Equipe médica conclui autópsia de Michael Jackson

Causa da morte do cantor ainda não está determinada

Redação com agências internacionais |

A autópsia do corpo do cantor Michael Jackson, morto ontem aos 50 anos, foi concluída na tarde desta sexta-feira. O exame, no entanto, não determinou a causa da morte do artista. Em entrevista coletiva realizada logo após a autópsia, o porta-voz Craig Harvey informou que é preciso esperar o resultado dos exames toxicológicos.

Segundo Harvey, o resultado desses exames vai demorar de quatro a seis semanas para ficar pronto. O porta-voz ainda informou que Michael Jackson ainda estava vivo quando chegou ao hospital, e que não havia sinais de violência em seu corpo.

Familiares de Jackson asseguraram que o cantor recebeu "uma alta dose de morfina" logo antes de sua morte, segundo o portal especializado em celebridades "TMZ". Um dos médicos pessoais do astro, supostamente responsável por ministrar a substância, foi localizado em Los Angeles e, de acordo com o site, deve prestar depoimento ainda nesta sexta-feira (26) à polícia.

O pai do artista, Joe Jackson, queria levar seu filho recentemente a um centro de reabilitação em Palmdale, na Califórnia, por considerá-lo "dependente" de morfina e medicamentos com prescrição médica.

Outros integrantes da família disseram que o cantor não estava preparado para fazer os próximos shows previstos para julho, por causa do uso dessas substâncias.

De fato, representantes da turnê, prevista para começar no dia 17 de julho, disseram ao "TMZ" que Michael geralmente se encontrava em estado "letárgico" e chegava tarde aos ensaios.

O anestesista do Hospital São Luis Daniel Oliveira explica que uma dose muito alta de morfina poderia causar parada respiratória, o que levaria à parada cardíaca. "A morfina é um opióide, como a heroína, e pode causar depressão respiratória caso o paciente receba uma dose muito maior do que a que está habituado", detalha. Um paciente que sofra de dor crônica, como os com câncer terminal, pode ser medicado com 10 ou 15 miligramas diárias. "Se Michael Jackson estava tratando um quadro de dor muito forte, ele aguentaria mais morfina", especula. Isso porque o organismo cria mecanismos de resistência aos efeitos e necessita quantidades maiores para que a droga faça efeito.

O médico cardiologista Fernando de Araujo Pereira ressalta que a quantidade de morfina suficiente para causar uma parada cardiorrespiratória é diferente para cada paciente. "Depende da dose, da predisposição da pessoa e das doenças que ela tem", alerta.

Uma equipe médica foi enviada à residência do artista às 12h21 de quinta-feira (hora local) e encontrou-o sem respirar. No local, os paramédicos fizeram uma massagem cardíaca para reanimar o artista. Ele foi levado rapidamente para o hospital da Universidade da Califórnia (UCLA), onde uma equpe médica tentou reanimá-lo durante uma hora. Ele foi declarado morto às 14h26 local e sua morte foi confirmada oficialmente pelo legista-chefe do Estado, Fred Coral.

Casado duas vezes ¿ com a única filha de Elvis Presley, Lisa Marie, e a ex-enfermeira Debbie Rowe ¿, Michael deixa três filhos, Prince Michael I, Paris Michael e Prince Michael II, este último conhecido por uma breve aparição pública quando o pai o chacoalhou em uma janela de hotel em Berlim.

Remédios para voltar aos palcos

Michael Jackson tinha 50 anos e se preparava para o retorno aos palcos após mais de dez anos sem se apresentar ao vivo. Em declarações à imprensa, o porta-voz do artista e advogado da família Jackson, Brian Oxman, mostrou-se preocupado com as excessivas doses de remédios que o cantor vinha tomando para entrar em forma e preparar-se fisicamente para a árdua temporada de 50 shows que faria na O2 Arena, em Londres.

"Michael aparecia nos ensaios algumas vezes, ele tentava duramente estar apto a fazer esses ensaios", disse Oxman sobre as preparações de Jackson para uma série de 50 shows que ele começaria a fazer em Londres a partir de julho.

"O uso que ele fazia de medicamentos estava atrapalhando, as lesões que ele teve enquanto atuava, onde ele quebrou uma vértebra e a perna ao cair no palco, estavam atrapalhando", disse Oxman à CNN.

