode aumentar o risco de morte dos músicos em plena juventude, provavelmente devido a uma vida de excessos, esse risco não se limita aos 27 anos, afirmam os autores do estudo, publicado nesta terça-feira na edição natalina do "British Medical Journal".

Os pesquisadores, liderados por Adrian Barnett, da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália, advertem que os músicos famosos têm probabilidade duas ou três vezes maior de falecerem prematuramente entre 20 e 30 anos que a população geral do Reino Unido.

Desde meados do século passado, mais de 40 intérpretes passaram a engrossar o chamado "Clube dos 27", integrados por jovens estrelas mortas com essa idade considerada "maldita". Entre eles, além dos já citados estão Brian Jones, co-fundador dos Rolling Stones, que se afogou em 1969, e a cantora espanhola Cecilia, morta em um acidente de trânsito em 1976.

Alguns deles morreram em acidentes, outros se suicidaram e muitos sofreram uma overdose de drogas ou álcool. A equipe de Barnett pôs a toda prova a tese do "Clube dos 27" ao estudar o índice de mortalidade entre 1.046 músicos que colocaram pelo menos um álbum no topo das paradas britânicas entre 1956 e 2007.

Durante esse período faleceram 71 deles (7%), incluindo cantores melódicos, estrelas do Heavy Metal, roqueiros e até atores dos Muppets. Os autores fizeram uma análise matemática para calcular a incidência dos 27 anos nos falecimentos, e determinaram que o risco de morte não alcança um pico a essa idade, embora entre 20 e 30 anos seja maior que entre a população geral.

Também comprovaram que houve muitas mortes entre músicos que tinham entre 20 e 40 anos na década de 1970 e no início dos anos 80. Surpreendentemente, não ocorreram falecimentos nesse grupo de idade no final dos anos 80, algo que pode se dever à melhora nos tratamentos para overdose de heroína ou à mudança de estilo musical, que passou do hard rock de 1970 ao pop de 1980.

Por tudo isso, o estudo conclui que o "Clube dos 27" é apenas um mito, mas alerta sobre o maior risco de morte entre 20 e 30 anos.

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