Takek Ben Amar, amigo e ex-agente de Michael Jackson, chegou a chamar os médicos que travavam do artista de criminosos e charlatães, pois, segundo ele, se aproveitaram de uma pessoa hipocondríaca que tinha necessidade de tomar muitos medicamentos. "Está claro que os criminosos neste caso são os médicos que o atenderam ao longo de sua carreira, que destruíram seu rosto, que deram remédios para acalmar as dores", denunciou Ben Amar à rádio francesa Europe 1.

"Ele não conseguia dormir, por isso tomava soníferos. Era hipocondríaco e nunca soube de verdade se estava doente porque vivia rodeado de médicos charlatães que viviam dessa doença, que cobravam milhares e milhares de dólares em remédios, em vitaminas", acrescentou.

A Polícia de Los Angeles já teria aberto uma investigação para esclarecer o ocorrido, apesar de não existirem indícios de um crime. Detetives da divisão de homicídios fizeram buscas na casa de Jackson, no bairro de Holmby Hills, em Los Angeles, mas alertaram que a investigação é um evento "corriqueiro".

Prejuízo milionário dos shows

A empresa AEG Live, que convenceu Michael Jackson a oferecer 50 shows no auditório O2 de Londres, pode sofrer perdas de até 348 milhões de euros com a morte do cantor, informou hoje o jornal britânico The Times. Especialistas do mercado atuarial informaram que havia pouca demanda no mercado de seguros de Londres para cobrir todas as datas dos shows programados, e calculou que a AEG Live seria responsável por arcar com aproximadamente 348 milhões de euros.

Segundo o Times, acredita-se que os dez primeiros shows entraram no mercado de seguros de Londres por um valor de 80 milhões de libras (93 milhões de euros).

O principal responsável da AEG Live comunicou às seguradoras que os médicos tinham examinado Michael por cinco horas e estavam convencidos de seu bom estado de saúde, especialmente por sua condição de vegetariano.

Logo depois do anúncio dos shows, um milhão de pessoas tentaram comprar entradas para as dez apresentações programadas inicialmente, que em breve se transformariam em 50. Os ingressos foram rapidamente para o mercado negro, onde eram vendidos por mais de 1000 euros.

No entanto, segundo o Times, o próprio cantor sabia que não estava em condições de realizar uma série de 50 shows, mas acabou cedendo à pressão de pessoas as quais devia dinheiro. "Não sei como vou fazer 50 apresentações. Estou muito nervoso", disse Michael em uma ocasião.

A AEG Live, subsidiária do Anschutz Entertainment Group, será agora obrigada a devolver o dinheiro de um milhão de pessoas que compraram entradas, além de encarar um auditório vazio durante meses.

Afundado em dívidas

O sacrifício de Michael Jackson em encarar uma maratona de shows na capital britânica era uma tentativa de tentar saldar parte de seus milionários empréstimos. Apesar de ter faturado centenas de milhões de dólares, tendo sido um dos músicos pop mais bem-sucedidos de todos os tempos, Jackson acumulou dívidas de cerca de 500 milhões de dólares, segundo fontes citadas pelo Wall Street Journal no início do mês.

Conhecido por mergulhar em imensas orgias de compras de brinquedos e antiguidades, Jackson foi acusado por um contador, durante seu julgamento em 2005 por abuso sexual infantil, de gastar 20 ou 30 milhões de dólares a mais por ano do que estava ganhando.

Seu estilo de vida luxuoso foi possibilitado em parte por um empréstimo de 200 milhões de dólares que contraiu, dando como garantia sua participação no catálogo dos Beatles. Jackson comprou sua parte no catálogo numa joint venture com a Sony Corp e refinanciou esses empréstimos em 2006, para tentar evitar a insolvência.

Em novembro do ano passado,  ele foi obrigado a entregar o título de propriedade de seu rancho Neverland, na Califórnia, a uma empresa formada por ele próprio e o fundo de investimentos imobiliários Colony Capital LCC, de Los Angeles, a firma que detém o empréstimo de 23 milhões de dólares que ele fez sobre o imóvel. Se a carreira do cantor fosse revitalizada, o rancho poderia ser vendido por entre 70 e 80 milhões de dólares.

Os maiores retornos financeiros de Jackson, no entanto, podem acontecer mesmo na esteira de sua morte. A gravadora com a qual ele trabalhou durante anos, a Sony Music Entertainment, provavelmente relançará edições especiais de alguns de seus álbuns mais vendidos, e possivelmente lançará algumas gravações raras também.



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